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Bolsonaro aproveita embate com STF para anunciar entrevista com Elon Musk
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Aliados do ex-presidente disseminam suposta entrevista com proprietário da rede social X, em meio a embate com ministro Alexandre de Moraes O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve realizar uma entrevista com Elon Musk, proprietário da rede social X (ex-Twitter), neste sábado (13/04) às 21h30. Tal informação vem sendo disseminada por aliados do ex-presidente, como o deputado estadual Bruno Engler (PL), um dos principais aliados de Bolsonaro em Minas Gerais, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Recentemente, Ferreira mostrou interesse sobre a suposta ligação entre o ministro e o presidente e Musk sugeriu que vazaria os dados em breve. Mas, para isso ocorrer, teria que retirar os seus funcionários do Brasil. Pode-se dizer que a entrevista é um aceno da extrema-direita bolsonarista a Musk, em meio aos embates do bilionário com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) – na última semana, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que Musk está “acima de qualquer suspeita” por ser um eleitor do Partido Democrata nos Estados Unidos. O próprio Jair Bolsonaro divulgou em seu Facebook um vídeo de 2022 onde, ao lado de Musk, afirmava que o bilionário “é o mito da nossa liberdade”. Veja esse vídeo clicando aqui. Embate com STF O proprietário da rede social X se tornou alvo de inquérito aberto por Moraes na última semana por obstrução de justiça, ao afirmar que determinadas decisões da Justiça não serão cumpridas – vale lembrar que diversos aliados de Bolsonaro tiveram suas contas suspensas. Em meio a esse embate, o arquiteto David Ágape e o norte-americano Michael Shellenberger divulgaram o Twitter Files Brazil, onde diversos e-mails trocados entre funcionários da rede social de Musk supostamente indicam que decisões da Justiça brasileira resultaram na exclusão ilegal de conteúdos publicados na rede social. Diante disso, bolsonaristas têm defendido que o Brasil passa por um “período de censura” liderado pelo Judiciário, como se viu na última semana durante audiência da Comissão de Comunicação e Direito Digital (CCDD)que só contou com parlamentares da oposição. Tal posicionamento inclusive foi divulgado pelo bolsonarista Gustavo Gayer (PL) na última semana, quando uma comitiva de políticos apoiadores de Bolsonaro estiveram em atividade no Parlamento Europeu organizada por representantes da extrema-direita europeia. Na ocasião, Gayer afirmou que o caso Twitter Files Brazil confirma uma interferência do Judiciário e que, na verdade, o Brasil é uma “transdemocracia” – ou seja, “um regime ditatorial que se passa por democracia”.   Publicado em GGN. Foto: Clauber Cleber Caetano/PR    

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Seis novas terras indígenas podem ser homologadas ainda em abril
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Em entrevista, ministra Sonia Guajajara reconheceu ‘passivo muito grande de territórios’ que precisam ser reconhecidos A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara admitiu a existência de um “passivo muito grande” de territórios indígenas que precisam ser reconhecidos pelas autoridades. “Em um ano de governo, conseguimos homologar 8. Apresentamos 14 áreas no início do governo, prontas para serem homologadas”, afirmou a ministra. Como lembra o Brasil de Fato, as terras indígenas homologadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023 foram Arara do Rio Amônia (AC), do povo Arara, Kariri-Xocó (AL), do povo Kariri-Xocó, Rio dos Índios (RS), do povo Kaingang, Tremembé da Barra do Mundaú (CE), do povo Tremembé, Avá-Canoeiro (GO), do povo Avá-Canoeiro e Uneiuxi (AM), do povo Maku Nadëb. Uma nova rodada em setembro regularizou outras duas terras indígenas: Acapuri de Cima (AM) e Rio Gregório (AC). Outras seis terras indígenas devem ser reconhecidas ainda em abril, quando se comemora o Dia dos Povos Indígenas. “Estamos trabalhando para que ainda no final de abril possamos cumprir essa meta”, disse Sonia Guajajara em entrevista concedida na Inglaterra. Com esses seis territórios, o total de áreas indígenas legalizadas chega nas 14 regiões projetadas pela gestão Lula (PT) no início do mandato, em um total de mais de 8,4 mil km² — mais de cinco vezes a cidade de São Paulo (SP). Dados do Instituto Socioambiental (ISA) mostram que cerca de 30% das 676 terras indígenas do Brasil estão em etapas anteriores do processo demarcatório. A homologação é o processo final da demarcação. Feita por decreto presidencial, ela garante aos povos indígenas a posse permanente do território e o uso exclusivo dos recursos naturais, além de tornar o acesso a políticas públicas mais fácil e permitir a pacificação de disputas por meio da expulsão de invasores.   Publicado em GGN. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil  


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Saúde e Educação sob ataque!

