Da Redação*
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a sabatina da TV Globo, nesta quinta-feira (27), para apresentar prioridades de um eventual quarto mandato, com destaque para desenvolvimento tecnológico, educação, segurança pública e exploração soberana das riquezas minerais brasileiras. Candidato à reeleição, ele também defendeu a recuperação dos Correios, apostou no crescimento econômico e anunciou avanços na redução da fila do INSS.
Uma das principais propostas apresentadas por Lula foi promover uma “revolução tecnológica” no país. O presidente apontou inteligência artificial, produção de chips e baterias, minerais críticos e terras raras como setores estratégicos para que o Brasil deixe de ocupar principalmente a posição de fornecedor de matérias-primas e avance na produção de bens de maior valor agregado.
Lula defendeu ainda a regulamentação da exploração dos minerais críticos e terras raras. O tema está entre as prioridades negociadas nesta semana com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta.
Educação e segurança entre as prioridades
Na educação, Lula destacou a expansão das universidades e dos institutos federais promovida durante seus governos e disse pretender ampliar fortemente o número de brasileiros com formação superior. Citou também Ceará e Piauí como exemplos de estados que, apesar das limitações econômicas, alcançaram resultados importantes na educação básica.
O presidente voltou a defender a PEC da Segurança Pública, que busca estabelecer de maneira mais clara as responsabilidades da União, dos estados e dos municípios. Lula afirmou que, depois da aprovação da proposta, pretende criar o Ministério da Segurança Pública e ampliar a coordenação nacional do enfrentamento ao crime organizado.
Na área econômica, sustentou que o crescimento é fundamental para melhorar a relação entre dívida pública e PIB. Lula também descartou categoricamente privatizar os Correios. Reconheceu os problemas financeiros da estatal, mas afirmou que a alternativa será modernizá-la, reduzir custos e, se necessário, estabelecer associações com outras empresas.
Sobre o INSS, anunciou que o governo apresentará na próxima semana novos números sobre a redução da fila para concessão de benefícios.
Investigações dominam parte da entrevista
Apesar da discussão sobre propostas, realizações e políticas públicas, parcela expressiva da sabatina conduzida por César Tralli e Renata Vasconcellos foi dedicada a investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente, especialmente seu filho, Fábio Luís Lula da Silva.
Diante da insistência no assunto, Lula chegou a ironizar que estava se sentindo diante do Ministério Público. Garantiu, porém, que não fará qualquer movimento para impedir as investigações da Polícia Federal e que o filho terá de responder caso algum ilícito seja comprovado, o contrário do que foi feito por outro mandatário.
O presidente aproveitou o episódio para recordar a Lava Jato, suas condenações posteriormente anuladas e os 589 dias em que permaneceu preso. Lula voltou a responsabilizar Sérgio Moro e Deltan Dallagnol pelo que considera uma perseguição judicial e cobrou da imprensa uma autocrítica pela cobertura da operação, incluindo o espaço dado ao PowerPoint apresentado pelo Ministério Público Federal contra ele.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Lula na sabatina do Jornal Nacional. Crédito: Radar Brasileiro

