Galípolo atuou como advogado de Roberto Campos Neto

Última edição em abril 9, 2026, 02:51

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Com Gabriel Galípolo atuando na sua defesa na CPI do Crime Organizado, Roberto Campos Neto pode dispensar serviços advocatícios e, assim, poupar bastante dinheiro.

Respondendo aos senadores, Galípolo foi taxativo: – “não há nenhum processo de auditoria ou sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto” no caso Master.

Como destacou o deputado Lindberg Farias/PT-RJ, “se dependesse apenas das auditorias e sindicâncias internas do Banco Central, Paulo Sérgio e Beline Santana, servidores do BC com chefia na área de supervisão bancária indicados por Roberto Campos Neto e que colaboraram com as fraudes no Master, não estariam de tornozeleira eletrônica”.

Foi durante a presidência de Campos Neto no Banco Central e a gestão de Paulo Guedes no ministério da Fazenda que a pirâmide financeira do Daniel Vorcaro se criou e se expandiu.

O afrouxamento de regras do sistema financeiro e a desregulação dos fundos de investimentos criaram o ambiente fértil para máfias do estilo Master, assim como para a atuação do crime organizado na Faria Lima.

É muito nítida a relação entre o crescimento exponencial do poder financeiro e dos tentáculos políticos de Daniel Vorcaro e o governo fascista-militar com Bolsonaro.

Depois de pelo menos dois anos analisando o pedido de transferência do controle do Banco Máxima para Daniel Vorcaro, em fevereiro de 2019 o Departamento de Organização do Sistema Financeiro negou o pedido, por descumprimento de exigências técnicas e legais.

Entretanto, após Campos Neto assumir a presidência do BC [fevereiro/2019], Vorcaro voltou a protocolar novo pedido para obter o controle do Máxima. Isso aconteceu em abril de 2019.

Seis meses depois, em outubro de 2019, Vorcaro finalmente obteve a autorização, mesmo sem superar as pendências levantadas pelos técnicos durante dois anos.

E, em julho de 2021, em nova facilidade assegurada pelo BC, Vorcaro foi autorizado a rebatizar o Máxima como Banco Master para se reposicionar no mercado “como um banco múltiplo e digital, focado em crédito consignado e estruturado”.

Esta operação não poderia ter sido autorizada, pois desde abril de 2020 existia um mandado de prisão contra Daniel Vorcaro por fraudes e desvios em institutos de previdência de municípios investigados na Operação Fundo Fake, da PF.

jornalista Mariana Barbosa/UOL lembrou que Vorcaro “ficou foragido, entrou com habeas corpus – até que em 2021 uma decisão da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do TRF da 1ª Região, impediu que ele fosse denunciado criminalmente”.

Hoje se sabe que Campos Neto foi no mínimo leniente em relação às inúmeras denúncias e alertas sobre a atuação temerária do Master, inclusive do Fundo Garantidor de Crédito. No entanto, ele permitiu a continuidade deste esquema criminoso que pode alcançar a casa dos 100 bilhões de reais em desfalques.

Não há nenhum pré-julgamento, mas esta absolvição prévia do Campos Neto pelo Galípolo é no mínimo precipitada. O ex-presidente bolsonarista do BC tem muito a se explicar. Ele não poderá fugir dos esclarecimentos à justiça e à polícia como fugiu das três convocações da CPI.

Quem também tem muito a festejar com o depoimento do Galípolo é a oposição [sobretudo a bolsonarista] e aquela mídia anti-Lula, que faz powerpoint incriminando Lula pelos escândalos genuinamente bolsonaristas do INSS e do Master.


Foto de capa: Reprodução internet

Originalmente publicado em seu blog.

Sobre o autor

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Jeferson Miola
Jornalista.

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