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Saúde e Educação sob ataque!
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De PAULO KLIASS* As propostas de arrocho fiscal carregam consigo consequências muito mais graves do que simplesmente o discurso mentiroso e demagógico de buscar o tal do saudável equilíbrio das contas públicas. Via de regra, as medidas se concentram sobre a limitação e/ou a redução das despesas orçamentárias para que as receitas possam se igualar aos gastos na apuração final do resultado das contas da tesouraria governamental. Ocorre que a obsessão irracional com o corte em tais rubricas termina por prejudicar de forma aguda as contas das áreas sociais, dos investimentos públicos e dos salários dos servidores, dentre tantos outros setores estratégicos para a dinâmica econômica e social. Além de provocar redução de direitos legais e constitucionais, o viés pela austeridade também se revela como um tiro no pé da própria capacidade de se promover a recuperação da atividade econômica de forma mais geral. A teoria macroeconômica convencional reconhece a importância daquilo que até mesmo os manuais de orientação conservadora classificam como “multiplicador do gasto do governo”. Assim, uma eventual despesa do setor público em um determinado momento tende a se converter em elemento ativador da atividade econômica, gerando um aumento da demanda que certamente se transformará em geração de renda, de emprego e mesmo de tributos mais à frente. Ao insistir única e exclusivamente no corte de despesas, a política do austericídio termina por agudizar os aspectos recessivos do quadro da economia, além de poupar de forma injustificável as despesas financeiras de tal redução ou limite. Austeridade: saúde e educação na mira Isso foi o que ocorreu desse 2006, quando a dupla Temer/Meireles conseguiu introduzir no texto constitucional a chamada política do teto de gastos. A previsão é que durante longos 20 anos (2017 a 2036) o Brasil estaria impedido de aumentar as despesas orçamentárias para além das perdas inflacionárias. Uma loucura! Pois a política foi mantida até o final de 2022, quando a campanha de Lula para Presidente da República prometia a revogação da medida. Porém, a nomeação de Fernando Haddad para o Ministério da Fazenda alterou bastante as expectativas criadas para mudanças na política econômica para o terceiro mandato.  O novo ministro manteve a essência da política austericida, ao convencer Lula a enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar instituindo o Novo Arcabouço Fiscal (NAF). A estratégia para agradar ao povo do financismo era substituir o teto de gastos, ao invés de simplesmente revogá-lo. A obstinação com a disciplina fiscal manteve a política de contenção de despesas para alcançar os resultados nas contas federais. Assim, a austeridade nutela de Haddad continua impedindo o governo de cumprir as promessas de recuperar políticas públicas que haviam sido destruídas ao longo dos 6 anos anteriores, além de criar obstáculos concretos para que Lula consiga cumprir a promessa de realizar 40 anos em 4. Para tais projetos políticos, seria necessária uma reviravolta na contenção de gastos, uma vez que qualquer programa nacional de desenvolvimento envolve aumentos expressivos nas despesas públicas e nos investimentos estatais. O NAF impede tal movimento. Para agravar ainda mais a situação, o governo encaminhou uma proposta para o presente ano que pressupõe a meta de “zerar o déficit primário”. Isso significa que haverá preocupação apenas com contenção das chamadas despesas primárias. No dicionário do fiscalês, a definição de gastos primários refere-se apenas às rubricas não-financeiras. Assim, estão fora do cálculo todas despesas de natureza financeira, como as relativas ao pagamento de juros da dívida pública. Novo Arcabouço Fiscal e o fim dos direitos sociais Ora, como a NAF limita o crescimento das despesas em 70% da elevação das receitas, o fato concreto é que as políticas sociais ficam ameaçadas, assim como os investimentos públicos. No entanto, existem alguns grupos de gastos para os quais a própria Constituição preserva um patamar mínimo atrelado a algum tipo de indexação. As despesas previdenciárias, por exemplo, ficam atreladas ao valor da salário mínimo. As despesas de saúde e de educação, por seu turno, ficam atreladas a fórmulas envolvendo a receita tributária do governo federal. Assim, como a limitação das despesas gerais está dada com o novo teto do Haddad, a tendência é de permanecerem as disputas dentro do bolo geral dos gastos. Se ela não pode crescer mais de 70% do que crescem as receitas, haverá uma espécie de autofagia entre as despesas primárias. O governo, ao invés de revogar o equívoco que foi o NAF, desde então vem alimentando a imprensa com boatos e notícias de promover a eliminação dos pisos constitucionais de saúde e de educação. O Ministro da Fazenda ainda não se manifestou, pois sabe que o tema é muito sensível e caro às forças progressistas que ajudaram a derrotar Bolsonaro e eleger Lula mais uma vez em 2022. Porém, vários integrantes do segundo escalão da área econômica já falam há muito tempo abertamente de tal alternativa para acelerar o austericídio. Em março de 2023 o Secretário do Tesouro Nacional abriu a temporada de caça aos pisos constitucionais. Em setembro do ano passado, o governo resolve fazer uma consulta formal ao Tribunal de Contas da União (TCU) a respeito do tema. Uma atitude temerária, tendo em vista o comportamento daquele órgão, quando deu aval ao impeachment de Dilma Roussef, sob a falsa alegação das pedaladas fiscais.  