Por Solon Saldanha *
Lideranças regionais ignoram pré-candidatura oficial do partido à Presidência e priorizam alianças locais com o governo federal.
A oficialização de Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD à Presidência da República já enfrenta uma fragmentação interna na legenda. Dirigentes e governadores do partido nos nove estados do Nordeste têm ignorado o lançamento da candidatura própria, sinalizando a manutenção da base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sergipe e a fidelidade a Lula
O movimento de resistência é liderado de forma explícita pelo governador de Sergipe, Fábio Mitidieri. O chefe do Executivo sergipano comunicou ao presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que seguirá aliado a Lula, independentemente das movimentações de Caiado. Segundo nota da assessoria de Mitidieri, a decisão prioriza o “contexto local” e a “estabilidade institucional” dos projetos estaduais em parceria com o Governo Federal.
Cenário em Pernambuco
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra — recentemente filiada ao PSD após deixar o PSDB — também evita alinhar-se ao correligionário goiano. Lyra tem mantido uma agenda de proximidade com o Palácio do Planalto, evidenciada por frequentes agendas públicas ao lado de Lula e da primeira-dama, Janja da Silva.
Desafios para a legenda
O cenário expõe a dificuldade do PSD em nacionalizar a candidatura de Caiado em uma região onde o partido possui bases profundamente vinculadas ao governo atual. A falta de engajamento dos dirigentes nordestinos representa o primeiro grande obstáculo político para a coesão da sigla direitista no ciclo eleitoral de 2026.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Governadora Raquel Lyra. Crédito: reprodução Radar Político




