Da Redação*
As negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos entraram em uma nova fase após o presidente Donald Trump determinar que seus representantes trabalhem pela construção de um acordo com o governo brasileiro. A orientação foi relatada nesta segunda-feira (31) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, depois de uma reunião entre autoridades dos dois países.
Embora o encontro não tenha produzido decisões concretas sobre tarifas ou setores específicos, Brasília considera relevante a volta dos norte-americanos à mesa de negociação. Segundo Rosa, existe agora um compromisso político de buscar uma saída para o impasse criado pelas sobretaxas impostas a produtos brasileiros.
Tarifas mudaram equilíbrio da negociação
O cenário é diferente daquele existente até julho, quando o governo Lula tentava impedir a entrada em vigor das novas barreiras comerciais. Com as tarifas já aplicadas, o Brasil passou a sustentar que qualquer concessão unilateral agravaria um desequilíbrio atualmente favorável aos Estados Unidos.
De acordo com Rosa, a incidência adicional de 37,5% sobre produtos brasileiros ampliou a desvantagem do país. Por isso, eventuais concessões de Brasília dependerão necessariamente de contrapartidas de Washington.
A reunião desta segunda-feira marcou principalmente a retomada formal do diálogo, após Trump aparentemente ter se dado conta de que o Brasil não iria ceder à sua vontade. Equipes técnicas deverão realizar novos contatos nos próximos dias, enquanto encontros virtuais e presenciais estão previstos para as próximas semanas.
Segundo o ministro, o representante comercial norte-americano Jamieson Greer disse ter acompanhado a recente conversa telefônica entre Lula e Trump e relatou que recebeu diretamente do presidente dos Estados Unidos a determinação de trabalhar por um entendimento com o Brasil.
Rosa destacou ainda que Washington retornou às negociações sem que o governo brasileiro oferecesse previamente qualquer nova concessão.
Pix fica fora de qualquer acordo
Apesar da disposição para negociar, o governo Lula estabeleceu limites. Brasília voltou a questionar pontos levantados pelos Estados Unidos na investigação aberta com base na Seção 301, entre eles críticas ao PIX e à política ambiental brasileira.
Sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, Rosa descartou qualquer possibilidade de mudança negociada com Washington. “O Pix é um patrimônio do Brasil”, afirmou, lembrando que mais de 80% da população utiliza o serviço.
A delegação brasileira também apresentou informações sobre a redução do desmatamento e defendeu que questões sem natureza econômica ou comercial sejam excluídas das tratativas.
A eventual retirada ou redução das tarifas norte-americanas ainda dependerá das próximas rodadas. Para o ministro, somente o avanço das conversas mostrará até onde cada governo estará disposto a fazer concessões.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração gerada por IA. Crédito: Redação da RED