Na sequência das ameaças aos pisos, em dezembro de 2023, o Secretário do Orçamento (subordinado de Simone Tebet, titular do Ministério do Planejamento) fez outra declaração favorável à retirada das garantias constitucionais para a saúde e para a educação. Finalmente no boletim de março recente, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) divulgou um boletim com dados e cálculos que justificam a necessidade de se promover a desvinculação constitucional dos pisos mínimos paras estas duas áreas sociais tão carentes e tão sensíveis. A cronologia acima preocupa bastante, pois demonstra uma intenção explícita em eliminar as conquistas. Lula precisa defender os pisos O argumento falacioso de que não existem recursos não se sustenta a uma primeira avaliação. Ao longo dos últimos 12 meses, o governo gastou exatamente R$ 747 bilhões a título de pagamento de juros da dívida pública. Trata-se de mais um recorde na série histórica apresentada pelo Banco Central em sua página. Não faz sentido dar um tratamento arrochado para os gastos de natureza social e liberar um volume como esse sem teto, sem limite sem contingenciamento para atender aos desejos dos detentores de títulos da dívida pública. Governar é estabelecer prioridades. Haddad, ao que tudo indica, já fez a sua a favor dos interesses do povo da banca. É fundamental que Lula assuma para si o comando estratégico de tais decisões de política econômica. Não é possível que, em nome de uma suposta obstinação de seu Ministro da Fazenda com as metas do austericídio tão querido à Faria Lima, o terceiro mandato termine por realizar o trabalho sujo que nem mesmo Joaquim Levy, Henrique Meirelles ou Paulo Guedes ousaram concluir. Os pisos da saúde e da educação não podem e não devem ser tocados! *Doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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O alinhamento estratégico de Lira, Musk e Bolsonaro

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O alinhamento estratégico de Lira, Musk e Bolsonaro
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De JEFERSON MIOLA* A guerra fascista aberta contra o STF e a democracia brasileira pode não ter sido combinada em todos seus detalhes, mas tem um alto nível de coordenação. É notório o alinhamento estratégico das iniciativas de Bolsonaro, Elon Musk e Arthur Lira para a retomada da ofensiva política da extrema-direita brasileira em articulação com o fascismo internacional. Em poucas semanas a conjuntura nacional deu várias cambalhotas. A perspectiva de condenação e prisão do Bolsonaro e do núcleo central de lideranças fascistas –civis e militares– nunca esteve tão tangível como a partir do avanço do inquérito sobre as tentativas de golpe de Estado e de ruptura institucional. Apesar disso, o bolsonarismo conseguiu sair da situação de defensividade política. A primeira e rápida reação para sair do canto do ringue político foi o ato de 25 de fevereiro na avenida Paulista, convocado “em defesa do nosso estado democrático de direito”, como Bolsonaro anunciou. “Mais que um discurso, uma fotografia para mostrarmos para o Brasil e para o mundo a nossa união, as nossas preocupações e o que nós queremos: deus, pátria, família e liberdade”, disse. O ato de 25 de fevereiro organizou o centro estratégico do combate da extrema-direita no plano interno e em articulação com a internacional fascista. A bandeira da anistia e a denúncia para o mundo da “ditadura judicial no Brasil” são os motores desta estratégia. A vitimização do multi-criminoso Bolsonaro como um “perseguido pelo sistema” alimenta a usina de narrativas mentirosas dos extremistas. Além de conseguir manter a matilha fascista permanentemente mobilizada e engajada, esta narrativa desacredita e deslegitima os processos criminais que deverão culminar na prisão dele pela tentativa de golpe de Estado e, também, por vários crimes, como o roubo de jóias e bens da União, a falsificação da carteira de vacinas, condução da pandemia e muitos outros. Nas últimas semanas, parlamentares e políticos bolsonaristas fizeram peregrinação nos EUA, na ONU, na OEA e participaram de encontros da ultradireita internacional [CPAC e outros] para disseminar esta versão delirante mundo afora. A entrada em cena de Elon Musk com o ataque à Suprema Corte faz parte deste roteiro orquestrado. O instituto Democracia em Xeque analisou a repercussão da ofensiva de Musk sobre o judiciário brasileiro e constatou que “houve uma articulação internacional coordenada, contando com a presença no Brasil” do jornalista ultradireitista Michael Shellenberger, “que divulgou e-mails internos trocados por funcionários do Twitter com questionamentos às determinações e