Por EDELBERTO BEHS*
Pelo menos 700 línguas, das mais diferentes culturas e mesmo idiomas em extinção, são faladas na cidade de Nova Iorque, com destaque para o bairro do Queens, uma área de 26 quilômetros quadrados da cidade, também conhecido como “o bairro do mundo”. É a cidade com a maior diversidade linguística da história do mundo, informa Ross Perlin em matéria para a National Geographic.
Por que essa marca? Porque a cidade recebeu, e recebe, migrantes de todas as partes do mundo. Até mesmo um idioma como o seke, em fase de extinção, não mais falado por mais de 700 pessoa no alto do Himalaia, renasce na comunidade novaiorquina por iniciativa de Rasmina Gurung, na casa dos 20 anos de idade, uma das mais jovens que fala Seke e que aprendeu a língua com sua avó, acabou residindo em Nova Iorque, onde ela se junta com falantes de dezenas de outros idiomas ameaçados de extinção de toda a região do Himalaia.
As ameaças à imigração e o aumento do custo de vida nas cidades estão interrompendo esse processo e a convergência linguística pode desaparecer, a não ser que esses idiomas em extinção sejam documentados e apoiados. É o que faz a Endangered Language Alliance, da qual Rosse Perin, linguista estadunidense é codiretor. Ele traz contribuições significativas para o Mapa das Línguas da Cidade de Nova Iorque.
O futuro do seke, originalmente falado em cinco aldeias do norte do Nepal, depende, atualmente, de “aldeias verticais: prédios de apartamentos no meio do Brooklin”, escreve Perin. “Está em jogo um conjunto sem precedentes de possibilidades culturais, científicas, educacionais e até econômicas. Nunca antes linguistas e falantes estiveram tão bem posicionados para documentar línguas para as quais existem poucos ou nenhum registro, ao mesmo tempo que lutam por sua preservação e revitalização. Também são excepcionais as possibilidades artísticas, musicais e culinárias, à medida que visões de mundo de todo o globo se encontram e compartilham o mesmo espaço”, explica.
Irwin Sanchez, chef e poeta que fala náutle, a língua dos astecas, prepara alimentos mantendo os significados originais das palavras. O escritor Husniya Khujamyorova, falante de wakhi, do Tadjiquistão, dedica-se à produção de livros infantis para falantes de seis línguas pamiri. Ibrahima Traoré, natural da Guiné, ensina n’ko, um sistema de escrita pioneiro da África Ocidental, e defende o seu uso em todas as novas tecnologias. Todos são moradores do Brooklin.
*Edelberto Behs é Jornalista, Coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos durante o período de 2003 a 2020. Foi editor assistente de Geral no Diário do Sul, de Porto Alegre, assessor de imprensa da IECLB, assessor de imprensa do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, em Porto Alegre, e editor do serviço em português da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).
Foto de capa: r Fabio Angheben




