Haddad chama Flávio Bolsonaro de ‘grave risco institucional’ e diz não conceber sua vitória

Em sabatina, o petista também falou sobre economia, Sabesp, segurança pública, câmeras policiais e educação.
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 14:30
Editado em 19 de agosto de 2026 às 14:06
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Da Redação*

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, elevou o tom contra Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (19), ao classificar a possibilidade de o senador chegar à Presidência da República como um “grave risco institucional”. Durante sabatina promovida por O Globo, CBN e Valor Econômico, o petista afirmou que não consegue conceber a hipótese de uma derrota de Luiz Inácio Lula da Silva para o candidato bolsonarista.

Haddad relacionou sua própria candidatura em São Paulo à estratégia nacional do PT. Questionado se disputar uma eleição estadual na qual aparece atrás do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) poderia prejudicar a campanha presidencial de Lula, sustentou justamente o contrário: considera que sua presença na corrida paulista pode fortalecer o projeto nacional.

— Eu penso que tem um projeto nacional e o Brasil corre um grave risco institucional, na minha opinião — afirmou. Ao se referir diretamente ao adversário de Lula, acrescentou que Flávio Bolsonaro representaria, em sua avaliação, riscos nos campos econômico, social e internacional.

O candidato petista reconheceu, ao mesmo tempo, a dificuldade da disputa paulista. Definiu o confronto com Tarcísio como uma espécie de “luta de Davi contra Golias” e destacou que o atual governador conseguiu reunir em torno de sua candidatura setores do Centrão e do bolsonarismo.

Haddad relativiza vantagem de Tarcísio

A pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho mostrou Tarcísio com 41% das intenções de voto, diante de 26% de Haddad, considerando margem de erro de dois pontos percentuais. Com um número menor de candidaturas neste ano, existe a possibilidade de a eleição paulista terminar ainda no primeiro turno.

Haddad, entretanto, procurou desvincular esse cenário da disputa presidencial. Lembrou que Lula já conseguiu vencer eleições nacionais mesmo quando o PT não levou a disputa paulista ao segundo turno.

O ex-ministro também respondeu às críticas sobre sua gestão na Fazenda. A oposição tem explorado o crescimento da relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto, que passou de 73,5% para 81,9% durante o período mencionado na sabatina. Haddad contestou a interpretação de que não houve contenção das despesas e argumentou que o início do governo Lula exigiu o pagamento de compromissos deixados pela administração anterior, citando precatórios e despesas relacionadas ao Bolsa Família.

Segundo ele, o esforço fiscal realizado durante sua gestão foi reconhecido internacionalmente. Haddad também voltou a defender a revisão de benefícios tributários concedidos a empresas, iniciativa que apresentou no governo federal e que pretende levar para São Paulo caso seja eleito.

No estado, afirmou que pretende examinar os incentivos fiscais “CNPJ por CNPJ”, para verificar se os benefícios concedidos efetivamente produzem retorno para a sociedade ou favorecem apenas as empresas contempladas.

Sabesp, segurança e câmeras policiais

A privatização da Sabesp também apareceu entre os temas da entrevista. Haddad afirmou perceber um “clamor” pela reestatização da companhia, mas evitou assumir compromisso imediato com a medida. Argumentou que desfazer uma privatização recente envolveria grandes dificuldades jurídicas e prometeu estudar alternativas para ampliar as salvaguardas oferecidas à população.

Na segurança pública, as críticas ao governo Tarcísio foram mais contundentes. Haddad defendeu a utilização de câmeras corporais pelas forças policiais e argumentou que o custo da tecnologia é pequeno quando comparado à possibilidade de preservar vidas de cidadãos e dos próprios agentes.

O petista também mencionou o crescimento da letalidade policial durante a atual administração e acusou Tarcísio de oscilar em suas posições sobre as câmeras. O governador chegou a defender a retirada dos equipamentos durante a campanha de 2022, mas posteriormente reconheceu que estava errado e passou a apoiar sua utilização com alterações tecnológicas.

Haddad reiterou ainda a proposta de criação de uma “agência antifacção”, destinada a integrar as polícias estaduais, órgãos federais e o Ministério Público no enfrentamento ao crime organizado. A intenção é instituir inicialmente a estrutura por iniciativa do Executivo e posteriormente torná-la permanente por meio de legislação aprovada pela Assembleia Legislativa.

Outra proposta apresentada é permitir o registro de determinadas ocorrências policiais pelo WhatsApp, numa tentativa de diminuir a subnotificação, especialmente de furtos e roubos de telefones celulares.

Concursos para professores e escolas cívico-militares

Na educação, Haddad defendeu a substituição gradual dos contratos temporários de professores por profissionais selecionados em concursos públicos. Ressalvou, porém, que a mudança não poderia ser feita imediatamente, diante do grande número de docentes atualmente contratados nesse regime.

Também se posicionou contra a expansão das escolas cívico-militares. Embora discorde do modelo adotado pelo governo Tarcísio, disse que não pretende simplesmente extingui-lo nas unidades onde já estiver funcionando. Sua proposta é consultar cada comunidade escolar sobre a manutenção ou não do sistema.

Durante a entrevista, Haddad foi questionado ainda sobre as três derrotas eleitorais consecutivas que sofreu: para João Doria na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016, para Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018 e para Tarcísio no governo paulista em 2022.

O petista afirmou não medir sua trajetória política apenas pelo número de vitórias e derrotas. Disse considerar mais importante a defesa do projeto político que representa e lembrou que outros nomes de projeção nacional, inclusive Lula, acumularam derrotas antes de conquistar eleições importantes.

Mesmo partindo em desvantagem contra Tarcísio, Haddad rejeitou a ideia de que sua candidatura represente um sacrifício eleitoral. Para ele, disputar São Paulo significa tanto apresentar uma alternativa ao atual governo estadual quanto participar de uma estratégia política mais ampla, diretamente relacionada à tentativa de reeleição de Lula.

Nesta quinta-feira (20), será a vez de Tarcísio de Freitas participar da sabatina promovida por O Globo, CBN e Valor Econômico.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração criada por IA. Crédito: RED

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