A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Márcia Barbosa, foi incluída pela revista Forbes Brasil na lista “10 Brasileiras que Transformam a Ciência no Brasil e no Mundo”, divulgada em fevereiro em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A publicação reúne pesquisadoras que lideram descobertas, ampliam fronteiras do conhecimento e abrem caminhos em áreas ainda marcadas pela desigualdade de gênero.
Professora titular do Instituto de Física da UFRGS, Márcia é pesquisadora nível 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) — o mais alto patamar de produtividade científica no país — e integra a Academia Brasileira de Ciências e a The World Academy of Sciences (TWAS).
Com graduação, mestrado e doutorado realizados na própria UFRGS, construiu carreira dedicada principalmente ao estudo das anomalias da água — propriedades físicas incomuns que diferenciam a substância de outros líquidos e têm impacto em processos biológicos, ambientais e tecnológicos. Suas pesquisas combinam física teórica, modelagem computacional e nanociência, com aplicações que incluem estratégias para ampliar o acesso à água potável.
Reconhecimentos ao longo da trajetória
Ao longo da carreira, Márcia Barbosa acumulou distinções científicas e institucionais de relevância nacional e internacional. Em 2013, recebeu o L’Oréal-UNESCO For Women in Science Award, reconhecimento internacional por seus estudos sobre as moléculas de água, além do Prêmio Cláudia, na categoria Ciência.
Em 2009, foi agraciada com a Medalha Nicholson da American Physical Society, distinção concedida a cientistas que se destacam na defesa da participação feminina na física. Já em 2016, recebeu o Prêmio Anísio Teixeira, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelo trabalho desenvolvido na pós-graduação.
Em 2018, foi condecorada com a Ordem Nacional do Mérito Científico, no grau de Comendadora — uma das principais honrarias concedidas pelo governo federal a pesquisadores brasileiros. Em 2021, recebeu a Medalha Silvio Torres, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), pelo conjunto da contribuição científica.
A visibilidade pública também marca sua trajetória recente. Em 2020, foi listada pela ONU Mulheres entre sete cientistas que moldam o mundo. No mesmo ano, apareceu na Forbes Brasil entre as 20 mulheres mais poderosas do país e, em 2026, voltou a ser reconhecida pela publicação como uma das cientistas que transformam o mundo.
Mais recentemente, em 2025, recebeu da Câmara Municipal de Porto Alegre o título de Cidadã de Porto Alegre, homenagem concedida a personalidades com contribuição relevante à cidade.
Primeira mulher na reitoria
Márcia Barbosa assumiu a reitoria da UFRGS em 2024, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo na história da universidade. Sua gestão tem sido marcada pela defesa da universidade pública, pela valorização da pesquisa científica e pela promoção de políticas de equidade de gênero na academia.
Ao comentar o destaque recente na Forbes, a reitora afirmou que a menção representa uma honra e amplia a visibilidade da ciência produzida no país. Ressaltou ainda que os resultados são fruto de um esforço coletivo da comunidade acadêmica e das parcerias construídas ao longo de sua trajetória.
O reconhecimento reforça não apenas a projeção individual da pesquisadora, mas também o papel da UFRGS como um dos principais polos de produção científica do Brasil — em um momento em que o debate sobre financiamento, inovação e diversidade na ciência segue no centro das políticas públicas.
Imagem destacada: Rochele Zanvadalli/Ufrgs




