Copom reduz Selic para 14,5% ao ano em meio a incertezas globais

Última edição em abril 30, 2026, 12:04

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Gabriel Galípolo - Imprensa Senado

Por Solon Saldanha*

Comitê de política monetária mantém ritmo de queda gradual dos juros básicos, mas alerta para o distanciamento da inflação em relação às metas estabelecidas.


O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central oficializou, nesta quarta-feira (29), a redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando os juros básicos em 14,5% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade pelos seis membros presentes, confirma a postura conservadora da autoridade monetária frente à revisão para cima das projeções inflacionárias e à instabilidade geopolítica no Oriente Médio.

Cenário econômico e projeções

A autoridade monetária elevou a estimativa de inflação para 2026 de 3,9% para 4,6%, enquanto a projeção para 2027 está em 3,5%. O movimento acompanha a aceleração recente de índices como o IPCA-15, pressionado pelos preços de alimentos e combustíveis, e a manutenção do petróleo tipo Brent acima de US$ 100.

O comitê destacou que o cenário global permanece incerto, citando a decisão do Fed (Federal Reserve) de manter os juros americanos entre 3,5% e 3,75% ao ano. No mercado interno, embora o dólar tenha apresentado queda, sendo cotado abaixo de R$ 5, as expectativas colhidas pelo boletim Focus apontam para um IPCA de 4,86% em 2026, patamar que supera o teto da meta de 4,5%.

Desfalques no colegiado

A reunião ocorreu com a ausência de três diretores. As pastas de política econômica e de organização do sistema financeiro seguem vagas desde o fim dos mandatos de seus titulares em 2025, aguardando novas indicações do governo federal. Além disso, o diretor de administração não participou do encontro por motivos de luto familiar.

O colegiado deve se reunir novamente nos dias 16 e 17 de junho para reavaliar a conjuntura econômica e definir os próximos passos da política monetária brasileira.


* Solon Saldanha, jornalista e escritor

Foto: Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Crédito: Imprensa do Senado

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