CORRESPONDENTE POLÍTICO | Alcolumbre esgotou a caixa de ferramentas?

Assim, absorvida a derrota, a ordem é tocar no que interessa daqui para a frente. E refazendo as pontes com Alcolumbre.
Última edição em maio 11, 2026, 09:25

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Passada a sua semana de 7×1 com as derrotas na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria, o governo agora confia fortemente no avanço das pautas de seu interesse no Congresso nos próximos dias. Especialmente por uma razão: acredita ter se esgotado a caixa de ferramentas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). As derrotas importantes que ele poderia impor ao governo eram essas duas. E elas não teriam trazido para Alcolumbre seus objetivos, pessoais ou políticos. Assim, absorvida a derrota, a ordem é tocar no que interessa daqui para a frente. E refazendo as pontes com Alcolumbre.

Master não parou, nem vai parar

Como dizíamos por aqui na sexta-feira (8), se havia na derrota de Messias uma conjugação para tentar travar o avanço das investigações sobre o Banco Master, tal conjugação deu com os burros n’água. Esse avanço não depende nem um pouco de Davi Alcolumbre instalar ou não a CPMI do Banco Master. A investigação sobre Ciro Nogueira (PP-PI) demonstrou isso claramente. O palco desse avanço não será uma comissão no Congresso.

Dosimetria pode ter saido pela culatra

Dosimetria pode ter saido pela culatra
PL da Dosimetria deve cair no SupremoCrédito: Joédson Alves/Agência Brasil

No caso da derrubada do veto ao PL da Dosimetria, isso já era algo precificado pelo governo. Lula já sabia que o veto seria derrubado desde o momento em que o fez. Mas há uma avaliação de que Alcolumbre teria cometido um erro. Ao fatiar o veto para evitar os erros na formulação do PL que permitiam redução de penas para outros crimes além daqueles cometidos pela turma do 8 de janeiro, Alcolumbre teria cometido uma irregularidade. O que o Congresso poderia ter feito era manter ou derrubar o veto. Fatiar teria sido legislar de novo, criar nova lei.

O Supremo deve derrubar

Diante disso, a avaliação do governo é que o Supremo Tribunal Federal (STF) irá derrubar a manobra feita por Alcolumbre. Nesse sentido, Alexandre de Moraes já determinou no sábado (9) a suspensão de qualquer efeito até que o plenário do STF julgue. Com isso, a situação dos condenados no 8 de janeiro – inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro – vai continuar a mesma.

Novo PL

Pode até ser que se tente redigir um novo projeto de lei a respeito das condenações anti-democráticas para corrigir os problemas que havia no texto de Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Mas isso irá implicar reiniciar todo o esforço de tramitação novamente. Master e outras preocupações podem adiar.

Retorno

Diante desse quadro, Davi Alcolumbre já deu os primeiros sinais de que agora deseja reconstruir suas pontes com o governo. Não seria a ele conveniente desde já embarcar de vez na canoa da oposição representada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até porque mesmo a Federação União Progressista já fez isso.

Ciro e Rueda

No caso da federação, não é somente Ciro Nogueira que pode se chamuscar com as relações com o Master. Ela também pode atingir o presidente do União Brasil, Antônio Rueda. O escritório de advocacia de Rueda recebeu R$ 6,4 milhões do banco. Flávio avalia até que ponto valerá a pena aproximar-se.

Agenda

O governo avalia que a agenda futura mais próxima no Congresso lhe seja agora favorável. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), estima conseguir aprovar o fim da escala 6×1 ainda neste mês de maio. Aprovada na Câmara, não deverá sofrer maior resistência no Senado. Há aí conexão de interesses.

Terras Raras

O projeto que regulamenta a exploração das chamadas “terras raras”, aprovado na Câmara, avança para o Senado, e a expectativa é de rápida aprovação lá também. A regulamentação da exploração das terras raras foi um dos temas da conversa do presidente Lula com o presidente dos EUA, Donald Trump.

STF

Finalmente, avalia-se que Alcolumbre não derrotaria Lula novamente em nova indicação para o STF. Especialmente se Lula, como já dissemos por aqui, agora escolher alguém com perfil mais distante de um amigão do peito, que passe a ideia de que está indo para a Corte somente para blindá-lo.


Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: Alcolumbre já não teria por onde atacar o governo | Lula Marques/Agência Brasil.

Sobre o autor

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Rudolfo Lago
Ex-diretor do Congresso em Foco Análise, é chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

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