Governo dos Estados Unidos pressiona contra posição brasileira em favor de direitos para afrodescendentes

Pressão diplomática dos Estados Unidos, sob Donald Trump, tenta impedir avanço de declaração liderada por Brasil e Colômbia na OEA, enquanto países do Caribe relatam ameaças e alinhamentos forçados à agenda de Washington.
Última edição em maio 11, 2026, 04:04
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Embaixador dos EUA na OEA, Leandro Rizzuto. Crédito: reprodução Poder 360

Da REDAÇÃO*

A diplomacia norte-americana, sob a gestão de Donald Trump, intensificou esforços para barrar a criação da Declaração Interamericana dos Direitos das Pessoas Afrodescendentes na Organização dos Estados Americanos (OEA). A proposta, liderada por Brasil e Colômbia, enfrenta uma ofensiva que combina alianças políticas com governos de direita e pressões diretas sobre nações vulneráveis do Caribe e da América Latina.

O projeto e o impasse diplomático

A iniciativa brasileira visa estabelecer um marco de proteção jurídica organizado em quatro pilares centrais: justiça, reconhecimento, desenvolvimento e interseccionalidade de gênero. O texto, composto por 28 artigos, vinha sendo negociado ao longo de 14 reuniões desde o ano passado, com consenso em mais de 50% do conteúdo.

Embora tenha se mantido ausente das discussões iniciais em 2025, o governo dos Estados Unidos decidiu intervir nas últimas seis semanas que antecedem a Assembleia Geral da OEA, marcada para o fim de junho, no Panamá. O objetivo é impedir que o documento seja levado à votação, retirando a pauta da agenda oficial do órgão.

Alianças e estratégias de contenção

Para esvaziar a proposta, Washington mobilizou o apoio de países com afinidade ideológica, como Argentina, Paraguai e El Salvador. Além do alinhamento político, a estratégia norte-americana incluiu advertências diretas a nações do Caribe, como Haiti e Jamaica. Segundo fontes diplomáticas, esses países teriam recebido ultimatos indicando que a manutenção do apoio à declaração seria interpretada como uma afronta aos interesses dos EUA.

O embaixador norte-americano na OEA, Leandro Rizzuto, tem sinalizado que o país não aceitará a inclusão do tema na Assembleia Geral. Essa postura reflete o histórico recente da gestão Trump, que já havia votado contrariamente em resoluções da ONU que classificavam o tráfico transatlântico de escravizados como crime contra a humanidade.

Reflexos na soberania regional

A resistência ao projeto brasileiro expõe a fragilidade da autonomia de diversos governos da região diante do poderio de Washington. Diplomatas brasileiros avaliam que o movimento não apenas trava avanços em direitos humanos, mas consolida uma “adesão automática” de certos blocos a uma agenda que negligencia grupos vulneráveis.

Apesar da pressão para o adiamento das discussões, os proponentes da declaração ainda dispõem de um mês e meio para tentar salvar o texto. No entanto, o recuo de países que anteriormente apoiavam a medida indica que a influência dos EUA pode resultar na paralisia completa do documento no curto prazo.

*Redator: Solon Saldanha


Foto: Embaixador dos EUA na OEA, Leandro Rizzuto. Crédito: reprodução Poder 360

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