às solicitações da suprema corte brasileira”. Shellenberger articulou suas denúncias a perfis da direita radical, “entre eles o do general norte-americano Mike Flynn e dos políticos André Ventura, [do partido Chega] de Portugal, e Santiago Abascal, [do partido Vox] da Espanha, que prontamente entraram na pauta, endossando os argumentos de Shellenberger e Musk”, afirma o relatório. O estudo identificou, “também, uma articulação coordenada de perfis brasileiros ligados à direita, em especial de parlamentares, que saíram em defesa de Elon Musk, com alegações de que Alexandre de Moraes e o TSE teriam ultrapassado limites durante o processo eleitoral de 2022. As lives realizadas no último fim de semana corroboram o achado. Em uma das lives, veiculada no canal de Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro aproveitou o espaço para convocar seus apoiadores para novos atos que ocorrerão em 21/04, no Rio de Janeiro”. O instituto Democracia em Xeque reconstituiu a cronologia da armação extremista e demonstrou o balé sincronizado dos atores envolvidos [relatório aqui], que começou com a inusitada provocação de Elon Musk [6/4] na última postagem feita pelo ministro Alexandre de Moraes na plataforma X/twitter em 11 de janeiro passado, há quase três meses. Ao clamor pela retomada da votação do PL 2630/2020, que institui a lei brasileira de liberdade, responsabilidade e transparência na internet, o presidente da Câmara Arthur Lira respondeu jogando no lixo o projeto e todo esforço de anos de discussão na sociedade e de tramitação no Congresso. No lugar da votação do PL no plenário, Lira criou um grupo de trabalho para embromar a discussão e manter livre o território do vale-tudo e da barbárie extremista nas plataformas digitais. A não-votação do PL 2630 é funcional para a estratégia daqueles que querem manter um ambiente livre e desimpedido para a continuidade da delinquência fascista na internet. Por outro lado, a ausência de regulamentação prejudica o governo, as instituições republicanas e a já debilitada democracia, que são alvos centrais desta guerra suja. O Arthur Lira sabe de tudo isso. E por isso mesmo ele age como age, alinhado estrategicamente a Bolsonaro, Elon Musk e à extrema-direita brasileira e internacional na guerra fascista contra a democracia. *Analista político. Artigo publicado originalmente no blog do autor. Ilustração: Aroeira. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Nas Olimpíadas da exclusão, só Sócrates nos salva!

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Nas Olimpíadas da exclusão, só Sócrates nos salva!
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Por SÍLVIA CAPANEMA*, de Paris Não é novidade o fato de que os jogos olímpicos de Paris têm se tornado, para os moradores da cidade e de suas diversas periferias, um evento bastante impopular. Obras intermináveis e atrasadas, poucas estruturas novas, úteis e duráveis para a população, aumento dos preços da moradia - que já são absurdos -, inflação,  encarecimento dos transportes e verdadeira sensação de "salve-se quem puder". Nesse sentido, o jornal 20 minutes, diário de distribuição gratuita no metrô de Paris, publicou recentemente um artigo irônico mas bastante revelador: “Especialista em sobrevivência explica aos parisienses como sobreviver durante as duas semanas dos jogos olímpicos” (edição de 20 de março de 2024). Poucos são os parisienses e banlieusards (moradores da periferia) que terão condição de pagar o preço exorbitante dos ingressos para as olimpíadas, os transportes vão estar lotados e até interditados para os moradores, a sensação de exclusão é imensa. Ainda pode ser que as coisas mudem, mas o evento até agora não empolga ninguém, muito menos as classes populares.  No marasmo e desgosto geral sobre o tema, um momento pelo menos conseguiu mudar o placar: a inauguração da Rue Docteur Socrates, no coração da Vila Olímpica situada na cidade de Saint-Ouen, município de mais de 50 mil habitantes na periferia norte de Paris. O evento, no dia 30 de março passado, surgiu como um intervalo de festa e de conscientização política, em presença do irmão do jogador Sócrates, o ídolo Raí, que se tornou herói local depois de vestir a camisa do Paris Saint-Germain nos anos 1990. O prefeito de Saint-Ouen, Karim Bouamrane, emocionou os presentes com seu discurso trazendo lembranças de infância que idolatravam Sócrates na seleção de 1982, lembrando a luta do movimento da “democracia corinthiana” e as ameaças ainda recentes a todas as democracias e ao projeto de “igualdade, liberdade e fraternidade” com e emergência das extremas direitas pelo mundo. Filho de imigrantes argelinos, Karim lembrou ainda a sua infância nas moradias sociais da periferia francesa, que eram, segundo ele, não muito diferentes das favelas brasileiras. Claro que a vila olímpica está longe de ser uma solução para a crise da moradia, com um M₂ caríssimo e apenas pouco mais de 15% dos apartamentos destinados a se tornarem « moradia social » de qualidade, mas pelo menos a mensagem passada foi forte, legítima, as intenções são positivas.  