MP aponta omissão de dados de homem ligado ao PCC em contrato de entidade da produtora de ‘Dark Horse’

Contrato milionário de entidade presidida por Karina Gama identificava apenas como “Alex” empresário apontado como integrante do PCC.
Publicado em 13 de setembro de 2026 às 17:00
Editado em 13 de setembro de 2026 às 14:47
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Karina Gama ao lado de arquivo com documentos identificados pela sigla PCC

Da Redação*

O Ministério Público de São Paulo apontou irregularidades na identificação de Alex Leandro Bispo dos Santos em um contrato de R$ 12 milhões entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, e a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. Segundo o órgão, Alex, então responsável pela empresa, integra o PCC. Karina também é dona da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Na primeira versão do contrato, o representante da Favela Conectada aparecia identificado apenas como “Alex”, sem sobrenome, CPF ou RG. Posteriormente, as partes regularizaram a documentação. As investigações também levantaram suspeitas de blindagem patrimonial após a transferência da empresa para outra pessoa.

Contrato previa instalação de pontos de Wi-Fi

Além disso, o acordo previa serviços de implantação, operação e manutenção de internet pública em áreas periféricas de São Paulo, dentro do programa Wi-Fi Livre SP. O valor global chegava a R$ 12 milhões.

Alex é apontado pelo Ministério Público paulista como integrante do Primeiro Comando da Capital e também ficou conhecido como “Escorpião do PCC”. Ele responde pela morte da companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, que caiu do 10º andar do prédio onde viviam. Imagens obtidas pela investigação registraram agressões contra ela antes da queda. A prisão preventiva de Alex foi posteriormente revogada, mas o processo criminal continua.

Karina Gama afirma que contratou a empresa porque ela já prestava serviços no setor e apresentou certidões fiscais e tributárias. O contrato com a Favela Conectada não tem relação direta com a produção de Dark Horse.

PF investiga circulação de recursos

A relação ganhou nova relevância quando a Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira (10), a Operação Make Up. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, fraudes contratuais, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) estão entre os alvos.

A Favela Conectada, posteriormente denominada Urban Connect, também aparece na investigação como empresa subcontratada pelo ICB. A PF apura ainda a circulação de recursos entre empresas e entidades relacionadas a Karina e possíveis conexões financeiras com a Go Up Entertainment. A Prefeitura de São Paulo afirma que não identificou irregularidades no termo firmado com o ICB e que sua Controladoria acompanha as investigações.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração criada com recursos de IA. Crédito: Redação da RED

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