Nesta tenda fria
com o chão gelado
que me alcança até os ossos
restos de um passado
definitivamente enterrado
me assaltam desprevenidamente:
minha tigela de mingau quentinho
meu pai contendo histórias
lápis de cor, música na sala
colo de mãe e todas as
melhores coisa da vida
sepultadas pelos bombardeios
que não param de nos matar.
Espremidos entre os destroços de Gaza
nossa debil sobrevivência agoniza mais um dia.
No Brasil é Carnaval e o mundo segue girando devagar.
Na tenda ao lado um bebê chora sem parar
nos lembrando do suplício que é viver assim.
A realidade agride, até, quem ainda
mora dentro da barriga da mãe
Foto de capa:Pnud/Abed Zagout





