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Coronel responsável por proteger Planalto no 8 de janeiro faz intercâmbio militar na Espanha
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Militar teve destaque ao bater boca com a PM do DF contra prisão de golpistas após ataque Enquanto generais e ex-ministros militares do governo Bolsonaro e o próprio ex-presidente tiveram que prestar contas à Polícia Federal nos últimos dias sobre uma suposta tentativa de golpe para manter Jair Bolsonaro no poder em 2022, o coronel responsável por chefiar o Batalhão da Guarda Presidencial do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023 está em viagem ao exterior a trabalho. Ele participa em Madri, na Espanha, de um curso de altos estudos militares por indicação do governo brasileiro e deve atuar como instrutor no país europeu. Trata-se de Paulo Jorge Fernandes da Hora, que chegou a ser filmado discutindo com a tropa de choque da PM do Distrito Federal sobre a prisão dos manifestantes golpistas que haviam depredado o Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro. Atualmente ele é um dos alunos da 21ª edição do Curso de Altos Estudos Estratégicos para Oficiais Superiores Ibero-americanos realizado no Ceseden (Centro Superior de Estudos da Defesa Nacional, em tradução livre), principal centro de formação das Forças Armadas da Espanha. Após o curso, ele deve atuar ainda como instrutor no centro. A reportagem tenta contato com o Ceseden por e-mail desde o fim de janeiro. Sem resposta do órgão, a reportagem contatou a embaixada da Espanha, que respondeu a algumas das perguntas. Questionada se o Ceseden tinha conhecimento sobre o episódio envolvendo o coronel brasileiro e porque aceitaram um militar que não impediu a depredação do Palácio do Planalto, a embaixada da Espanha respondeu que a seleção da turma do curso ocorreu dentro da "normalidade". "Essa seleção ocorreu dentro do funcionamento normal e ordinário dos programas de intercâmbio e treinamento entre os Ministérios da Defesa da Espanha e do Brasil, de acordo com a atual estrutura jurídica bilateral e sempre sob proposta do Ministério da Defesa do atual governo brasileiro", afirmou a embaixada por e-mail. Viagens pela Europa Criado com o objetivo de aprimorar a formação de militares de alta patente dos países iberoamericanos e permitir o compartilhamento de experiências entre eles, o curso é dividido em seis módulos sobre o sistema de Defesa espanhol e europeu, que incluem debates sobre "Planejamento de Defesa", "Cultura e Sociologia da Defesa", "Economia e Indústria da Defesa", "Situação mundial, relações internacionais e panorama estratégico geral", além de visitas a unidades das forças armadas espanholas e da guarda civil daquele país. A programação inclui pelo menos duas viagens pela Espanha, sendo uma delas para Salamanca, tradicional cidade universitária espanhola. La, os integrantes do curso participam de um seminário da Universidade de Salamanca que conta com a participação do Instituto de Defesa Nacional de Portugal. A turma do curso do Ceseden é formada por militares de alta patente (coronéis, generais, almirantes e capitães de navio) indicados pelos seus países por meio de uma parceria entre o Ministério da Defesa espanhol e os ministérios das defesas dos demais países da América Latina e Europa. Na edição deste ano participam 36 alunos, sendo militares da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru, Venezuela, Uruguai, República Dominicana, além de Portugal e Espanha. Também participam desta edição um diplomata espanhol e dois representantes da indústria de Defesa espanhola. O Ceseden não informou quem são. Prestígio para promoções A reportagem conversou com especialistas da área militar que veem a prática como um intercâmbio comum realizado entre países que adotam uma doutrina militar semelhante. "Estes tipos de cursos são normais entre forças armadas, para se ter troca de estratégias dentro de um mesmo espectro político. Eles são uma forma de indicar que um país é parceiro estratégico do outro", explica a professora aposentada da Unesp e pesquisadora do CNPq especialista na área militar, Suzeley Kalil. Segundo a especialista, ainda que possam ser solicitadas em qualquer etapa da carreira, é mais comum que este tipo de viagem de intercâmbio seja feito por coronéis ou tenentes-coronéis, que estão já no fim da carreira militar e buscam esse tipo de qualificação para ajudar a pleitear postos de generais. Pela programação do curso, as aulas são realizadas de 8h30 às 14h de segunda a quinta-feira e às sextas terminam as 13h. Além disso, estão previstas a participação dos alunos em foros de debate, conferências e colóquios, alguns na parte da tarde. No caso do coronel Paulo Jorge Fernandes da Hora a designação para o curso foi feita pelo comandante do Exército ainda em 2022 e foi mantida mesmo com os episódios do 8 de janeiro. Segundo a embaixada espanhola, o coronel foi nomeado