Trabalhadores… Uni-vos!

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Quando o Manifesto Comunista (em alemão: Das Kommunistischie Manifest) fora publicado, toda – TODA – a Europa ardia em lutas, conflitos e embates.

Estamos, reparem bem, em 21 de fevereiro de 1848 e essa cartilha, esse opúsculo, é, pela primeira vez, publicado a partir de bem descrita e registrada solicitação da ainda bastante anônima Liga Comunista .

Seus autores? Dois formais, inquietos e discretos jovens alemães: Karl Marx e Friedrich Engels .

Pois bem… Em 1848, as monarquias européias, do luxo e da suntuosidade exuberante de seus palácios, despertavam desconfiadas, receosas e temerosas na incerteza da continuidade ou não dos seus privilégios seculares considerando, sobretudo, a imensa onda de miseráveis, famintos e desamparados e que enchia, que empanturrava ruas, praças e avenidas do “Velho Continente”.

Como sempre, não faltava repressão contra esses infelizes e desvalidos; medida, por sinal, que se mostrou absolutamente falha e ineficiente posto que nessa altura, a miséria tal qual uma força, uma energia incessante, parecia minar, brotar, surgir das frestas das calçadas, das cumeeiras das casas ou dos orvalhos matinais.

As margens, tangentes e periferias de capitais européias importantes como Londres, Paris, Roma ou Bruxelas eram espécies de desterros; eram “não-lugares” ou lugares distopicos e afundados na mais dilacerante miséria onde o largo império da mendicância e da pobreza dissolvia no lúgubre mundo do desamparo e da violência a vida medonha de velhos, mulheres e crianças.

A Europa ardia em 1848 e nesse quadro, tudo, absolutamente tudo, era duvidoso, arriscado e incerto.

Nesse cenário, nessa conjuntura, em que pese, no entanto, a interminável marcha repressiva e estatal e duramente perpetrada contra as seminais organizações dos trabalhadores e suas lideranças, o que comumente envolvia prisões arbitrárias, torturas e o assassinato sistemático de homens e mulheres que teimavam por denunciar a fome, a violência e a miséria que grassava plena por bairros, vilas e ocupações é preciso destacar de que nada, absolutamente nada, se comparou ao inimaginável revide simbólico e político e dado justamente pelos trabalhadores a partir do profundo, devastador e irretocável texto do Manifest der Kommunistischie Partier ou simplesmente Manifesto do Partido Comunista e, como dito, delicada e inteligentemente produzido pelos senhores Marx e Engels .

Vejam…

Esse texto, pequeno em seu tamanho, surge em uma Europa, toda ela conflagrada; tal qual um rastilho de pólvora, o Manifesto incendiou a Europa. Foi preciso, fulminante e devastador.

As burguesias, é claro, ficaram perplexas, os conglomerados empresariais reuniram-se com espanto e urgência, a igreja e o Vaticano ficaram sobressaltados e o poder de então, historicamente autoritário, despótico e autocrático, sentiu-se por fim e pela primeira vez, terreno, humano, precário e limitado.

O Manifesto do Partido Comunista foi, em si, uma revolução e que, ainda hoje, faz o mundo balançar, estremecer porque é impossível ser indiferente ao seu texto, ao seu estilo literário e a forma clara, pontual e sumária como seus autores descrevem o chão, as bases e os fundamentos integralmente contraditórios do capitalismo.

Publicado por sua primeira vez na Inglaterra, o essencial desse trabalho é a análise crítica da Revolução Industrial onde seus formuladores, sem titubeios ou malemolencias acadêmicas, demandam por reformas sociais profundas o que envolve, sobretudo, a imediata redução das jornadas de trabalho e que atingiam doze, catorze ou dezesseis horas diárias de muito e penoso trabalho bem como a implementação do voto livre e universal.

Mais ainda…

…É a partir desse trabalho que os pais, os paraninfos do dito socialismo científico soerguem os proletariados do mundo à condição de classe social .

Sim… isso importa porque é a partir desse debate que os trabalhadores deixam de ser compreendidos ou admitidos como, digamos assim, espécie de “manada humana”, um imenso quantitativo humano ou sub-humano bovino, manso, passivo e ao pleno dispor das brutais e criminosas classes proprietárias.

Por sinal, os trabalhadores, contrariando toda a cultura empresarial e administrativa de antanho, se erguem, se elevam à condição de classe sensível, delicada, racional, politizada e com efetivas e singulares condições de, não por menos, destronar a burguesia de sua insolente e inadmissível posição de mando e controle a fim da feitura de uma sociedade livre, aliás, sem classes sociais, propriedades, justa e futurista.

Finalmente, o Manifesto possui e nos traz uma potência que jamais se havia verificado em instantes outros das lutas do trabalho; é precisamente nessa análise que seus autores enfatizam e destacam o caráter global e internacional dos trabalhadores. Nós? Nós somos UM!

Não por acaso, no encerramento desse texto, os trabalhadores do mundo são impelidos ao encontro, comunhão e unidade consigo mesmos, com sua classe – classe do trabalho – seu povo e a partir do indefectível brado lírico e poético dos geniais alemães de: ” Trabalhadores do mundo, Uni-vos! ” e posto no desfecho derradeiro do Manifesto .

Não… O Manifesto do Partido Comunista não “cria” o trabalho, no entanto, a produção de Marx e Engels confere e identifica valores, sentidos e conceitos definitivos e essenciais para o próprio entendimento e compreensão das modernas classes do trabalho ante a um mundo cheio, repleto de desafios aos objetivos e diretos fazedores desse mesmo mundo.

Bom…

Uni-vos … O mundo, estamos todos vendo, clama!


Foto decapa:  Reprodução

Sobre o autor

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Angelo Cavalcante
Economista e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara. E-mail : angelo.cavalcante@ueg.br

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