Por Solon Saldanha *
A equipe econômica do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) articula um ajuste fiscal centrado na desvinculação de recursos constitucionais para áreas essenciais. A proposta estabelece que os investimentos em saúde e educação, além dos reajustes de aposentadorias e do BPC, deixem de acompanhar o crescimento das receitas ou do salário mínimo, passando a ser corrigidos estritamente pela inflação. Na prática, a medida interrompe o ganho real de renda para milhões de brasileiros e reduz a participação do Estado no financiamento de serviços públicos básicos.
O programa econômico da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro foca em uma reforma estrutural que visa reduzir o déficit público em dois pontos percentuais do PIB. Para atingir essa meta, a estratégia principal é a desindexação de despesas obrigatórias. Atualmente, a Constituição exige investimentos mínimos de 15% da receita líquida em saúde e 18% em educação. O plano do senador pretende substituir esses percentuais fixos por uma correção baseada apenas no índice inflacionário, o que congelaria o poder de compra e a atuação dessas pastas a longo prazo.
Previdência e assistência social sob pressão
Outro pilar da proposta atinge diretamente a base da pirâmide socioeconômica: a separação entre o reajuste do salário mínimo para trabalhadores ativos e os benefícios pagos pelo INSS e pelo BPC. Se implementada, a medida impedirá que aposentados e pessoas com deficiência recebam aumentos reais, mantendo seus rendimentos estagnados enquanto o custo de vida e o envelhecimento populacional pressionam as necessidades individuais.
Privatizações e “tesouraço”
Além do ajuste nas contas sociais, o pré-candidato defende uma agenda de desestatização agressiva, sinalizando a venda de até 95% das empresas públicas brasileiras. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, reforça que o atual modelo econômico é insustentável e defende a necessidade de revisitar as reformas trabalhista e previdenciária para aprofundar cortes de gastos, classificados por Flávio Bolsonaro como um “tesouraço”.
Consequências para os mais necessitados
Embora a equipe técnica argumente que a medida traria uma economia de R$ 1,1 trilhão em dez anos para os cofres públicos, o custo social recai sobre as camadas mais frágeis. A manutenção do valor dos benefícios apenas pela inflação, sem ganho real, tende a ampliar a desigualdade, uma vez que a cesta de consumo das famílias de baixa renda é mais sensível à oscilação de preços de itens básicos, como alimentos e energia, que muitas vezes superam os índices oficiais de inflação.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Ilustração: Flávio Mãos-de-Tesoura. Crédito: redes sociais do PL




