Por Solon Saldanha *
Em visita à Guiné Equatorial, pontífice defende a dignidade humana em centros de detenção e cobra maior compromisso com o bem comum em um dos regimes mais fechados do continente.
O Papa Leão 14 encerrou nesta quarta-feira (22) sua jornada por quatro nações africanas — que incluiu passagens pela Argélia, Camarões e Angola — com um forte apelo contra a desigualdade de renda. Em solo da Guiné Equatorial, país rico em recursos petrolíferos mas marcado por disparidades sociais, o líder da Igreja Católica exortou os fiéis e governantes a priorizarem o coletivo em detrimento de interesses particulares.
A passagem do pontífice pelo país também incluiu gestos de teor humanitário e político. O Papa visitou uma unidade prisional de alta segurança, alvo de frequentes denúncias de organismos internacionais por abrigar presos políticos em condições precárias. Diante dos detentos, Leão 14 afirmou que a justiça só é plena quando respeita o potencial e a dignidade de cada indivíduo.
Impacto diplomático e mobilização popular
O posicionamento do Papa ocorre em um momento de tensões diplomáticas, dadas as suas críticas recorrentes à política externa e migratória dos EUA, sob a gestão de Donald Trump. A Guiné Equatorial mantém acordos de recepção de deportados com Washington, ponto que acentua o peso das declarações papais sobre direitos humanos na região.
Em Mongomo, cerca de 100 mil pessoas se reuniram para uma missa na Basílica da Imaculada Conceição. A celebração foi acompanhada pelo ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder desde 1979. Mesmo diante da cúpula do governo, o pontífice não recuou na defesa dos desfavorecidos, encerrando um roteiro de 18 mil quilômetros que reafirma sua agenda voltada às periferias do mundo.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Papa Leão 14 na Guiné Equatorial. Crédito: reprodução Canção Nova