No palco, também estavam presentes Marcelo Freixo, presidente da Embratur, o tetracampeão Raí, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Paulo Teixeira e o embaixador do Brasil na França, Ricardo Neiva Tavares. Uma exceção à hegemonia masculina (futebol não é mesmo um espaço onde a paridade de gênero vigora), foi a presença da ministra dos esportes Amélie Oudéa-Castéra. Ela, que é muito contestada pelos movimentos sociais e sindicatos na França, com passagem relâmpago no ministério da educação por privilegiar as escolas particulares de elite, lembrou a bela amizade do presidente Lula e de Macron em visita recente ao Brasil. Podemos evocar aqui rapidamente Roland Barthes, em sua obra clássica Fragmentos de um discurso amoroso, já que sabemos que somente amar não basta, é preciso sempre “produzir provas de amor”, tal qual a mensagem passada pelo recente ensaio fotográfico Lula-Macron no Brasil.  O filho de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, Gustavo Vieira, também estava presente, bem como o ator Antônio Pitanga, homenageado do festival de cinema brasileiro da associação Jangada que acontecia no mesmo período em Paris. Mas o bonito mesmo da festa foi a presença de dois representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, o Joba e a Neidinha (como são conhecidos no movimento), que vieram para o evento convidados por Raí. No meio do público e dos habitantes, abriram uma bandeira vermelha de 4,5M X 5M, com uma imagem de Sócrates contornada pela identificação do “Campo de Sócrates Brasileiro, Escola Nacional Florestan Fernandes” e, abaixo, uma frase do jogador traduzida para o francês: “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia”. A bandeira gigante, carregada por alguns representantes da comunidade brasileira na França, por franceses e por membros de uma delegação das cidades de Jenin e de Tulkarem na Palestina, foi uma das mais marcantes presenças no evento, embora as mídias brasileiras pouco ou quase nada tenham mencionado sobre ela. Ali, atrás do estandarte, estavam representadas as camadas populares brasileiras, bem como grande parte da luta que consolidou, sem dúvida alguma, Sócrates como uma figura de reconhecimento internacional até os dias de hoje. Outra beleza, vista de longe e até dos bairros de Paris, foi o painel da artista RafaMon, com Sócrates Brasileiro (este é o nome composto dele), com camisa da seleção brasileira e de punho levantado, portando uma coroa de flores coloridas, trazendo, na cabeça, uma faixa onde se lê égalité, ao lado dos outros dois termos do emblema francês: liberté e fraternité. O painel, com um texto mesclando francês e português, dá boas vindas à cidade de Saint-Ouen, e está fixado em cima de um prédio alto, parte dos conjuntos habitacionais sociais da França construídos massivamente nos anos 1960 e 1970 nas periferias como meio de abrigar os grandes contingentes de trabalhadores nacionais e imigrantes. Belíssima obra de arte no espaço público. O prefeito Karim Bouamarane, fã de esporte e de futebol, marcou um golaço com a escolha do nome da rua, que diz ser a primeira a portar o nome do jogador no mundo. Na verdade, há outra via Doutor Sócrates em Ribeirão Preto, inaugurada em fevereiro, o que também é um reconhecimento ao brilhantismo e engajamento coletivo do atleta “doutor”, que se formou em medicina depois de deixar os campos. Infelizmente, Sócrates não está mais vivo, e até Raí já se aposentou do futebol, embora continue atuando majestuosamente com a sua associação “Gol de Letra”.  Nós, francesas, franceses, brasileiras e brasileiros na França, que lutamos pela Rue Marielle Franco e obtivemos o Jardin Marielle Franco inaugurado em Paris em 2019, não podemos esquecer que o futebol mundial e brasileiro em particular ainda é um campo frequentado pelo machismo, a homofobia, o autoritarismo, a violência contra a mulher, o sexismo, o racismo, a xenofobia e a intolerância, onde jogam “estrelas” atuais como Neymar e, até há pouco tempo, Daniel Alves e outros. Ainda será preciso trocar muitas placas de ruas e nomes de espaços públicos, substituir muitos “craques”, para lembrar que é no chão – e não nos palcos – onde estão o MST e o povo empobrecido, sem recursos, direitos, por vezes aniquilado e oprimido. É para lá que deviam projetar os holofotes das comunicações, em tempos olímpicos, de guerra ou de paz.  *Historiadora, professora na Université Sorbonne Paris Nord e parlamentar no Departamento de Seine-Saint-Denis, na periferia de Paris. Fotos: Arquivo pessoal da autora. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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A agenda das eleições municipais de 2024

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A agenda das eleições municipais de 2024