para participar do curso pela Chefia de Assuntos Estratégicos do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas em 1 de junho de 2023, menos de seis meses depois do 8 de janeiro. O curso começou no dia 18 de setembro do ano passado e, segundo a embaixada da Espanha, está previsto que o coronel participe do curso durante todo o ano acadêmico. O Exército, por sua vez, não informou quanto tempo ele ficará na Espanha Paulo Jorge foi designado para atuar como instrutor do Ceseden após o fim do curso. A embaixada da Espanha, porém, não explicou como se dará essa atuação. A reportagem questionou ao Exército brasileiro o motivo de Paulo Jorge ter sido enviado à Espanha. Em resposta, a Força apenas mencionou que ele foi designado para participar do curso no país europeu por uma portaria do Comandante do Exército de 20 de junho de 2022, sem dar detalhes sobre a escolha. A reportagem também questionou o Ministério da Defesa sobre a escolha dele mesmo após a depredação ocorrida no 8 de janeiro. A pasta, porém, solicitou que a demanda fosse encaminhada ao Exército. Militar teve que se explicar à CPMI Se no Exército Paulo Jorge conseguiu seguir sua carreira sem percalços após o 8 de janeiro, fora dele o militar precisou se explicar sobre o bate-boca que teve com a tropa de choque da PM do DF, acionada para prender os manifestantes depois que os prédios da Praça dos Três Poderes haviam sido depredados. A CPMI do 8 de janeiro cobrou explicações do militar que, em ofício, afirmou que a discussão teria se dado pelo fato de a PM do DF ter lançado bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral depois que os manifestantes já estavam controlados no Palácio do Planalto. "Após a situação ter sido controlada no interior do Palácio, uma fração da Polícia Militar do Distrito Federal adentrou às instalações sem coordenação prévia com o BGP, utilizando granadas de efeito moral e de gás lacrimogênio. Tal fato deflagrou uma discussão entre o Comandante do BGP e os policiais militares. Posteriormente, a situação foi contornada após um integrante do GSI ter informado que, por ordem do Ministro do GSI, a partir daquele momento, a PMDF passaria a realizar as prisões dos manifestantes que se encontravam no interior do Palácio", afirmou Paulo Jorge em ofício encaminhado à CPMI. O militar não figurou na lista das pessoas indiciadas pela comissão. A reportagem enviou perguntas ao coronel por meio da assessoria de imprensa do Exército, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para respostas. Matéria do Brasil de Fato Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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TSE restringe uso de Inteligência Artificial nas eleições de outubro
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Medida é para evitar circulação de fake news e montagens Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou nesta terça-feira (27) uma resolução para regulamentar o uso da inteligência artificial durante as eleições municipais de outubro. A norma proíbe manipulações de conteúdo falso para criar ou substituir imagem ou voz de candidato com objetivo de prejudicar ou favorecer candidaturas. A restrição do uso de chatbots e avatares para intermediar a comunicação das campanhas com pessoas reais também foi aprovada. O objetivo do TSE é evitar a circulação de montagens de imagens e vozes produzidas por aplicativos de inteligência artificial para manipular declarações falsas de candidatos e autoridades envolvidas com a organização do pleito. Os ministros também aprovaram na sessão desta noite diversas resoluções que vão balizar o pleito deste ano. Redes sociais Para combater a desinformação durante a campanha, o TSE vai determinar que as redes sociais deverão tomar medidas para impedir ou diminuir a circulação de fatos inverídicos ou descontextualizados. As plataformas que não retirarem conteúdos antidemocráticos e com discurso de ódio, como falas racistas, homofóbicas ou nazistas, serão responsabilizadas. Armas O TSE voltou a proibir o transporte de armas e munições no dia das eleições municipais de outubro. A restrição foi adotada na disputa presidencial em 2022 e será inserida na norma geral do pleito deste ano. Conforme a medida, quem tem porte não poderá circular nas ruas com armas e munições entre as 48 horas que antecedem o dia do primeiro ou segundo turnos e nas 24 horas posteriores. Transporte gratuito Em outra resolução aprovada, o TSE garantiu que os municípios deverão disponibilizar transporte público gratuito no dia do primeiro e segundo turnos. Artistas Após limitações da liberdade de expressão nas eleições passadas, os ministros decidiram que artistas e influenciadores poderão demostrar apoio a candidatos durante suas apresentações, desde que as manifestações sejam de forma voluntária e gratuita. Fundo de Campanha Sobre o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), os partidos deverão informar em suas páginas na internet o valor total recebido dos cofres públicos e os critérios adotados para distribuir as quantias para os candidatos. Matéria da Agência Brasil Imagem em Pixabay


