Universal é denunciada ao MP Eleitoral por uso de estrutura religiosa na campanha

Representação também questiona possível uso eleitoral de dados sensíveis de fiéis e mobilização dentro da campanha “Desafio de Neemias”.
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 15:30
Editado em 17 de agosto de 2026 às 15:33
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Da Redação*

A Igreja Universal do Reino de Deus foi alvo de uma representação encaminhada à Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo por suspeitas de utilização de sua estrutura religiosa para favorecer candidaturas nas eleições de outubro. A denúncia foi apresentada pela Associação Movimento Brasil Laico e utiliza como uma de suas bases reportagem publicada pelo ICL Notícias.

A entidade pede que sejam investigadas possíveis práticas de abuso de poder econômico, político e religioso, propaganda eleitoral em templos, arrecadação por fonte proibida e coação sobre eleitores. Também questiona a eventual utilização de dados pessoais sensíveis dos fiéis para fins eleitorais.

Mobilização até o primeiro turno

A reportagem que originou a representação revelou a realização do chamado “Desafio de Neemias”, iniciativa da Universal destinada a reunir fiéis e voluntários. A mobilização teria como uma de suas prioridades ampliar o apoio a bispos e pastores candidatos a deputado estadual e federal em diferentes estados.

Segundo a denúncia, a duração da campanha religiosa também chamou a atenção. O projeto foi planejado para 52 dias e seu encerramento coincide com 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições.

Para a Associação Movimento Brasil Laico, há indícios de que a estrutura de comunicação e organização da igreja estaria sendo colocada a serviço da mobilização eleitoral. A representação sustenta que isso poderia produzir vantagens às candidaturas vinculadas à instituição e configurar doações estimáveis em dinheiro provenientes de fonte vedada.

Dados de fiéis também são questionados

Outro ponto levado ao Ministério Público Eleitoral envolve a possível coleta de identificação facial, informações sobre religião e preferências políticas. A associação argumenta que dados biométricos, convicções religiosas e determinadas informações políticas recebem proteção especial da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A denúncia pede que seja investigado se essas informações foram utilizadas para arregimentação política ou direcionamento de votos. O documento também defende que o caso seja comunicado à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para análise de eventuais irregularidades.

A representação cita ainda manifestações atribuídas a dirigentes da Universal. Entre elas está uma declaração do bispo Renato Cardoso, segundo nome na hierarquia da igreja, de que seria “incompatível ser cristão e votar em partidos de esquerda”.

Também são mencionados materiais enviados a fiéis em Goiás que relacionariam a simbologia do “Desafio de Neemias” à disputa eleitoral. Caberá agora ao Ministério Público Eleitoral avaliar os elementos apresentados e decidir se existem fundamentos para abertura de investigação e adoção de outras medidas.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração: virtualidades.blog

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