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De ELIS RADMANN* Tem sido corriqueiro o questionamento sobre a pauta das eleições municipais. A dúvida é sobre o tema que os candidatos devem dar atenção. Por mais que algumas agendas sejam comuns em vários municípios, não há receita de bolo! Cada município tem uma realidade conjuntural, estrutural e política e exige um olhar apurado para saber as dores e expectativas dos eleitores. Mas sempre dá para arrolar algumas premissas que precisam ser observadas para se traçar a tendência do município. Claro, não podemos esquecer que as pesquisas estratégicas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião têm a capacidade de compreender o humor do eleitor, mapeando: “aquilo que está bom e precisa continuar”, “o que está ruim e motiva a mudança” e o grande tema que gera expectativa, um candidato que “faça aquilo que ninguém fez”. É como se fosse a cereja do bolo, o elemento de retórica que separa o “joio do trigo”. As jornadas de pesquisa realizadas pelo IPO possibilitam a sistematização das principais premissas que motivam a análise do eleitor: a) Tendência de continuidade ou mudança: a primeira pergunta a ser analisada é qual a decisão atual dos eleitores: os indicadores de avaliação do atual Prefeito indicam que o seu trabalho é positivo ou negativo? Se a maioria disser que é positivo, temos a tendência de continuidade. Ao contrário, se a maioria disser que é negativo, está posta a mudança; b) A situação das entregas, do cumprimento das promessas da última campanha: Este indicador está associado à tendência de continuidade ou mudança. Se um Prefeito é bem avaliado, significa que ele está fazendo bem o tema de casa. E isso vale para Prefeito que vai à reeleição ou que está apoiando um sucessor. De uma forma geral, os grandes temas associados às entregas estão na saúde (na maioria dos municípios há o debate sobre atendimentos especializados, exames e cirurgias – que são responsabilidades compartilhadas com Governo do Estado, mas a conta fica com os Prefeitos) e zeladoria (cuidados com a cidade, com os bairros, em serviços de limpeza, ampliação da pavimentação, manutenção das ruas, iluminação, etc.). A situação climática tem aumentado o debate sobre a logística de combate a enchentes e alagamentos. Em muitas cidades esse tema será o ápice do debate e aquele que apresentar a melhor proposta de controle dos alagamentos, se for um candidato com credibilidade, poderá ter uma grande vantagem competitiva. c) A governabilidade: O eleitor olha para a capacidade de um Prefeito aprovar projetos na Câmara de Vereadores, para o número de CCs e para a atuação deles na cidade. d) A municipalização ou verticalização da polarização política nacional: Em algumas cidades, o debate nacional e a discussão Lula X Bolsonaro farão parte da agenda dos debates municipais. Esta prática tende a vingar nas cidades em que há candidaturas de esquerda e de direita com expressão eleitoral. Os municípios onde há programa eleitoral pela televisão e fortes bases de universidades e funcionalismo público, também tendem a estimular este debate. Em municípios menores, a influência da polarização se dará em torno de valores sociais e morais, tendo em vista que é possível que durante a pré-campanha haja o debate nacional sobre a legalização do aborto e do porte de drogas.  Neste momento parece que a eleição será morna, sem muitos contratempos. Mas a emoção ainda está por vir! *Cientista social e política. Fundadora do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião. Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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É lição de casa da imprensa esmiuçar os 50 dias de fuga dos presos de Mossoró

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É lição de casa da imprensa esmiuçar os 50 dias de fuga dos presos de Mossoró
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De CARLOS WAGNER* Se não fossem as penitenciárias federais, a criminalidade explodiria nos estados do Sul Qual é o tamanho do poder de fogo e das articulações políticas das grandes organizações criminosas no Brasil? Essas perguntas começaram a ser respondidas com a prisão, na última quinta-feira (4/4), dos dois fugitivos da Penitenciária de Segurança Máxima de Mossoró (RN). Rogério Mendonça, 36 anos, e Deibson Nascimento, 34 anos, dois líderes da facção Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, escaparam na madrugada de 14 de fevereiro, tornando-se os primeiros a fugir de um presídio federal. Foram capturados 50 dias depois, em Marabá, no Pará, 1,6 mil quilômetros distantes de Mossoró, depois de serem perseguidos por uma das maiores e mais bem equipadas forças-tarefas policiais já formadas no Brasil, integrada por 500 agentes, e que custou ao governo R$ 6 milhões, uma mixaria para os cofres públicos tendo em vista o que estava em jogo: a credibilidade do sistema carcerário federal de segurança máxima, que é composto por cinco penitenciárias, onde está presa a nata das organizações criminosas mais letais do país. E foi justamente pelo governo federal não ter poupado dinheiro e recursos humanos e materiais na busca dos fugitivos que os acontecimentos desses 50 dias representam uma enorme e importante quantidade de informações que precisam ser esmiuçadas para se ter uma ideia de com quem e com o que estamos lidando. Vamos a nossa conversa. No início do caso existiam duas teses para explicar as fugas: a primeira é que tinha sido organizada pelos líderes do CV. Portanto, teria a parceria de agentes carcerários. Nesse caso, as possibilidades da