Da Redação*
A Petrobras confirmou a descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco BM-FZA-59, em águas profundas da Margem Equatorial, na costa do Amapá. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (17), mas a estatal ressalta que ainda não é possível determinar o tamanho da descoberta nem afirmar se o campo terá condições de exploração comercial.
O poço fica a aproximadamente 175 quilômetros da costa amapaense e a cerca de 500 quilômetros da Foz do Amazonas. A operação ocorre em uma região com lâmina d’água de 2.886 metros e considerada estratégica pela Petrobras para a reposição futura de suas reservas.
Perfuração ainda não chegou ao fim
Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a perfuração já avançou cerca de 3 mil metros abaixo do nível do mar e outros 3 mil metros através das formações rochosas. Ainda restaria aproximadamente 1 mil metros até a conclusão do poço, prevista para ocorrer dentro de 15 a 20 dias.
A descoberta, portanto, representa uma etapa inicial do processo exploratório. Depois de encerrada a perfuração, a Petrobras terá de analisar o volume encontrado, as características do reservatório e as condições técnicas e econômicas para verificar se uma futura produção de petróleo é viável.
Desde agosto de 2025, quando começou a atual campanha exploratória na região, a estatal investiu aproximadamente US$ 3 bilhões. Conforme Magda Chambriard, as atividades desenvolvidas atualmente na Margem Equatorial custam cerca de US$ 1 milhão por dia.
Petrobras pretende ampliar exploração
A companhia considera que os primeiros resultados do Morpho reforçam as expectativas sobre o potencial petrolífero da área. Outros poços fazem parte do programa exploratório, e novos pedidos de licenciamento para perfurações na Margem Equatorial já foram encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O bloco BM-FZA-59 é integralmente controlado e operado pela Petrobras. A área foi adquirida em 2013, durante a 11ª Rodada de Licitações promovida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Durante visita à região, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a eventual exploração de novas reservas deverá ocorrer paralelamente à ampliação das fontes renováveis. Segundo ele, o país pretende manter investimentos em biocombustíveis e outras alternativas energéticas enquanto avalia o potencial petrolífero da Margem Equatorial.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Sonda de perfuração em águas profundas. Crédito: divulgação Petrobras

