Mulheres relatam impacto das bets nas famílias e maioria defende proibição dos jogos online

Pesquisa aponta que apostas online estão associadas a conflitos, dívidas, violência e desgaste emocional dentro das famílias brasileiras.
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 11:30
Editado em 18 de agosto de 2026 às 11:04
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Da Redação*

O levantamento “Mulheres & Bets”, realizado pelo Estúdio Clarice, em parceria com o Instituto Estratégia Latina e o Instituto de Pesquisa IDEIA, mostra que as mulheres percebem de forma especialmente crítica os efeitos das apostas: 67% afirmam que elas estão acabando com as famílias brasileiras, contra 59% dos homens. Os dados apontam ainda que as apostas online avançaram para além do orçamento doméstico e já são associadas a conflitos familiares, endividamento, violência e desgaste emocional.

O levantamento também identificou a presença de crianças e adolescentes nesse ambiente, apesar da proibição legal de apostas para menores de 18 anos. O acesso ocorre por influência de amigos, redes sociais e outros espaços de convivência e, em determinadas situações, dentro da própria família. Para contornar a restrição de idade, é frequente o uso do CPF de um adulto da casa, com ou sem autorização.

Dívidas e conflitos entram nos lares

Entre brasileiros que conhecem situações relacionadas ao jogo, 23% dizem ter presenciado ou tomado conhecimento de episódios em que as apostas contribuíram para violência familiar. Mulheres afetadas pelo comportamento de apostadores próximos mencionaram agressividade, xingamentos e perda de controle dos companheiros após derrotas.

Os reflexos aparecem também nas relações pessoais. Entre as pessoas atingidas direta ou indiretamente, 24% apontaram conflitos familiares, outros 24% perda de confiança, 21% desgaste emocional e 12% piora na qualidade de vida. Entre as apostadoras, 7% disseram já ter recorrido a agiotas para conseguir dinheiro para jogar.

Outro dado mostra como a aposta pode ser confundida com atividade econômica. Um quarto das mulheres acredita que habilidade ou conhecimento especializado podem aumentar as chances de vencer; entre apostadoras frequentes, o percentual chega a aproximadamente 40%. Essa percepção estimula a procura por cursos, dicas e supostos métodos para ganhar.

Publicidade amplia exposição

As redes sociais têm papel importante nesse processo. Depois do primeiro acesso a plataformas de apostas, 79% das mulheres afirmaram perceber aumento desse tipo de conteúdo em seus perfis. Além disso, 72% consideram que a publicidade estimula as pessoas a apostar além do que deveriam.

A reação aparece no apoio a medidas mais duras. Entre as mulheres, 62% defendem a proibição dos jogos online no Brasil, enquanto entre os homens o índice é de 50%. Outros 41% das entrevistadas admitem a continuidade das plataformas, desde que sejam impedidas de fazer publicidade.

O estudo ouviu 60 pessoas na etapa qualitativa e 2.008 brasileiros na pesquisa quantitativa. Entre as propostas apresentadas estão ampliar o atendimento de saúde aos apostadores e familiares, restringir a propaganda e avançar gradualmente na limitação das modalidades, começando pelos cassinos online.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração criada pela redação com o uso de IA

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