O mundo testemunhou em 2025 o período mais letal para a imprensa em mais de três décadas. Segundo o relatório anual do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado em Nova York, 129 profissionais morreram no exercício de suas funções — um teto histórico de violência desde o início dos registros, há mais de 30 anos.
Israel tornou-se o epicentro da tragédia no ano passado. Os dados revelam uma concentração de violência sem precedentes em um único conflito: das 129 vítimas totais, as Forças Armadas de Israel mataram 86 em ataques a elas atribuídos. A disparidade é brutal quando comparada a outros cenários de crise: o Sudão registrou nove mortes; o México, seis; a Rússia, quatro; e as Filipinas, três.
Impunidade como combustível
Para o CPJ, o recorde de mortes entre profissionais de redação não é um acidente, mas o resultado de uma “cultura persistente de impunidade”. O relatório afirma de forma contundente que a ausência de investigações sérias e transparentes, somada ao fracasso dos líderes globais em proteger civis, pavimenta o caminho para novos massacres.
“Ataques à imprensa são um dos principais indicadores de ataques a outras liberdades. Todos nós estamos em risco quando matam jornalistas por veicularem uma notícia”, alerta Jodie Ginsberg, presidente da organização.
Violação crônica do Direito Internacional
Embora o Direito Internacional Humanitário estabeleça que profissionais de imprensa são civis e nunca alvos deliberados, 2025 assistiu ao desmoronamento dessa salvaguarda. O relatório destaca que, além das zonas de guerra, países como Índia e México continuam agindo como “cemitérios de repórteres”, provando que a omissão estatal representa uma ameaça transnacional.
Foto montagem: Reprodução de O Globo