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Genocídio em Gaza

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Genocídio em Gaza
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De LENEIDE DUARTE-PLON*, de Paris Nem as perseguições nem o sofrimento tornam os indivíduos ou os povos melhores Hannah Arendt "Os judeus de Israel, descendentes das vítimas de um apartheid chamado gueto, guetoísam os palestinos. Os judeus que foram humilhados, desprezados, perseguidos, humilham, desprezam e perseguem os palestinos. Os judeus que foram vítimas de uma ordem impiedosa impõem sua ordem aos palestinos… O povo eleito age como raça superior". Esta frase é do texto  Israël-Palestine : le cancer, do filósofo Edgar Morin, publicado em 2002 no Le Monde, assinado também por dois outros intelectuais, Sami Naïr et Danièle Sallenave. Instituições judaicas francesas tentaram condenar o judeu Edgar Morin na Justiça por "antissemitismo", mas Morin foi inocentado, depois de um processo polêmico durante o qual recebeu a solidariedade dos mais importantes intelectuais franceses. Este ano, aos 102 anos, Morin fez uma palestra na qual repetiu esta mesma ideia. O povo que foi vítima de Hitler realiza uma "carnificina" (un carnage) dos palestinos em Gaza, disse Edgar Morin. O que se passa em Gaza é um genocídio cometido por um povo que descende dos que escaparam ao genocídio nazista? A resposta é afirmativa, mesmo que a Corte Internacional de Justiça tenha sido cautelosa: dia 26 de janeiro de 2024 ela recomendou que Israel tome todas as medidas cabíveis para "prevenir um genocídio" na Faixa de Gaza. Isso não impediu que Israel continuasse os bombardeios. Quando, finalmente, as instituições internacionais e os governos ocidentais vão admitir que, sim, um genocídio está em curso em Gaza e a maioria dos governantes do mundo está desviando o olhar ? Neonazistas Poucos meses antes do 7 de outubro, o historiador israelense Daniel Blatman, especialista do nazismo e do genocídio dos judeus, em entrevista ao jornalista René Backmann, do site francês Mediapart, dizia que Israel estava vivendo a pior crise de sua história desde a criação do Estado, em 1948. Depois do incêndio por colonos israelenses, em 26 de fevereiro de 2023, da cidade palestina de Huwara, na Cisjordânia ocupada – como represália à morte de dois colonos e depois de vários enfrentamentos e atentados anteriores entre israelenses e palestinos – Blatman ousou fazer a comparação: os projetos políticos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahou lembram o fim da República de Weimar, com a chegada de Hitler ao poder. “Se homens como Bezalel Smotrich (ministro das Finanças) ou Yariv Levi, (ministro da Justiça) dirigissem grupos políticos hoje na França, na Alemanha ou em qualquer democracia ocidental, seriam considerados neonazistas. Eles não são de extrema-direita, estão muito além. Digo e insisto: são neonazistas”, enfatiza o historiador do nazismo. Os métodos dos neonazistas no poder em Israel para exterminar o povo palestino não são menos terríveis que os de Hitler para exterminar os judeus. No lugar de campos da morte, fechados e protegidos do olhar do mundo, os neonazistas de Israel jogam toneladas de bombas sobre civis desarmados, num território que era designado – desde  a declaração do bloqueio total, decretado por Israel em 2007 – como  “a maior prisão a céu aberto do mundo”. Os palestinos que escapam das bombas ou de serem soterrados nos escombros dos prédios em Gaza sofrem com a poluição do ar deixada por todos os componentes das bombas (algumas proibidas pelas leis internacionais), pela água totalmente poluída, pela falta de alimentos, de remédios e de atendimento médico. Os que não morrem pelas bombas são destinados a uma morte lenta por ferimentos, doenças epidêmicas, fome e sede. Em Gaza, todos os hospitais foram destruídos por Israel, inclusive o Hospital Nasser, que ainda funcionava ao sul, em Khan Younès, bombardeado neste mês. Nos ataques a hospitais, mais de 340 médicos e enfermeiros foram mortos e os doentes pereciam por falta de remédios e cuidados. Os nazistas não bombardeavam deliberadamente hospitais. Cento e trinta jornalistas foram assassinados em Gaza. Eles são alvo preferencial das forças militares que atiram sobre todo ser vivente. Como testemunhas oculares dos crimes, os jornalistas tornam-se indesejáveis por disseminarem imagens e informações incômodas, que podem ser utilizadas como provas do genocídio e de crimes contra a humanidade em tribunais internacionais. Por isso, é preciso afastá-los da cena do crime ou calá-los para sempre. Todos os dias, vemos manobras dos neonazistas que governam Israel para aniquilar de vez o povo palestino: acusação sem provas de que funcionários da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) participaram