Há algum tempo, os técnicos de botânica da equipe de jardinagem do Distrito Federal precisaram salvar o buriti que dá nome à sede do governo. O buriti foi salvo. Doente, agora, está o palácio em frente a ele. A crise do Banco Master afastou completamente o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a vice-governadora Celina Leão (PP). Diante do recente rompimento do PL da base do Governo do Distrito Federal, não será surpresa se a vice-governadora sair candidata ao governo sem abrigar na sua chapa o governador como candidato ao Senado, como era o projeto desde o primeiro dia de mandato. Neste momento, o Buriti – o palácio, não a árvore curada – aguarda saber o que a essa altura fará Ibaneis.
Ibaneis correrá o risco sem foro?
Deixará o governo para uma candidatura a senador que começa a parecer perdida? Ou Ibaneis ficará no governo? Nesse caso, correndo o risco, de ficar sem foro privilegiado quando a cada dia surgem mais informações cabeludas sobre o Banco Master, enfrentando a situação? Ou sairá a deputado numa eleição a essa altura aparentemente mais fácil? Terá humildade para aceitar um cargo que parece mais baixo?
Celina tenta se descolar

Ibaneis e Celina: foram-se os tempos de abraços | Foto: Renato Alves/Agência Brasil
O agravamento da crise tem feito Celina tentar descolar sua imagem da de Ibaneis. Deu sinais nesse sentido na crise paralela agora com relação ao plano de saúde dos servidores do GDF. Mas como Celina irá conseguir se descolar de um governo que assumiu diversas vezes? Ibaneis foi, digamos, um “governador turista”. Viajou diversas vezes, de férias ou para outros eventos, deixando Celina por várias vezes no governo. Sem contar os 66 dias em que ela foi governadora com Ibaneis afastado do governo em razão do 8 de janeiro.
Temor
E era ele o rosto do banco nesse caso. E se Celina tenta se descolar do BRB, Ibaneis, da mesma forma, tenta se descolar das decisões relativas ao Banco Master, jogando tudo para o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa. Mas há com relação a Costa temor parecido com o que há com relação a Daniel Vorcaro.
Prisão
Há quem tema que, com a continuidade da prisão, o dono do Master faça um acordo de delação premiada. Numa linha parecida, há agora quem tema que Paulo Henrique Costa acabe preso. Costa manterá a linha de estabelecer que toda a negociação sobre o Master foi responsabilidade sua?
O banco do Flamengo
Celina poderá mesmo dizer que não tem responsabilidade quanto às eventuais mazelas da administração de Ibaneis? Pelo menos com relação ao BRB e ao Master, a avaliação é que, nesse ponto, ela conseguiria. No caso, a avaliação é que a relação com o Master foi totalmente voluntarista. Ibaneis tornou o banco o patrocinador do Flamengo, seu time de coração.
Exonerações
O grau de distanciamento entre Ibaneis e Celina pôde ser medido na semana passada depois que a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou o pacote de medidas para salvar o BRB. Ibaneis exonerou do GDF todos os indicados por deputados distritais que não votaram a favor do pacote.
Reversão
Então, segundo informações dos deputados, Celina telefonou dizendo que reverteria as exonerações assim que estivesse no governo. Nos bastidores, era o sinal claro de que o governador e a vice já não caminham no mesmo sentido quando aos seus planos políticos e eleitorais. Resta saber como poderão seguir por trilhas diferentes.
Sem Ibaneis
Pela legislação, se Ibaneis permanecer no governo, ela pode disputar o cargo de governadora sem se desincompatibilizar da vice. Ela só não poderia em momento algum assumir o governo. Mas cada vez mais se desenha a ideia de que a chapa de Celina terá Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, para o Senado.
Outra chapa
O que poderia produzir a novidade completamente inusitada de o MDB produzir uma outra chapa contra a chapa de Celina. Um impressionante governo contra governo. Mas o PL também já andou testando Bia Kicis para o governo ante a possibilidade de não haver composição com Celina.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: O buriti foi salvo. Anda doente o palácio | Lucio Bernardo Jr/Agência Brasília




