PSD oficializa Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência após desistência de Ratinho Junior

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Ronaldo Caiado reprodução Poder 360

Por Solon Saldanha *

Em um movimento que busca pacificar as alas internas do partido e definir o tabuleiro eleitoral de uma suposta “terceira via, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assume o posto de pré-candidato do PSD ao Palácio do Planalto. O anúncio, previsto para a tarde desta segunda-feira (30), ocorre após o recuo do governador do Paraná e a neutralização das pretensões do gaúcho Eduardo Leite, consolidando o agronegócio e a direita tradicional como pilares da legenda para o pleito deste ano.


O cenário político nacional ganha um novo contorno oficial nesta segunda-feira (30). O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), anuncia às 16h, em entrevista coletiva em São Paulo, sua pré-candidatura à Presidência da República. Aos 76 anos, o político goiano retorna à disputa principal do país pela segunda vez em sua trajetória — a primeira ocorreu há 37 anos, no histórico pleito de 1989.

A oficialização de Caiado é o desfecho de uma articulação intensa conduzida pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. O objetivo é estancar uma crise potencial no PSD, partido conhecido pela busca de consensos, que viu suas opções de candidatura se afunilarem nos últimos dias após uma série de desistências e movimentações de bastidores.

A sucessão de desistências e o fator Ratinho Junior

Até a semana passada, o nome de consenso da cúpula partidária era o do governador do Paraná, Ratinho Junior. Segundo o acordo firmado em janeiro entre os três governadores da sigla (Caiado, Ratinho e Eduardo Leite), o critério para a escolha seria o desempenho nas pesquisas de intenção de voto.

Embora Ratinho Junior liderasse numericamente entre os correligionários, o paranaense optou por retirar sua pré-candidatura na última quarta-feira (25). Entre os motivos alegados para a desistência, destacam-se:

  • Pressão Familiar: O desejo de manter o foco na gestão estadual e na vida privada.
  • Cenário Local: A necessidade de organizar a sucessão no Paraná e impedir o avanço de adversários locais, como Sergio Moro (PL).
  • Fatores Externos: Rumores sobre desdobramentos de investigações (Caso Master) que poderiam respingar em sua imagem durante a campanha nacional.

O embate com Eduardo Leite e a desincompatibilização

Com a saída de Ratinho Junior, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tentou viabilizar seu nome. Apoiado por economistas historicamente ligados ao antigo PSDB, Leite buscou se posicionar como a verdadeira alternativa de “centro”. Contudo, a cúpula do PSD, sob a influência de figuras como Jorge Bornhausen, já sinalizava preferência pela experiência e pelo trânsito de Caiado no setor produtivo.

Para evitar que a disputa interna se estendesse até o limite do prazo legal de desincompatibilização (4 de abril), o partido antecipou a decisão. Aliados próximos a Leite indicam que ele deverá apoiar a chapa goiana, embora seu futuro pessoal permaneça incerto — ele rechaça, no momento, a possibilidade de ocupar o posto de vice na chapa de Caiado. No Rio Grande do Sul, o PSD deverá lançar o deputado estadual Frederico Antunes para o Senado.

Desafios: O perfil ideológico e a polarização

A escolha de Ronaldo Caiado traz desafios estratégicos para o PSD. Historicamente ligado à União Democrática Ruralista (UDR) e com um perfil conservador consolidado, Caiado distancia o partido da imagem de “centro equilibrado” que Kassab pretendia projetar para romper a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Histórico e Desempenho:

  • Trajetória: Caiado foi deputado federal, senador e elegeu-se governador de Goiás em primeiro turno em 2018, repetindo o feito em 2022.
  • Pesquisas: No levantamento mais recente do Datafolha, o goiano aparece com 4% das intenções de voto. Em simulações de segundo turno contra o atual presidente Lula, a desvantagem é de dez pontos percentuais (46% a 36%).

O maior obstáculo de Caiado será o avanço sobre o eleitorado bolsonarista. Dada a proximidade que manteve com o ex-presidente nos últimos anos, ele precisará convencer o eleitor de direita de que é uma alternativa mais viável que o senador Flávio Bolsonaro, cuja candidatura se fortaleceu mesmo em meio a processos judiciais.

Além disso, a convivência interna no PSD será testada: enquanto Caiado deve elevar o tom contra o Palácio do Planalto, a legenda de Kassab ainda mantém três ministérios no governo Lula, evidenciando a dualidade que o novo pré-candidato terá de administrar até a convenção partidária no meio do ano.


* Solon Saldanha, jornalista e escritor

Foto: Ronaldo Caiado. Crédito: reprodução Poder 360

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