dos ataques do 7 de outubro e bloqueio no território israelense dos caminhões de ajuda humanitária com remédios e alimentos. Os caminhões se enfileiram para tentar passar a fronteira do inferno em que Gaza foi transformada. E cidadãos israelenses se interpõem para bloquear a passagem da ajuda humanitária internacional. Cumplicidade americana Os Estados Unidos, principal fornecedor de armas a Israel, participam ativamente do massacre do povo palestino. Uma carnificina que mata médicos, jornalistas, bombardeia hospitais, escolas da ONU, destruindo sob bombas edifícios, campos e infra-estrutura de cidades. Por onde passam os aviões de Israel a despejar toneladas de bombas americanas só restam ruínas. A extrema-direita que governa Israel não tem mais pudor em declarar que os palestinos têm que desaparecer das terras que os israelenses consideram suas usando a Bíblia como um livro de história e citando Deus como o proprietário anterior que lhes transmitiu a posse da terra. Todos os dias, os ministros de Netanyahou dizem explicitamente que os palestinos devem deixar a "terra prometida". Agora, segundo reportagem do Le Monde, passaram a organizar reuniões em Jerusalém para tratar do futuro de Gaza e da reconstrução das antigas colônias, transferidas por Ariel Sharon em 2005. Entrevistada pelo site Mediapart, a historiadora e antropóloga americana Ilana Feldman, mostrou-se cética quanto ao pós-guerra : "Não penso que a comunidade internacional abandonou seus velhos esquemas de pensar este conflito. Falar de uma ‘solução a dois Estados’ é insuficiente pois o governo israelense atual já foi claro sobre o fato de que não quer a criação de um Estado Palestino". Antes que a solução política definitiva seja encontrada é necessário o cessar fogo definitivo para proteger os civis palestinos do genocídio em curso. *Jornalista internacional. Co-autora, com Clarisse Meireles, de Um homem torturado – nos passos de frei Tito de Alencar (Editora Civilização Brasileira, 2014). Em 2016, pela mesma editora, lançou A tortura como arma de guerra – Da Argélia ao Brasil: Como os militares franceses exportaram os esquadrões da morte e o terrorismo de Estado. Ambos foram finalistas do Prêmio Jabuti. O segundo foi também finalista do Prêmio Biblioteca Nacional. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Ana Galvão – Heroína e esquecida

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Ana Galvão – Heroína e esquecida
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De ADELI SELL* Sabemos que morreu em combate na defesa da Colônia de Sacramento, como terra nossa, portuguesa, contra os espanhóis. Era 7 de agosto de 1680. Lembre-se que mesmo que naqueles tempos os espanhóis tenham dizimado os portugueses, Sacramento voltou a ser terra portuguesa, trocada depois pelas Missões com os mesmos espanhóis. Não se sabe como era ela, onde nasceu, que idade de fato tinha. Era muito jovem. Foi talvez a única mulher branca a seguir com tropas naqueles tempos. Casara com um jovem oficial, Manuel Galvão, que deveria seguir o governador da costa brasileira até a boca de Buenos Aires. Seu corpo, estraçalhado por baionetas ou espadas, foi colocado num manto e desceu à sua morada final, com respeito de todos por sua bravura. Salvaram-se, pelo que consta, apenas 12 portugueses, aprisionados e levados a Buenos Aires, entre eles o doente acamado governador. A ela pela bravura e combate foi dada a escolha da entrega e do perdão, porém lutou até o último suspiro, muito talvez para vingar a alma do marido morto, outro valente, segundo os relatos. Os textos sobre ela, sobre este episódio, são poucos, imprecisos. Há um interessante livro de Roberto Rossi Jung, Joana Galvão, pela Martins Livreiro-editor, de 2006. Recomendo. *Professor, escritor, bacharel em Direito, vereador em Porto Alegre. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Ela se chama Rodolfo – rastros de vias-crúcis

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Ela se chama Rodolfo – rastros de vias-crúcis
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De CÁTIA CASTILHO SIMON* “Quantos Murilos já terão morrido  desde que Murilo nasceu?” Julia Dantas Ela se chama Rodolfo é o segundo romance de Julia Dantas. Com ele, a escritora conquistou dois prêmios no RS, o melhor romance – livro do ano AGES/2023 e o Alcides Maya, da Academia Rio-Grandense de Letras. Ruína y leveza, primeira narrativa longa, foi finalista do Prêmio São Paulo, em 2016, quando tinha 31 anos de idade. A partir dessas considerações é correto supor que estamos lidando com uma romancista experiente e que sabe a que veio, mesmo antes de iniciar a leitura de seus livros.  