O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (9), em São Paulo, um investimento de R$ 1,4 bilhão para a ampliação da infraestrutura e da capacidade produtiva do Instituto Butantan, maior produtor de vacinas e soros da América Latina. Os recursos serão destinados à construção de duas novas fábricas e à modernização de outras duas unidades, com foco na autonomia nacional na produção de imunobiológicos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A agenda contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além de autoridades estaduais, gestores do SUS e da direção do instituto. As obras integram o Novo PAC Saúde e fazem parte da política federal de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).
Autonomia sanitária e tecnologia de ponta
O pacote de investimentos busca garantir a produção nacional de soros, vacinas tradicionais e imunizantes de nova geração, incluindo aqueles baseados na tecnologia de RNA mensageiro (RNAm). Considerada uma das mais promissoras da biotecnologia contemporânea, essa plataforma permite respostas rápidas a emergências sanitárias e novas pandemias, com menor custo operacional e maior flexibilidade produtiva.
Do total anunciado, R$ 76,1 milhões serão aplicados diretamente na implantação da plataforma de RNAm, colocando o Brasil na vanguarda da inovação biotecnológica. Inicialmente, a tecnologia será utilizada no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 e a raiva, com potencial de aplicação futura em outras doenças, inclusive no enfrentamento do câncer.
Ao discursar, Lula destacou o papel do Estado na promoção da ciência e da inovação. Segundo o presidente, investir no Butantan significa fortalecer a capacidade do país de proteger a população e reduzir desigualdades, além de permitir que eventuais excedentes de produção possam atender países mais pobres da América Latina e da África.
Vacinação contra a dengue começa pelo SUS
O evento também marcou o início da vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da Atenção Primária, em todos os estados do país. A estratégia foi viabilizada a partir da vacina 100% nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan, a primeira do mundo em dose única e eficaz contra os quatro sorotipos do vírus.
Nesta primeira etapa, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) prevê a proteção de 1,2 milhão de trabalhadores do SUS que atuam na linha de frente. As primeiras 650 mil doses já foram enviadas aos estados, e novas remessas estão programadas para as próximas semanas. Ao todo, o Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses, com investimento federal de R$ 368 milhões.
A ampliação da vacinação para a população em geral, na faixa etária de 15 a 59 anos, está prevista para o segundo semestre de 2026, condicionada ao aumento da capacidade produtiva do instituto. A expectativa do governo é que, com uma parceria estratégica entre Brasil e China, incluindo transferência de tecnologia, a produção da vacina possa crescer em até 30 vezes.
Novas fábricas e produção de insumos estratégicos
Entre os principais projetos anunciados está a construção de uma nova planta para a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina contra o HPV, com investimento de R$ 495,9 milhões e capacidade estimada de 20 milhões de doses por ano. O avanço reduzirá significativamente a dependência de imunobiológicos importados e ampliará a proteção contra doenças associadas ao vírus, como o câncer do colo do útero.
Outro destaque é a nova unidade para produção do IFA da vacina DTPa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, com aporte de R$ 550,7 milhões e capacidade de fornecimento de até 6 milhões de doses anuais. A iniciativa garante maior segurança sanitária e previsibilidade no abastecimento do SUS.
O pacote inclui ainda investimentos de R$ 232,5 milhões na ampliação da unidade de produção de soros e área multipropósito. Com a modernização, o Butantan passará a produzir 1,2 milhão de frascos de soro concentrado por ano, podendo alcançar, após a conclusão das obras, a capacidade de 5,5 milhões de frascos de soro líquido e 440 mil frascos de soros e vacinas liofilizadas anualmente.
Desenvolvimento produtivo e fortalecimento do SUS
O governo federal destaca que a atuação de laboratórios públicos como o Instituto Butantan é central para a internalização de tecnologias estratégicas, por meio das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Atualmente, o instituto possui 14 projetos de PDP e do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local, além de 10 projetos no âmbito do Novo PAC, sendo oito com investimentos diretos do Ministério da Saúde.
Desde 2023, os investimentos federais no Complexo Econômico-Industrial da Saúde somam cerca de R$ 15 bilhões, com a formalização de 31 novas parcerias para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e insumos essenciais. Pelo Novo PAC, o Ministério da Saúde também prevê R$ 31,5 bilhões em obras, equipamentos e veículos para promover a expansão e a qualificação do SUS em todo o país.
Referência internacional em ciência e saúde pública, o Instituto Butantan responde pela maior parte dos soros hiperimunes utilizados no Brasil e produz 100% das vacinas contra a influenza usadas na Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. A ampliação anunciada reforça o papel estratégico da instituição na garantia do direito à saúde e na soberania sanitária do país.
Imagem destacada: Ricardo Stuckert / PR




