Vou entrar num tema polêmico, mas necessário: a candidatura do campo progressista para o governo do Rio Grande do Sul.
Atualmente, existem duas pré-candidaturas colocadas: Edegar Pretto, pelo PT, e Juliana Brizola, pelo PDT.
Há uma pressão significativa do PDT sobre a direção nacional do PT para que o partido abra mão da candidatura do Edegar e apoie Juliana. Essa pressão já chegou à direção nacional, que tem defendido a ideia de um palanque único e forte para Luiz Inácio Lula da Silva no estado.
Mas essa é, na minha avaliação, uma visão equivocada.
O risco de um palanque frágil para Lula
Abrir mão da candidatura de Edegar Pretto pode significar, na prática, ficar sem nenhum palanque real para Lula no Rio Grande do Sul.
O motivo é político: o PDT gaúcho já não corresponde integralmente à tradição trabalhista histórica. Muitos prefeitos do partido no interior têm se alinhado com a direita. Em 2018 e 2022, vários apoiaram Jair Bolsonaro no segundo turno.
Além disso, o PDT integra os governos de Eduardo Leite no estado — gestões marcadas por privatizações, arrocho no serviço público e políticas contestadas na educação.Um exemplo emblemático foi o apoio à privatização da Corsan.
Ambiguidade política e seus efeitos
Essa posição ambígua do PDT pesa no cenário eleitoral.
Enquanto o partido compõe a base do governo Lula no plano nacional, no Rio Grande do Sul está alinhado a um governo de orientação liberal.
Essa contradição se reflete diretamente na candidatura de Juliana Brizola.
Até o momento, ela não conseguiu consolidar uma aliança consistente. Em contraste, Edegar Pretto já reúne seis partidos em torno de sua candidatura.
Mais do que isso: em declarações recentes, Juliana afirmou que sua candidatura “não é de direita nem de esquerda”, defendeu o governo Leite e não fez referência à defesa do governo Lula.
Quem garante um palanque efetivo
Se essa linha for mantida, existe o risco concreto de ausência de um palanque que defenda Lula no estado.
Por isso, a candidatura de Edegar Pretto se apresenta como a que melhor cumpre esse papel.
Ela combina dois elementos centrais:
Defesa clara do governo Lula
Oposição consistente ao governo estadual.
Força política e correlação de forças
Há também um dado estrutural relevante. O PT é o maior partido do campo progressista no Rio Grande do Sul:
11 deputados estaduais
7 deputados federais.
Com os partidos aliados à candidatura de Edegar, essa base se amplia. O PDT, por sua vez, aparece mais isolado no cenário atual.
O erro de uma intervenção nacional
Diante disso, uma eventual intervenção da direção nacional do PT no estado seria um erro político relevante.Tudo indica que isso não deve ocorrer, já que a decisão do PT gaúcho se sustenta em dados concretos da realidade política local.
Unidade com coerência política
É importante destacar: a porta para a unidade não está fechada.Há disposição para compor — inclusive com a possibilidade de vice para o PDT.Mas essa unidade precisa ter coerência política.Precisa ter posição clara.E, neste momento, quem reúne essas condições é a candidatura de Edegar Pretto.
A tarefa estratégica do campo progressista
O objetivo é claro: reeleger Lula e romper o ciclo de hegemonia da direita no Rio Grande do Sul.Essa é a tarefa colocada.Vamos com Lula, Edegar, Paulo Pimenta e Manuela d’Ávila até a vitória.
Ilustração da capa gerada por IA