Carola Saavedra apresenta o livro chamando a atenção para a frase que lhe dá início – “Era uma vez homem”, dizendo que talvez esse seja o fio que o alinhava. Pouco a pouco desvela-se um processo que nos desafia a seguir em frente e, qual o canto de sereia, nos atrai para águas profundas. Não há retorno possível. Moema Vilela, na contracapa do livro, nos fala da maestria de Julia em compor personagens e criar cenas perfeitas. Personagens de um cotidiano simples, que podem muito bem vizinhar conosco. A possível extinção das portarias com a presença física dos porteiros é um projeto em ampla difusão. Inclusive, vivo essa experiência sob protesto. Prédios substituem, na velocidade da luz, os porteiros pela portaria virtual. Pensam que estão economizando e aumentando a segurança, quando na verdade praticam o velho conceito de descarte do humano pela tecnologia. Ainda bem que eles ainda existem e Julia soube trazer um universo interior rico e verossímil, capaz de derrubar preconceitos quanto a capacidade humana das pessoas simples. Mas vamos ao livro. Murilo consegue alugar um apartamento diretamente com a proprietária Francesca, sem conhecê-la. Ao chegar no apartamento teve de fazer malabarismos para que a chave funcionasse. O incidente vai construindo uma expectativa que leva o leitor a pensar que o rapaz havia sido enganado. O próprio personagem cogita ter sido passado para trás. Salvo pela vizinha da porta ao lado, consegue adentrar na nova casa. Nela, encontra uma tartaruga e logo descobre ser macho e que se chama Rodolfo. Além de Murilo, Gabbriela, sua namorada que o abandonou para buscar experiências místicas, sua irmã Lídia, Rodolfo, Francesca e Camilo compõem a trama novelesca. Uma via-crúcis se impõe para Murilo que não quer ter sob sua responsabilidade o bicho de estimação da antiga moradora. Através de e-mails trocados, Francesca o orienta a buscar possíveis lugares e pessoas para cuidarem de Rodolfo. Através dessa intensa correspondência virtual inicia uma amizade entre eles. Suas conversas vão além da questão objetiva de encontrar um lar para a tartaruga, questões filosóficas e existenciais se desdobram. Murilo tem um prazo para alcançar seu objetivo, o de encontrar novos cuidadores para Rodolfo. Ele entrará em férias e irá ao encontro de Gabbriela para trazê-la de volta. Há muitos desdobramentos nessa missão e transformações irreversíveis na vida de Murilo e de todas as personagens. A via-crúcis para encontrar um protetor para Rodolfo em tempo hábil sendo orientado por Francesca através de e-mails aprofundam os laços entre eles. Desenreda mortes e vidas que se revezam. Descortina outras vias-crúcis. Desfaz-se o homem das inúmeras camadas construídas em sua formação. Um livro com grandes surpresas e revelações; coloca em xeque máscaras e armaduras, flagrando calcanhares de Aquiles íntimos e sociais. *Doutora em estudos de literatura brasileira, portuguesa e luso-africanas; Escritora e poeta. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com. Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia. 

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Isocracia – A sociedade democrática do Poder Popular

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Isocracia – A sociedade democrática do Poder Popular
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De LINCOLN PENNA* O vocábulo isegoria significa igualdade absoluta. Serve para definir direitos de toda espécie. De origem grega ela deriva de uma necessidade, a de dar conteúdo às várias descrições e maneiras de se fazer alusão à democracia. O mesmo ocorre em nossos dias, quando as inúmeras adjetivações, tais como democracia representativa, social, liberal, e tantas outras acabam por reduzir a democracia a um papel que retira o seu aspecto mais importante, qual seja, o do protagonismo do povo na direção das decisões que devem ser de seu interesse. Dela surgiu o termo isocracia ou o poder desse povo de fazer valer sua vontade coletiva, que nos tempos em que era possível reunir o povo para deliberar nem sempre tal expediente era possível. Hoje muito menos ainda, mas há como pensar nessa democracia direta. Alguns exemplos têm se multiplicado, embora sejam ainda bem isolados. A construção de uma sociedade isocrática, ou seja, de uma comunidade social em que a totalidade de seus indivíduos desfrute direitos efetivamente iguais, tenha acesso aos meios de decisão, e na qual a exclusão social inexista, talvez leve muito tempo. Não se encontra em nosso horizonte próximo. Mas, não é um devaneio nesses tempos de eventos extremos no instante em que só se pensa nos piores cenários para a nossa casa, a Terra. Tampouco configura uma utopia clássica, aquela do não-vir-a-ser. Ao contrário, estamos a assistir os primeiros resultados dos escombros do velho modo de vida, embora a gestação do novo não aconteça por completo senão daqui a algumas gerações. Os primeiros sintomas dessa nova ordem que deve vir à tona pela via da solidariedade entre os seres humanos, começam a dar seus sinais nas comunidades mais desassistidas das várias formações econômicas e sociais, sobretudo naquelas que se encontram no hemisfério Sul e que padecem da pobreza crônica quando não de condições