Justiça Federal ordena prisão de Henrique Vorcaro em desdobramento de esquema de intimidação

Última edição em maio 14, 2026, 10:35
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Henrique e Daniel Vorcaro - Meio News

Da Redação*

Uma nova etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (14), resultou na captura de Henrique Vorcaro, pai do controlador do Banco Master, em Belo Horizonte. A investigação detalha a existência de uma estrutura criminosa voltada para o monitoramento ilegal, coação de opositores e manipulação de informações no ambiente digital, contando inclusive com a participação de servidores da própria corporação policial para viabilizar as atividades ilícitas.


A estrutura da organização e o papel do investigado

As apurações conduzidas pela Polícia Federal revelam que Henrique Vorcaro exercia uma função central na manutenção financeira e operacional de um grupo autodenominado “A Turma”. De acordo com os relatórios de inteligência, o investigado não apenas demandava ações de intimidação contra rivais do Banco Master, como também era o responsável por viabilizar o fluxo de recursos que sustentava as operações do bando. O esquema contava ainda com o suporte de uma célula de hackers, apelidada de “Os Meninos”, cuja missão era realizar ataques cibernéticos para remover reportagens críticas e impulsionar conteúdos favoráveis à imagem da família Vorcaro.

O magistrado André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), fundamentou a ordem de prisão com base em dados extraídos de dispositivos eletrônicos. As evidências apontam que, mesmo após o início das fases anteriores da operação, Henrique continuou coordenando repasses financeiros significativos e utilizando métodos sofisticados de comunicação, como terminais estrangeiros e trocas constantes de aparelhos, para evitar o rastreamento das autoridades e garantir a continuidade das práticas de coerção.

Infiltração em órgãos de segurança e ordens judiciais

O alcance do grupo criminoso atingiu as estruturas internas da Polícia Federal, resultando no afastamento de uma delegada e na prisão preventiva de um agente da instituição. Ambos são suspeitos de atuar como braços informativos da organização, vazando dados sigilosos e facilitando o acesso a sistemas restritos. A ofensiva desta quinta-feira mobilizou agentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais para o cumprimento de sete mandados de prisão e 17 de busca e apreensão, incluindo ordens de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros dos envolvidos.

Além dos policiais da ativa, dois agentes federais aposentados figuram como alvos da operação. Um deles foi detido, enquanto o outro sofreu busca e apreensão. A investigação aponta uma vasta lista de crimes, que incluem corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de computadores e violação de sigilo funcional, consolidando o que a PF descreve como uma rede perigosa de abuso de poder econômico e institucional.

Histórico de ameaças e ocultação patrimonial

O grupo “A Turma” já era monitorado por condutas violentas, incluindo diálogos interceptados em que membros discutiam agressões físicas contra profissionais da imprensa. A rede de apoio contava anteriormente com a figura de Luiz Mourão, conhecido pela alcunha de “Sicário”, responsável por espionagens e invasões de sistemas federais. Mourão faleceu sob custódia policial em março, após ser preso em uma fase prévia da investigação. Outro elo familiar importante, Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, também já havia sido preso por gerenciar os pagamentos destinados a manter o aparato de intimidação.

Para além das ameaças físicas e digitais, a Polícia Federal investiga a movimentação financeira atípica da família. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a Multipar, empresa controlada pelos investigados, movimentou cifras superiores a R$ 1 bilhão em um intervalo de cinco anos. O volume vultoso de transações exclusivamente entre contas ligadas aos proprietários do banco levanta fortes suspeitas de estratégias para ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, consolidando o inquérito que busca desmantelar a influência do grupo sobre o setor financeiro e os órgãos de controle.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Henrique e Daniel Vorcaro. Crédito: reprodução Meio News

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