Da Redação*
O levantamento “Mulheres & Bets”, realizado pelo Estúdio Clarice, em parceria com o Instituto Estratégia Latina e o Instituto de Pesquisa IDEIA, mostra que as mulheres percebem de forma especialmente crítica os efeitos das apostas: 67% afirmam que elas estão acabando com as famílias brasileiras, contra 59% dos homens. Os dados apontam ainda que as apostas online avançaram para além do orçamento doméstico e já são associadas a conflitos familiares, endividamento, violência e desgaste emocional.
O levantamento também identificou a presença de crianças e adolescentes nesse ambiente, apesar da proibição legal de apostas para menores de 18 anos. O acesso ocorre por influência de amigos, redes sociais e outros espaços de convivência e, em determinadas situações, dentro da própria família. Para contornar a restrição de idade, é frequente o uso do CPF de um adulto da casa, com ou sem autorização.
Dívidas e conflitos entram nos lares
Entre brasileiros que conhecem situações relacionadas ao jogo, 23% dizem ter presenciado ou tomado conhecimento de episódios em que as apostas contribuíram para violência familiar. Mulheres afetadas pelo comportamento de apostadores próximos mencionaram agressividade, xingamentos e perda de controle dos companheiros após derrotas.
Os reflexos aparecem também nas relações pessoais. Entre as pessoas atingidas direta ou indiretamente, 24% apontaram conflitos familiares, outros 24% perda de confiança, 21% desgaste emocional e 12% piora na qualidade de vida. Entre as apostadoras, 7% disseram já ter recorrido a agiotas para conseguir dinheiro para jogar.
Outro dado mostra como a aposta pode ser confundida com atividade econômica. Um quarto das mulheres acredita que habilidade ou conhecimento especializado podem aumentar as chances de vencer; entre apostadoras frequentes, o percentual chega a aproximadamente 40%. Essa percepção estimula a procura por cursos, dicas e supostos métodos para ganhar.
Publicidade amplia exposição
As redes sociais têm papel importante nesse processo. Depois do primeiro acesso a plataformas de apostas, 79% das mulheres afirmaram perceber aumento desse tipo de conteúdo em seus perfis. Além disso, 72% consideram que a publicidade estimula as pessoas a apostar além do que deveriam.
A reação aparece no apoio a medidas mais duras. Entre as mulheres, 62% defendem a proibição dos jogos online no Brasil, enquanto entre os homens o índice é de 50%. Outros 41% das entrevistadas admitem a continuidade das plataformas, desde que sejam impedidas de fazer publicidade.
O estudo ouviu 60 pessoas na etapa qualitativa e 2.008 brasileiros na pesquisa quantitativa. Entre as propostas apresentadas estão ampliar o atendimento de saúde aos apostadores e familiares, restringir a propaganda e avançar gradualmente na limitação das modalidades, começando pelos cassinos online.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração criada pela redação com o uso de IA

