Por Solon Saldanha *
Em meio a uma crise de capital desencadeada por operações com o Banco Master, a gestão de Ibaneis Rocha busca empréstimo bilionário para assegurar a continuidade do BRB; prazo para apresentação de solução ao Banco Central termina na próxima terça-feira.
O Governo do Distrito Federal (GDF) formalizou, na última terça-feira (24), um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida visa recompor o capital do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta um grave desequilíbrio financeiro após o surgimento de um rombo em operações vinculadas ao Banco Master. A iniciativa ocorre após a sanção, no último dia 10, de uma lei que autoriza o Executivo local a contratar até R$ 6,6 bilhões em crédito para o salvamento da instituição.
No documento enviado ao FGC, o governador Ibaneis Rocha (MDB) justifica a necessidade dos recursos para garantir a continuidade de serviços financeiros essenciais, apoiar políticas públicas e preservar a liquidez do banco. O BRB tem um prazo exíguo — até o dia 31 de março — para apresentar ao Banco Central (BC) um plano de saneamento que cubra as brechas em seu balanço e estabilize sua operação.
Os objetivos da capitalização
A administração distrital elencou quatro pilares fundamentais para a operação de crédito:
- Resiliência: Elevar a posição de capital para suportar choques financeiros.
- Confiança: Mitigar riscos de contágio e fortalecer a imagem junto a investidores e depositantes.
- Liquidez: Manter ativos e passivos em níveis compatíveis com a estratégia do banco.
- Estabilidade: Contribuir para a segurança do Sistema Financeiro Nacional.
Garantias e entraves fiscais
O recurso ao FGC expõe a fragilidade fiscal do Distrito Federal, que encerrou 2025 com déficit de R$ 1 bilhão. Sem capacidade de pagamento (Capag) suficiente para obter garantias do Tesouro Nacional — o que reduziria os juros da operação —, o GDF ofereceu como garantia participações acionárias em empresas públicas como a Caesb (saneamento), a CEB (energia) e o próprio BRB, além de um portfólio imobiliário.
Entretanto, o uso desses ativos enfrenta obstáculos jurídicos e ambientais. Dos nove imóveis listados, o mais valioso é a Serrinha do Paranoá (avaliada em R$ 2,3 bilhões), cuja utilização foi proibida pela Justiça no último domingo (22) por se tratar de um manancial hídrico. Outro ativo polêmico é o Centro Administrativo (Centrad), que permanece sem uso há 12 anos devido a impasses legais.
Condições do empréstimo e o “Caso Master”
A proposta enviada ao FGC prevê carência de 18 meses e pagamentos semestrais, com remuneração atrelada ao CDI mais um spread a ser definido. Paralelamente, o Palácio do Buriti afirma estar elaborando um plano de negócios e diagnóstico de riscos para acompanhamento da governança.
A crise do BRB foi agravada pela compra de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados sem lastro adequado (falsificados) do Banco Master. Embora o BRB afirme ter recuperado parte do valor, o montante necessário para provisões de reserva financeira é de R$ 8,8 bilhões, enquanto uma auditoria independente estima que o rombo em carteiras suspeitas possa chegar a R$ 13,3 bilhões.
Pressão do Banco Central
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou na quinta-feira (26) que a autoridade monetária não pretende conceder prazos extras para a divulgação dos resultados de 2025 do BRB. Galípolo ressaltou que, embora a gestão do banco esteja empenhada, a solução é de natureza patrimonial e cabe ao acionista controlador — o GDF — fornecer o aporte necessário para evitar o colapso da instituição.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Ilustração: caricatura de Ibaneis Rocha. Crédito: reprodução O Hoje