de miserabilidade. Esse movimento de comunhão de verdadeiros cidadãos, não obstante não terem sua condição de cidadania plena em razão dos descasos dos poderes públicos exercidos por grupos econômicos e políticos das tão decantadas democracias representativas, que não as representam, exibem a força crescente movida ainda exclusivamente pela indignação. Há os que procuram no passado encontrar similitudes para que elas possam nortear os movimentos sociais e políticos a se baterem contra o poder que independentemente de suas representações partidárias acabam reforçando o estigma e as mesmas políticas ineficazes quanto à emancipação de inúmeros contingentes sociais à margem dos direitos básicos indispensáveis à vida. Os valores, as necessidades e as práticas sociais em geral são de outra natureza porque decorrem de novas e diversas conjunturas políticas ainda que fundadas em formações culturais sedimentadas faz tempo, razão pela qual este aspecto não pode ser desprezado. Assim, todas as teorias da história e as suas chaves explicativas em relação aos fatos e fatores que movem as sociedades humanas estão devidamente contextualizadas, dentre elas o marxismo, do qual eu e muitos historiadores e estudiosos de diferentes ramos do conhecimento lançam mão em suas análises. Conhecer o universo no qual foram produzidas essas leituras do mundo é de fundamental importância para que saibamos entender a necessidade de atualizar essas interpretações e não as tomar como ortodoxias a serem empregadas mecanicamente em realidades tão distintas. E quando cito o marxismo é para demonstrar que embora tenha surgido na contramão dos sistemas políticos vigentes, no exame do modo de produção capitalista, seus autores, Marx e Engels, não escaparam totalmente dessas culturas políticas muitas das quais de caráter autoritárias, a despeito da modernização em que se encontrava o mundo. A ideia de um poder centralizado a cargo de uma classe oriunda do mundo do trabalho, a classe operária, mesmo tendo a missão histórica de pôr fim a existência das classes de modo a preparar o caminho para o advento de uma sociedade sem classes, nos argumentos do raciocínio dos autores do materialismo histórico se encontrava a ideia do exercício do poder destinado a fazer com que todos tivessem acesso aos bens produzidos socialmente. É evidente que a ditadura do proletariado seria na concepção de Marx e Engels uma etapa de um processo findo o qual e suprimido o modo de vida então existente sob o poder das burguesias se iniciaria uma outra etapa. Esta se encarregaria de construir um modo no qual a produção seria comunitária e na qual a propriedade voltaria como nos tempos bem anteriores ao surgimento das sociedades de classes, a pertencer a todos. A volta à propriedade comunitária regida pelas necessidades que se fizessem presentes, num intercâmbio de produtos e ideias partilhadas em comum daria nascimento à verdadeira história da humanidade superando a sua pré-história. Nos nossos tempos e com o surgimento de uma tecnologia que coloca cada ser humano em imediato contato com os seus semelhantes não importam as distâncias, graças aos meios eletrônicos, tecnologia essa que deriva do avanço de uma revolução científica das mais velozes dos últimos tempos, a perspectiva de um modo de vida mais equânime longe de ter ficado mais distante tem favorecido as comunicações e uma intensa circulação de ideias e desejos. É nesse novo e assombros tempos da inteligência artificial que precisamos nos inteirar para dar impulso à necessidade maior, que consiste na integração de mudanças sociais que favoreçam os marginalizados articulada à luta pela preservação do meio-ambiente, dado que a questão ambiental é hoje em dia tão importante quanto a revolução social cada vez mais necessária. Permanece, não obstante, a questão central diante desse desafio de fazer unir o social e o ambiental em um só processo de modo a eliminar o mal que o modo de produção capitalista tem produzido na humanidade. A questão prevalecente é a contradição entre capital e trabalho. Por isso, no que diz respeito à revolução social ela precisa contemplar a emancipação do trabalho sem o que não poderemos conjugar essa unidade do social com o ambiental. A razão dessa impossibilidade é que não bastam reformas que mantenham o domínio do grande capital, responsável pela destruição das condições preservacionistas a afetarem a natureza. Logo, ou nos voltemos para essa dupla tarefa histórica ou nenhuma delas isoladamente será possível realizar. Pelo menos amplamente. Afinal, uma revolução social tal como Marx pontuou em sua obra implica na superação das lutas de classes. Mantê-las no esforço de debelar o aquecimento global, por exemplo, só é assim considerado pelos que entendem que o antropoceno aliado ao capitoloceno, não são os fatores responsáveis pelas mutações atmosféricas. É coisa da natureza, dizem. Na verdade, o modo pelo qual o ser humano age na destruição da