captura eram pequenas, porque certamente haveria um grupo de plantão no lado de fora da penitenciária esperando os fugitivos para tirá-los da região. A segunda tese era de que as fugas tinham acontecido graças ao somatório de uma série de falhas na execução dos protocolos de segurança da penitenciária que foram aproveitadas pelos dois experientes bandidos. Mendonça responde a 50 processos e já foi condenado a 74 anos de cadeia. Nascimento responde a 30 processos e está sentenciado a uma pena de 30 anos. Em 2023, os dois foram transferidos do Presídio Antônio Amaro Alves, em Rio Branco (AC), para a Penitenciária de Mossoró por terem liderado uma rebelião. No caso de ter acontecido essa segunda hipótese, a força-tarefa teria chances reais de recapturá-los, porque eles ainda estariam na região, tentando fugir. Falei sobre essas duas teses em 16 de fevereiro, no post Fuga dos presos de Mossoró afeta a credibilidade das penitenciárias federais? Uma semana antes da prisão, o Ministério da Justiça e Segurança Pública concluiu a investigação sobre a fuga e não encontrou envolvimento criminoso dos funcionários. Mas uma série de negligências no cumprimento dos protocolos da penitenciária. Em consequência da investigação foi demitido o diretor do presídio, Humberto Gleydson Fontinele. Resumindo: depois de fugirem, Mendonça e Nascimento estavam por sua conta. Como conseguiram sobreviver por 50 dias sendo perseguidos por uma força-tarefa policial de 500 agentes equipados com tecnologia de ponta e recursos econômicos ilimitados para cumprir a missão? Os especialistas apontam vários fatores para a longa sobrevivência dos fugitivos, vou destacar os que considero fundamentais. Começando pelo treinamento que Mendonça e Nascimento tiveram para se esconder de equipamentos de alta tecnologia, como drones, raios infravermelhos e outras parafernálias eletrônicas. Vou lembrar ao leitor que nos primeiros dias da fuga foi descoberto um buraco no chão, usado pelos bandidos para dormir à noite e não serem descobertos por drones equipados com raios infravermelhos. Como também para escapar dos agentes usando óculos de visão noturna. Eles não aprenderam como evitar serem detectados por esses equipamentos no Google. Já publicamos matérias mostrando que as organizações criminosas, como o CV, se valem de consultores, ex-militares e mercenários para treinar os seus quadros no uso das modernas tecnologias e também como escapar de serem descobertos pela parafernália eletrônica usadas pelos agentes da lei. Outro assunto que considero importante é o seguinte. Por tudo que publicamos nas duas primeiras semanas, os foragidos dependeram exclusivamente de suas capacidades físicas e intelectuais para sobreviver. A partir daí começaram a ser apoiados por uma rede de pessoas, dinheiro e equipamentos que os mantiveram protegidos. A rede de apoio foi organizada e mantida funcionando pela cúpula do CV. A polícia prendeu pelo menos 10 pessoas dessa rede. Aqui cabe uma reflexão. Acompanho essa organização criminosa desde a década 90, quando o seu líder maior, Luís Fernando da Costa, 57 anos, o Fernandinho Beira-Mar, estava foragido na cidade paraguaia de Capitán Bado, separada por uma avenida do município de Coronel Sapucaia, no oeste do Mato Grosso do Sul. Ele é um dos presos da Penitenciária de Mossoró. É de se perguntar. A rede que o CV usou para proteger os dois foragidos vai ser simplesmente desmontada? Já que, além de Beira-Mar, há outros líderes da organização presos em Mossoró. Muito embora essa fuga não tenha sido planejada, como indicam até agora as investigações, mostra que é possível escapar das cadeias federais. Lembro que há um bom tempo temos publicado nos jornais a descoberta de planos de fuga das cinco penitenciárias federais envolvendo líderes do CV e do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo. Nos dias atuais, as penitenciárias federais são uma grande solução que os governos dos estados têm para retirar dos seus superlotados sistemas penitenciários os chefões do CV, do PCC e das organizações criminosas locais. Se não fosse essa solução, a taxa de criminalidade nos estados do sul do Brasil explodiria. Portanto, se por um lado as penitenciárias federais são uma solução para os governos dos estados, elas são um problema para as organizações criminosas, que estão expandindo o seu poder diariamente. Por exemplo, a capilaridade do CV e do PCC em todo o território nacional e nas fronteiras com os países vizinhos tem sido garantida pela associação com os grupos locais de foras da lei. A imprensa não pode perder uma oportunidade de qualificar as informações que divulga sobre o confronto entre o governo federal e as organizações criminosas. Vejo uma oportunidade em adquirir esse conhecimento fazendo uma autopsia dos fatos que aconteceram durante os 50 dias em que os dois fugitivos de Mossoró conseguiram escapar de uma força-tarefa policial equipada com tecnologia de ponta e fartos recursos econômicos. *Jornalista e repórter investigativo. Publicado no blog do autor: Histórias Mal Contadas. Imagem: reprodução. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Elon Musk: visionário ou vilão?

