Por Solon Saldanha*
Em apuração exclusiva, o ICL Notícias confirmou que assessores republicanos desembarcam em Brasília essa semana para tratar da exploração de minerais críticos em solo brasileiro.
O lobby do Partido Republicano para garantir o acesso às reservas brasileiras de terras raras acaba de ganhar um novo e decisivo capítulo. Informações obtidas em primeira mão pelo ICL Notícias revelam que uma delegação de assessores parlamentares dos Estados Unidos chega ao país nos próximos dias. A missão técnica, composta por integrantes sêniores da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, tem como foco central a segurança no suprimento de minérios essenciais para a indústria tecnológica e militar.
Disputa geopolítica e foco em Brasília
De acordo com os detalhes revelados pelo ICL, os enviados de Donald Trump trazem na bagagem o objetivo de mapear informações e articular interesses do partido no Congresso Nacional. A agenda está definida: na terça-feira, 5 de maio, o encontro com parlamentares brasileiros — entre eles o senador Nelsinho Trad (PSD) — focará estritamente em minerais raros. Já na quarta-feira, uma agenda paralela de assessores democratas tratará de segurança e combate a facções criminosas. Ou seja, da porta legal que estão tentando abrir para que possa ocorrer intervenção armada externa em nosso território, se eles acharem por bem fazer isso.
Em termos de terras raras o interesse estratégico não é por acaso. Enquanto os Estados Unidos detêm apenas 2,1% das reservas mundiais e lutam para reduzir a dependência da China, o Brasil desponta como peça-chave no tabuleiro global. O país concentra 23% das reservas conhecidas de minérios raros, apesar de nossa produção atual ser irrisória, representando menos de 0,1% do mercado global.
Pressão econômica e soberania
A revelação do ICL Notícias ocorre no rastro de movimentações financeiras de grande escala. Recentemente, a mineradora norte-americana USA Rare Earth adquiriu o projeto Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões. A operação conta com pesados subsídios do governo Trump, que injetou US$ 1,6 bilhão na companhia para assegurar que as cadeias de suprimentos não dependam de outras potências estrangeiras.
Apesar da ofensiva norte-americana, o tema gera resistência no governo Lula. O presidente tem subido o tom contra o que classifica como um movimento de “colonialismo” sobre os recursos naturais do país. Brasília já havia recusado anteriormente uma proposta de aliança exclusiva com Washington que obrigaria o fornecimento de minérios ao mercado dos EUA, reforçando o impasse diplomático que agora ganha novos interlocutores com a chegada da missão republicana.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Planta da Serra Verde, em Goiás. Crédito: divulgação da empresa