natureza (antropoceno) em busca de vantagens imediatas é extremamente nocivo ao bem-estar humano, Da mesma forma que o capitalismo e sua lógica destrutiva (capitoloceno) opera na obsessiva corrida continuada da mais-valia ampliada. A continuar assim a humanidade não poderá garantir futuro para as próximas gerações. A tomada de consciência torna-se um fator indispensável para que ela venha a ser socializada de maneira a permitir a multiplicação de comunidades em condições de se organizar em seus redutos e ser capaz de mobilizar na certeza de que é dever de cidadania crer na possibilidade de mudar o mundo enquanto é tempo. *Doutor em História Social; Conferencista Honorário do Real Gabinete Português de Leitura; Professor Aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (MODECON); Vice-presidente do IBEP (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos). Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Os desafios da esquerda

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Os desafios da esquerda
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De PAULO NOGUEIRA BATISTA JR* Decifra-me ou te devoro   Esfinge de Tebas Em vários países do Ocidente e do Sul Global, inclusive no Brasil, a esquerda se defronta nas décadas recentes com desafios talvez sem precedentes – e não está se saindo bem, de uma forma geral. Com o passar do tempo, os desafios se avolumam e esquerda se debate sem sucesso contra eles. O Brasil, com Lula, até constitui uma exceção, mas apenas parcial. Estou me referindo, na verdade, à centro-esquerda, à esquerda moderada. A extrema esquerda não desempenha papel relevante. Em contraste, no campo da direita, os extremistas, apesar de alguns reveses importantes (notadamente as derrotas eleitorais de Trump e Bolsonaro), continuam fortes, ameaçando os partidos tradicionais de centro-direita e centro-esquerda.  O pano de fundo desses movimentos políticos é a crise da globalização neoliberal, iniciada ou agravada com o quase-colapso dos sistemas financeiros dos EUA e da Europa em 2008-2009. Essa crise financeira trouxe à tona um mal-estar generalizado da população dos países desenvolvidos com a economia e o sistema político. Os bancos privados foram socorridos com grande mobilização de recursos públicos enquanto a população endividada foi basicamente deixada à própria sorte. Cresceu o ressentimento, alimentando a eleição de Trump em 2016 e de outros políticos do mesmo naipe na Europa.  Esse mal-estar com a globalização é mais antigo e mais amplo do que a crise financeira de 2008. O que aconteceu nos últimos 30 ou 40 anos nos EUA e na Europa foi uma dissociação crescente entre as elites e o resto da população. A renda e a riqueza se concentraram nas mãos de poucos, os ricos ficaram mais ricos, ao passo que o grosso da população viu a sua renda estagnar ou retroceder. A confiança no sistema político desabou. Espalhou-se a percepção de que não há democracia, mas plutocracia – o governo dos endinheirados. Pior: ficou patente que o que prevalece é uma caquistocracia – o governo dos piores. A baixa qualidade da maioria dos líderes políticos ocidentais está aí, à vista de todos.  Esse declínio das lideranças do Ocidente reflete algo maior: o declínio do establishment dessas nações, crescentemente dominado pelo rentismo e pelo capitalismo predatório. Especulação financeira, privatizações destrutivas, fusões e aquisições, manobras de mercado de todo tipo substituem a produção e a geração de empregos de qualidade. A decadência parece bem evidente. Versões anteriores do establishment dos EUA teriam permitido que o eleitorado ficasse reduzido a escolher em 2024, como tudo indica, entre um presidente senil e um bufão irresponsável?  Não por acaso, a China, que nunca seguiu o modelo neoliberal, tornou-se “a fábrica do mundo” às expensas das indústrias do Ocidente. O Brasil, infelizmente, também caiu na armadilha da globalização e ainda não conseguimos dela escapar. Era inteiramente previsível. As elites locais, em geral servis e medíocres, mimetizam as elites estado-unidenses, trazendo para cá o que há de pior. No plano político-partidário, quem foi prejudicado e quem foi beneficiado pela crise da globalização neoliberal? Entre os prejudicados se destacam, merecidamente, os partidos tradicionais de direita, identificados com a defesa do modelo concentrador. Note-se, entretanto, que o prejuízo recai não só sobre eles, como também sobre os da esquerda moderada – a social-democracia, os socialistas e outros semelhantes. Previsível: afinal, a centro-esquerda foi sócia das políticas econômicas excludentes. Em muitos países, governou em coalizões com a direita tradicional. Quando chegou ao poder como força hegemônica, pouco ou nada fez para mudar o rumo da economia e da sociedade. Assim, passaram a ser vistos, junto com a centro-direita, como parte de um mesmo “sistema”. Contra esse “sistema”, a extrema-direita se insurge, mesmo que muitas vezes apenas da