Unidade progressista no RS: tradição, projeto e estratégia eleitoral

Última edição em abril 7, 2026, 11:54

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Frente Ampla Gaúcha - Imagem gerada por IA ChatGPT

Uma tradição de alianças que produziram avanços concretos

A história política do Rio Grande do Sul e do Brasil demonstra que, quando as forças progressistas, democráticas e trabalhistas caminham unidas, o povo gaúcho conquista avanços civilizatórios fundamentais. A aliança entre PDT, PT, PSB, PCdoB, REDE, PV e PSOL representa o reencontro de trajetórias que historicamente se opuseram à direita e ao modelo neoliberal, reafirmando que o Estado deve ser o motor da justiça social.

Essa unidade foi a base que permitiu chegar ao Palácio Piratini em três momentos emblemáticos: com a coragem de Alceu Collares, a ética participativa de Olívio Dutra e a visão desenvolvimentista de Tarso Genro. Em cada um desses governos, o foco foi combater as desigualdades e garantir que o patrimônio público servisse aos interesses da maioria.

Educação e Estado: o eixo histórico da convergência

Ao longo das décadas, os partidos progressistas se aproximaram nas lutas em defesa do fortalecimento do Estado e na construção de políticas sociais robustas. Um dos maiores símbolos dessa convergência ocorreu na área da educação e da ciência, com a criação da UERGS, a partir de projeto apresentado por Beto Albuquerque e sancionado no governo de Olívio Dutra.

Há uma linha de continuidade histórica que conecta as Brizoletas e os CIEPs de Leonel Brizola à expansão do ensino superior público no estado. Trata-se de uma concepção de Estado que educa, emancipa e estrutura oportunidades.

A experiência nacional: expansão e inclusão social

Essa sintonia também se expressa no plano nacional, onde essas forças atuaram conjuntamente nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Nesse período, ocorreu uma expansão sem precedentes das universidades federais e a criação dos Institutos Federais de Educação.

Essas políticas permitiram a inclusão de amplos setores populares no ensino superior, alterando a composição social das universidades e fortalecendo o desenvolvimento regional. Mais recentemente, essa mesma unidade foi decisiva na defesa da democracia diante de ameaças autoritárias, reafirmando a centralidade do voto popular e das instituições.

Resistência ao desmonte e defesa do setor público

A atuação conjunta também foi determinante na resistência a medidas como a reforma trabalhista, a reforma previdenciária e propostas de reforma administrativa. Ainda que nem todos os retrocessos tenham sido evitados, essa articulação funcionou como barreira parcial ao desmonte do Estado.

O desafio permanece: evitar a retomada de uma agenda neoliberal que fragilize direitos e reduza a capacidade estatal de indução do desenvolvimento.

Estratégia política: projeto antes de nomes

No cenário atual do Rio Grande do Sul, a questão central desloca-se para o plano estratégico. A tradição política ensina que projetos devem preceder candidaturas. A definição de um programa comum — e não a disputa imediata por protagonismo — tende a ampliar a coesão e a eficácia eleitoral.

Nesse sentido, a hipótese de uma composição que envolva concessões táticas, como a eventual liderança de chapa por parte do PDT, pode ser interpretada como movimento voltado à maximização do campo progressista, tanto na disputa estadual quanto no reforço das bancadas federais.

Aliança como instrumento de reposicionamento político

Uma frente ampla consistente no estado também possui implicações simbólicas relevantes. A eventual reconfiguração de alianças — incluindo reposicionamentos partidários — pode sinalizar ao eleitorado uma inflexão programática clara, especialmente em relação ao enfrentamento do modelo neoliberal.

Ao mesmo tempo, a disposição de partidos historicamente centrais, como o PT, em flexibilizar posições pode contribuir para reduzir percepções de isolamento político e ampliar a capacidade de agregação.

Unidade como condição de viabilidade eleitoral

A consolidação de um bloco democrático e trabalhista no Rio Grande do Sul aparece, portanto, como condição para a construção de uma alternativa competitiva. Mais do que uma escolha tática, trata-se de uma decisão com implicações estruturais: articulação nacional, fortalecimento legislativo e definição de um projeto de Estado.

Em contextos políticos fragmentados, a unidade tende a funcionar como ativo estratégico decisivo.


Ilustração da capa: Frente Ampla Gaúcha – Imagem gerada por IA ChatGPT

Sobre o autor

Jairo Boelter
Jairo Boelter
Professor universitário, petista e sindicalista.

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