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Elon Musk: visionário ou vilão?
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De ALEXANDRE CRUZ* Elon Musk, o autoproclamado "gênio" e "visionário", ostenta a alcunha de homem mais rico do mundo. Mas, sob a máscara de magnata tecnológico, esconde-se um narcisista megalomaníaco, disposto a subverter a ordem democrática em prol de seus próprios interesses. Em um mundo onde a influência digital é uma força cada vez mais poderosa, é essencial questionarmos quem detém o controle sobre as plataformas que moldam o discurso público. Ao adquirir a plataforma Twitter, rebatizado como X, Musk prometeu transformá-la em um "bastião da liberdade de expressão", mas seus atos revelam um projeto sinistro: a criação de um palanque para propagar desinformação, ódio e extremismo. Elon Musk, conhecido por sua posição proeminente no mundo dos negócios e tecnologia, agora se vê no centro de um debate crucial sobre o poder e a responsabilidade dos bilionários em nossa sociedade. Sua fortuna colossal supera o PIB de mais de cento e cinquenta países, o que, por si só, já seria motivo para reflexão. No entanto, as preocupações com Musk vão além de sua riqueza impressionante. Sua conduta questionável, incluindo sua resistência a pagar impostos e sua postura desafiadora em relação às leis e regulamentos, levanta sérias dúvidas sobre sua idoneidade como um líder influente. A situação se torna ainda mais alarmante quando consideramos suas declarações recentes, que ecoaram um tom preocupante de autoritarismo. Ao sugerir que o Brasil deveria lidar com figuras do judiciário como Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Elon Musk demonstrou um desrespeito flagrante pela democracia e pelo Estado de Direito. O caso escancara a perversidade do projeto de Musk. Ele pretende utilizar o X, ex Twitter, como ferramenta para manipular a opinião pública, fragilizar a democracia e promover seus próprios interesses. É o mesmo que bilionário que esteve envolvido no golpe contra Evo Morales, na Bolívia. É inaceitável que uma figura tão controversa e influente tenha controle sobre uma plataforma tão crucial para o debate público como o X. As recentes ameaças de reativação de contas bloqueadas pela justiça brasileira são um claro exemplo do perigo que isso representa para a nossa sociedade. Diante desse cenário preocupante, é imperativo que medidas sejam tomadas para garantir que o poder não fique concentrado nas mãos de poucos. A determinação do STF em impor multas à empresa de Musk em caso de desobediência é um passo na direção certa, mas mais ações são necessárias para proteger a integridade de nossas instituições democráticas. Além disso, a instauração de um inquérito para investigar as condutas dele em relação a crimes graves, como obstrução de justiça e incitação ao crime, é um sinal claro de que ninguém está acima da lei, independentemente de sua riqueza ou influência. É hora de questionarmos quem realmente deve ter o poder de moldar o nosso discurso público e de garantir que os princípios democráticos sejam protegidos contra qualquer ameaça, seja ela proveniente de dentro ou de fora de nossas fronteiras. Elon Musk pode ser um visionário no mundo da tecnologia, mas suas ações recentes deixam claro que ele não está acima da crítica e que devemos permanecer vigilantes em relação ao seu impacto sobre a nossa sociedade. Em última análise, a verdadeira medida de um líder não é sua riqueza ou sua influência, mas sim sua dedicação aos princípios democráticos e ao bem-estar da sociedade como um todo. Musk pode ter alcançado grandes feitos no mundo dos negócios, mas ele ainda tem muito a provar quando se trata de sua responsabilidade para com a democracia e o Estado de Direito. A defesa da democracia exige o engajamento de todos. É preciso denunciar o autoritarismo e a manipulação de Elon Musk e seus seguidores. As instituições democráticas, como o STF, devem ser defendidas como pilares da nossa sociedade. Ao contrário do que apregoa o presidente argentino Javier Milei, defender a democracia não é coisa de comunista. É defender o direito à participação política, à liberdade de expressão e à igualdade de todos perante a lei. É garantir que o futuro não seja escrito por bilionários narcisistas, mas sim por cidadãos conscientes e engajados na construção de uma sociedade justa e plural. *Jornalista político. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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