Da Redação*
O crescimento, nas campanhas da extrema-direita, do discurso favorável ao impeachment de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) não preocupa Gilmar Mendes. Decano da Corte, o ministro avaliou esta semana que transformar tal promessa eleitoral em medida concreta encontraria obstáculos consideráveis dentro das próprias instituições.
Ao conversar com jornalistas depois de um evento em Brasília, Gilmar relacionou a presença do tema nas campanhas ao possível retorno eleitoral proporcionado pela proposta. Para ele, pesquisas provavelmente mostram que a defesa da destituição de ministros possui apelo junto a uma parcela dos eleitores.
O magistrado ressaltou, porém, a distância entre defender a medida durante uma eleição e conseguir executá-la posteriormente no Senado. Perguntado se as promessas o preocupavam, respondeu negativamente e recorreu a uma metáfora: disse ser como “um enfermeiro que já viu sangue” e, por isso, não se impressionar com manifestações deste tipo.
Extrema-direita busca ampliar força no Senado
A destituição de ministros do Supremo ganhou espaço na estratégia eleitoral da extrema-direita e é defendida pelo candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. A composição das candidaturas ao Senado apoiadas pelo grupo também reflete essa prioridade.
Flávio divulgou apoio a 47 candidatos nas 27 unidades da Federação. Levantamento da Folha de S.Paulo apontou que pelo menos 39 deles, equivalentes a 83%, já se manifestaram a favor do impeachment de integrantes do STF, especialmente Alexandre de Moraes.
Em outubro, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado. Uma eventual condenação de ministro do Supremo em processo de impeachment exige o voto de dois terços dos senadores, exatamente 54 parlamentares.
Moraes, jornalismo e eleições
Na mesma entrevista, o decano defendeu a atuação de Alexandre de Moraes no caso envolvendo buscas contra informantes do maranhense Luís Pablo – que é blogueiro e não jornalista diplomado –, que realizou postagens relacionadas ao ministro Flávio Dino. Gilmar argumentou que prerrogativas profissionais não são absolutas quando existem indícios de possíveis práticas criminosas. Neste caso, colocaram em risco a integridade e a vida de Dino e familiares.
Gilmar também demonstrou confiança no sistema eleitoral brasileiro e disse não esperar uma ofensiva dos Estados Unidos contra o processo eleitoral. Lembrou que missões da Organização dos Estados Americanos (OEA) já acompanharam eleições no país e atestaram a segurança e a integridade do sistema eletrônico de votação.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Gilmar Mendes. Crédito: reprodução BBC