boca para fora. Comandada por líderes carismáticos e espalhafatosos, como Trump, Bolsonaro e Milei, conseguiu vencer diversas eleições importantes. Despreparada e primitiva, contudo, a extrema-direita não governa de modo eficaz e promove mais confusão do que reformas. Mantém ou aprofunda a orientação conservadora em economia, disfarçando essa concessão com atitudes extremadas na pauta de costumes. Não passou no teste de fogo da pandemia da Covid-19, o que contribuiu de modo importante, como se sabe, para a não-reeleição de Trump e Bolsonaro. Recuperou-se, contudo, dessas derrotas, como se nota pela vitória de Mile, o prestígio de Trump e Bolsonaro, sobretudo do primeiro, e a ascensão de radicais de direita em alguns países da Europa. O que aconteceu com a centro-esquerda em outros países, talvez seja relevante para o governo Lula e os partidos que o apoiam. Parece intrigante, à primeira vista, que a centro-esquerda dos países desenvolvidos não tenha conseguido capitalizar para si a crise da globalização. Parte da explicação já foi mencionada acima: o condomínio de poder formado com a direita tradicional. Mas vamos tentar aprofundar a questão um pouco mais. O fato é que a centro-esquerda também se tornou tradicional e elitista, acomodou-se, perdeu contato com a população e mostra não compreender os seus problemas reais.  Corre o risco de definhar por não entender as mudanças em curso. Como na mitologia, a esfinge de Tebas adverte: “Decifra-me ou te devoro”.  Um exemplo de uma estratégia problemática: abraçar a agenda identitária, que é uma agenda liberal, contribui para o isolamento da esquerda. Vamos nos entender: defender as mulheres, os negros, os indígenas, os homossexuais e outros grupos discriminados é indispensável. Porém, essa defesa não pode ser a plataforma central da esquerda. De um modo geral, o identitarismo não conta com a atenção ou a simpatia da grande maioria dos trabalhadores e dos setores de menor renda, geralmente às voltas com a luta pela sobrevivência. Os temas econômicos e sociais – emprego, renda, injustiça social – continuam prioritários para eles. A extrema direita tenta desviar a atenção desses temas com discursos religiosos e conservadores. A centro-esquerda acaba esquecendo-os ao focar nos temas identitários. Uma questão crucial na Europa e nos EUA, ainda não presente no Brasil, é a imigração. A extrema-direita vem se beneficiando amplamente da sua oposição virulenta à entrada de imigrantes – oriundos da África e do Oriente Médio na Europa; da América Latina nos EUA. A centro-esquerda não sabe o que fazer com o tema. As suas tradições iluministas e internacionalistas levam-na a rejeitar a resistência à imigração. Não percebe que ela tem fundamentos reais. A rejeição do imigrante não é apena diversionismo, como muitos imaginam. Os imigrantes trazem problemas significativos, não para as elites por suposto, que vivem à parte no seu mundo privilegiado, mas para os cidadãos comuns. A imigração em larga escala afeta o mercado de trabalho, pressionando para baixo os salários e levando à substituição de empregados locais por imigrantes. As firmas veem com bons olhos, claro, o barateamento da “mão-de-obra”, mas os trabalhadores sentem na pele e sofrem. Note-se que a imigração vem sobrecarregar um mercado de trabalho já adverso, em razão dos deslocamentos produzidos pelo rápido progresso tecnológico. Mas a questão não é só econômica. A imigração massiva do século 21 é muito diferente, por exemplo, da imigração europeia para as Américas em épocas anteriores. O imigrante hoje é essencialmente diverso das populações do país hospedeiro, em termos raciais ou étnicos, assim como em termos culturais ou religiosos. A sua presença numerosa ameaça descaracterizar as sociedades dos países desenvolvidos, trazendo insegurança e reações xenófobas. Em outras palavras, a questão é também nacional – tema com o qual grande parte da esquerda sempre lidou mal. Como reagirá a centro-esquerda a esses problemas? Continuará no rumo atual ou tentará se conectar com as novas realidades e as preocupações da maioria? Se ela optar por apegar-se às suas tradições, só nos resta desejar-lhe boa sorte. *Economista, foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, de 2015 a 2017, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países em Washington, de 2007 a 2015. Lançou no final de 2019, pela editora LeYa, o livro O Brasil não cabe no quintal de ninguém: bastidores da vida de um economista brasileiro no FMI e nos BRICS e outros textos sobre nacionalismo e nosso complexo de vira-lata. A segunda edição, atualizada e ampliada, começou a circular em março de 2021. E-mail: paulonbjr@hotmail.com Twitter: @paulonbjr Canal YouTube: youtube.nogueirabatista.com.br Portal: www.nogueirabatista.com.br Uma versão resumida deste artigo foi publicada na revista Carta Capital. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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