Da Redação*
Declarações feitas pelo presidenciável Renan Santos durante a mobilização de povos indígenas contra um projeto hidroviário no Pará chegaram à Justiça Federal. O Ministério Público Federal (MPF) considera que as manifestações tiveram conteúdo discriminatório e busca responsabilizar tanto o candidato do partido Missão quanto o Movimento Brasil Livre (MBL), organização fundada por ele.
Protocolada na segunda-feira (17), a ação envolve manifestações direcionadas a integrantes de 14 etnias do Baixo Tapajós. O MPF requer o pagamento de R$ 500 mil a título de reparação por danos morais coletivos, além da retirada de publicações das redes sociais e de medidas destinadas a impedir novas manifestações consideradas ofensivas à identidade étnica dos povos atingidos.
Protesto contra projeto de hidrovias originou declarações
O episódio que deu origem ao processo ocorreu durante a mobilização indígena realizada em Santarém, no oeste paraense. Em 22 de janeiro, manifestantes bloquearam o terminal portuário da Cargill e posteriormente ocuparam sua área interna, contestando os planos do governo federal para implantação de hidrovias em rios amazônicos.
O movimento se prolongou por mais de um mês. Durante os protestos, Renan publicou um vídeo no qual chamou os participantes de “índios vagabundos” e acrescentou “picaretas do PSOL”, responsabilizando o grupo por inviabilizar o aproveitamento de uma hidrovia.
A pressão exercida pelos indígenas levou o governo Lula a revogar o decreto 12.600/2025, uma das principais reivindicações do movimento. Depois da decisão, o acampamento mantido na área externa do terminal foi desmontado.
Para o MPF, as declarações divulgadas por Renan não podem ser tratadas apenas como manifestação de opinião ou crítica política. A ação sustenta que houve “propagação de discurso de ódio e racismo” contra as comunidades envolvidas.
MPF quer retirada de publicações
Em pedido urgente, o Ministério Público solicita que a Justiça determine a exclusão dos conteúdos questionados. Também requer que Renan e o MBL sejam impedidos de divulgar novas manifestações que possam “ofender ou deslegitimar a identidade étnica desses povos”. Se a medida for concedida, o descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 3 mil.
Renan reagiu nesta terça-feira (18), durante evento da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Ao defender suas declarações, voltou a questionar os manifestantes, classificando o protesto como uma “política de sabotagem” conduzida por uma “suposta tribo indígena”.
O candidato argumentou que o bloqueio prejudicou caminhoneiros e dificultou o transporte da produção agrícola do Pará e de Mato Grosso. Também ironizou a indenização reivindicada pelo MPF. Depois de mencionar os R$ 500 mil pedidos na ação, afirmou: “Obviamente porque ninguém é de ferro, né? Todo mundo precisa de um dinheirinho”. Palavras essas talvez passíveis de outro processo.
* Redação: Solon Saldanha
Foto: Renan Santos. Crédito: reprodução Poder 360

