Usuários de plataformas como o WhatsApp e o Telegram estão redigindo postagens mais moderadas quando envolvem temas políticos e polêmicos. É o que mostra o InterLab e a Rede de Conhecimento Social (ReCoS) na pesquisa “Valores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens”. Esta é a quinta edição e o que verificaram é uma queda na média de participação em grupos, “o que reforça ainda mais o ambiente de saturação de interações”.
O WhatsApp é de longe o aplicativo que mais tem pessoas participando de grupos; 99,1% dos ouvidos na pesquisa assinalaram o uso dessa plataforma, seguida do Instagram, com 65%. Em 2024, ano que a pesquisa abrange, 54% do grupo de familiares (eram 65% em 2020) recorreram a esse aplicativo, vindo em seguida os grupos de amigos, com 53% (eram 67% no levantamento anterior), e de trabalho, com 38% (contra 45%). Também o grupo religioso ou de espiritualidade sofreu um desgaste, de 22% para 19%. De modo geral, as pessoas estavam, em 2024, em menos grupos do que nos anos anteriores.
O grupo de amigos é o que ainda mais discute assuntos políticos, com 24%, vindo a seguir o grupo das famílias, com 23%, do trabalho, com 11%, e apenas 8% no grupo de notícias. “No WhatsApp, embora apareçam notícias políticas nos grupos, há uma percepção de que as pessoas estão mais contidas em discutir sobre política, buscando segmentar os assuntos e priorizando o tema principal de cada grupo. Uma mudança de comportamento observada foi evitar discutir sobre política em alguns grupos, até mesmo entre aqueles que tinham comportamentos mais combativos nas discussões. Para algumas pessoas, o Telegram pode ser visto como lugar para discussão política sem censura”.
Ao longo dos anos, o receio de opinar sobre política tendo em vista o ambiente muito agressivo e carregado fica evidente para a metade dos entrevistados, e se consolidam os comportamentos para evitar conflitos nos grupos. Metade dos usuários afirmou policiar-se sobre o que fala nos grupos ou evitar completamente falas sobre política nesses espaços.
Quanto ao perfil da amostra, 30% tinham o ensino superior ou pós completos, 49% o ensino médio e 21% o fundamental; 10% eram da classe A, 31% da classe B, 42% da classe C e 18% da D/E; 18% se declararam de esquerda, 21% de centro, 33% de direita e 26% disseram que não tinham posicionamento; 41% dos respondentes eram católicos, 18% evangélicos protestantes, 11% evangélicos pentecostais/neopentecostais, 15% outras religiões e 16% sem religião. Já em relação a valores, 19% se definiram como muito conservadores, 17% conservadores, 16% como progressistas, 24% como muito progressistas e 24% sem posicionamento.
Para a pesquisa foram ouvidas 3.113 pessoas nas cinco regiões do Brasil, entre os dias 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024, logo após as eleições municipais
Foto de capa: Reprodução | IA





