Por Solon Saldanha *
Diálogos interceptados sugerem pagamentos de até R$ 3 mil por apoio político. Prefeita, seu marido ex-secretário estadual no Governo Leite e o vice prefeito estão entre os alvos.
A Polícia Federal deflagrou, na sexta-feira (24), a Operação Ambitus Sidum para apurar indícios de corrupção eleitoral no Vale do Taquari. A investigação foca em supostos pagamentos autorizados por candidatos que variam de R$ 600 a R$ 3 mil em troca de suporte nas eleições de 2024. Entre os investigados estão a atual prefeita de Estrela, Carine Schwingel (União Brasil), o vice-prefeito Márcio Malmann (Podemos) e o ex-secretário estadual Carlos Rafael Mallmann.
As provas, compartilhadas a partir de desdobramentos de operações anteriores, incluem mensagens que indicam promessas de bens materiais, como mesas de bilhar, e valores em espécie para cooptar eleitores e candidaturas ao legislativo. Outra frente da PF apura a nomeação de aliados em cargos de confiança no município vizinho, Cruzeiro do Sul, mediante a transferência de domicílio eleitoral para beneficiar a chapa em Estrela.
Favorecimentos e recursos não declarados
Além do repasse direto de dinheiro, o inquérito apura o uso da máquina pública para furar filas de exames de saúde, fornecimento de materiais de construção e concessão irregular de benefícios sociais. Há também suspeitas de falsidade ideológica eleitoral devido à utilização de recursos não declarados na prestação de contas (caixa dois).
Carlos Rafael Mallmann, marido da prefeita, já havia deixado o cargo de secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado em 2025 após ser citado em outra investigação sobre lobby em licitações. Em nota, a prefeita Carine Schwingel negou irregularidades, afirmando que suas contas de campanha foram aprovadas e que, na época do pleito, não exercia cargo público que permitisse a concessão de favores administrativos.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Carine Schwingel. Crédito: divulgação AMVAT




