Revolucionário neste momento é saber unir

Última edição em abril 12, 2026, 11:03

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Nas eleições presidenciais de 2022, a diferença percentual a favor de Lula foi a menor para um presidente eleito desde 1989. Ganhamos com 50,90% dos votos válidos, com 2,1 milhões de votos a mais que Bolsonaro, que fez 49,10%, apenas 1,80% atrás de Lula. Essa foi a menor diferença de um presidente eleito desde 1989. Foi uma eleição mais apertada do que a de Dilma x Aécio Neves (2014), quando ganhamos, em segundo turno, com 51,64% dos votos, contra 48,36%, diferença de 3,28%.

A eleição presidencial de 2022 foi a primeira na história do Brasil em que o candidato vencedor não ganhou na maioria das unidades federativas. Lula ganhou em 13 estados e no exterior; Bolsonaro, em 13 estados e no DF.

No Amapá, Bolsonaro conseguiu vencer no segundo turno, onde Lula havia ganho no primeiro.

É relevante considerar que Bolsonaro conseguiu ampliar seus votos em 2022, em relação às eleições de 2018 contra Fernando Haddad, fazendo 408 mil votos a mais. Lula, por sua vez, conseguiu ultrapassar o seu recorde anterior e conquistou mais de 60 milhões de votos no segundo turno.

Regionalmente, Bolsonaro venceu em todos os estados da região Sul e Centro-Oeste, em 3 dos 4 do Sudeste e em 3 dos 7 da Região Norte. Lula, por sua vez, venceu em todos os 9 estados do Nordeste e em 4 dos 7 da Região Norte; na região Centro-Sul, ganhou apenas em Minas Gerais.

Estado Eleitores

Lula %

RS 8.593.469 2.806.672 42,28 3.245.023: 48,89

Bolsonaro %

RS 8.589.684 2.891.851 43,65 3.733.185: 56,35

Os dados oficiais são contundentes. Lula obteve no RS 85.179 votos adicionais no segundo turno, enquanto Bolsonaro acrescentou 488.162, aumentando em 402.983 a diferença de votos em relação a Lula. A diferença total em favor de Bolsonaro no Rio Grande do Sul foi de 841.333 votos a mais do que os obtidos por Lula. Se considerarmos que a vitória de Lula no país foi de 2,1 milhões de votos, é possível observar o quanto o desempenho no RS precisa melhorar para não colocarmos em risco a prioridade estratégica para a esquerda e o campo democrático no país.

Esses dados ajudam a demonstrar que o acordo entre as forças de esquerda e democráticas no RS é imperativo para a reeleição de Lula e a derrota do protofascismo. Essa tarefa exige a construção de uma frente que seja a mais ampla possível. Os dados das eleições de quatro anos atrás são o melhor parâmetro para defendermos essa política, mesmo desagradando os nossos desejos mais genuínos e legítimos. Afinal, esses números nos obrigam a lidar com uma realidade política bem mais desagradável do que a que gostaríamos de estar vivendo.

Espero que a sabedoria do PT gaúcho em alinhar a tática regional à nacional e o desprendimento demonstrado pelo companheiro Pretto encontrem eco junto aos nossos parceiros. Reeleger Lula e derrotar o campo de extrema-direita no RS é o mais revolucionário que podemos fazer neste momento.


Foto de capa: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sobre o autor

Gerson Almeida
Sociólogo, foi Secretário Nacional de Articulação Social no governo Lula 2.

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