Galápagos: onde sobreviver é resistir e evoluir (Parte 1)

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Por VICENTE RAUBER*

A mil km a oeste da costa do Equador, na linha do Equador, encontramos uma extraordinária raridade ambiental do planeta.

Arquipélago de Galápagos foi literalmente “nascido do fogo” decorrente do movimento das placas tectônicas Nazca. Nestas terras áridas sobre lavas dos vulcões e enfrentando ataques europeus e norte-americanos, resistem, evoluem e sobrevivem animais e plantas únicas, num belíssimo ambiente natural.

Em Galápagos, o naturalista, geólogo e biólogo britânico Charles Darwin iniciou a teoria da evolução.

Charles Darwin – Crédito: Arquivo pessoal

Darwin já o disse. Após rodar pelo mundo, em especial na América do Sul, em 1835, verificou como os animais galápagos e outros, naquele ambiente adverso, evoluíam para sobreviver. Daí para frente desenvolveu a teoria do darwinismo.

Vulcão Cotopaxi – Crédito: Arquivo pessoal

Os vulcões possuem um papel fundamental na formação geológica latino-americana. América Central e parte do Caribe foram formados pelas lavas vulcânicas.

Até o Brasil já teve vulcões há muito tempo.

Atualmente a placa tectônica sob a Cordilheira dos Andes, Nazca, continua em movimento e seus vulcões estão ativos, podendo realizar erupções. No Equador, incluindo Galápagos, há um serviço meteorológico que previamente emite alertas para evacuação das regiões passíveis de serem atingidas por lavas.

O nome Galápagos refere-se a tartarugas gigantes, típicas da região. Em espanhol, galápago é uma sela de montar cujo desenho é semelhante ao casco destas tartarugas.

Foi este o animal mais observado por Darwin, para iniciar a sua teoria.

As ilhas Galápagos também são decorrência da Placa Nazca, que se movimenta lentamente no sentido leste/sudeste, que abasteceu (e ainda abastece) os vulcões formadores destas ilhas. As ilhas mais a oeste são as mais antigas, de milhões de anos. As mais jovens, de “apenas” um milhão de anos estão no leste e são Fernandina e a formidável Isabela.

Galápagos (tartarugas gigantes), lobos-marinho, iguanas, tubarões, pinguins de águas quentes, atobás, pelicanos, flamingos, aqui são espécies únicas e resistem e evoluem para sobreviver.

A formação de Galápagos é fundamentalmente de rochas basálticas. Nas áreas baixas, a vegetação é rara, nas partes superiores há um verde mais desenvolvido e é onde há agricultura e pastoreio (cabras, gado e ovelhas), além das reservas naturais. Também sobre as montanhas há lagos formados pelas chuvas, cuja água, juntamente com a água de poços artesianos, é distribuída na canalização pública, com algum tratamento, mas sem potabilidade. Água potável é vendida em garrafões de água dessalinilizada por empresas privadas.

O Arquipélago é constituído por 13 grandes ilhas e 7 ilhas menores, além de mais de 100 ilhotas e rochedos. Apenas quatro ilhas possuem habitantes.

Galápagos – Crédito: Arquivo pessoal

O Arquipélago é uma província, cuja principal autoridade é um ministro indicado pelo presidente da República, a quem responde. Cada uma das três ilhas principais possui um “alcalde” (prefeito) e vereadores eleitos.

Iguana – Crédito: Arquivo pessoal

A capital é San Cristóbal (8.300 habitantes), que também vincula a Ilha Floreana. Em todas as ilhas há muitos lobos-marinho que ocupam as escadas por todos os lugares, sendo necessário pedir licença a eles para passar.

Tubarão filhote – Crédito: Arquivo pessoal

Aqui, junto à praia, em pleno centro, com iluminação pública, mais de uma centena deles fazem seu dormitório. Mas antes ocorre uma disputa/negociação para definir, entre eles, quem dorme com quem, podendo ser grupos de dois ou vários.

Santa Cruz (12.000 a 17.000 habitantes) é a ilha mais estruturada, que também sedia a Estação Científica Charles Darwin, principal centro de pesquisa biológica e conservação de Galápagos, operada e mantida pela Fundação Charles Darwin.

Loba-marinha amamentando seu filhote – Crédito: Arquivo pessoal

Na “guria” Isabela (1.700 a 3.000 habitantes) é possível encontrar praticamente todos os animais e vegetais em preservação no Arquipélago. Iguanas são encontráveis em grupos de 100 ou mais. É também o reinado das aves, incluindo a famosa “pata azul”. Nos mergulhos (snorkel, máscara e pé-de-pato) encontram-se pinguins de águas quentes, tubarões e peixes e anfíbios do Arquipélago.

Suas praias tranquilas, com águas nem tão frias, disputam beleza e atratividade com as praias caribenhas.

Pinguim de águas quentes – Crédito: Arquivo pessoal

Floreana, de forte participação feminima, foi o início da população permanente

A Ilha Floreana é onde a habitação de Galápagos começou, com estabelecimento permanente. Teve forte e importante participação feminina.

O marinheiro irlandês (1805) Patrick Watkins é considerado o primeiro habitante.

O casal alemão Heinz e Margret Wittmer geraram o primeiro ser humano nascido em Galápagos, em 1º de janeiro de 1833, chamado Rolf Wittmer.

Atobá “pata azul” – Crédito: Arquivo pessoal

Floreana teve vida agitada e misteriosa (talvez real). Como exemplo cita-se a chegada da Baronesa Eloise von Wagner de Bosquet com seus dois amantes e desaparecida misteriosamente com eles. É local inspirador de filmes. Tudo diferente da atual e pacata ilha de 150 habitantes.

Aeroporto Ecológico de Galápagos – Seymor – Crédito: Arquivo pessoal

Cabe uma menção especial à Ilha de Baltra, ilha completamente desértica com arbustos, onde localiza-se o Aeroporto Ecológico Galápagos – Seymor, o 1º do mundo, autosustentável (certificação LEED Gold), pertencente a Santa Cruz e um porto marítimo.

Os EUA ocuparam fortemente Galápagos durante a 2ª Guerra Mundial, agora certamente Donald Trump vai requisitá-la…

O local foi ocupado pelos EUA, entre 1941-1945, para sua base militar estratégica na região visando proteger o Canal do Panamá.

Os EUA colocaram na região, além de Baltra, em San Cristóbal principalmente, pistas de pouso, quartéis, tanques de armazenamento, oficinas, bunkers, radares, postos de observação e mais de 10.000 soldados. Aproveitaram a geografia da região para treinamento e simulações de bombardeio.

Após a Guerra, em 1946, o controle da região foi devolvido ao Equador. Mas certamente, a seguir, Trump dirá que os EUA deram Galápagos de presente ao Equador e que agora precisam dela de volta…

Pelicano – Crédito: Arquivo pessoal

Galápagos pertence ao Equador. Este país tornou-se independente da Espanha em 24 de maio de 1822, na Batalha de Pichincha. Em 12 de fevereiro de 1832 conseguiu incorporar o Arquipélago de Galápagos.

O Equador situado junto à costa do Pacífico, atravessado pela Cordilheira dos Andes e possui uma área e população semelhantes ao RS e SC, em torno de 18 milhões de pessoas.

O Equador é completamente norte-americanizado

É um país com enorme influência norte-americana: a moeda é o dólar americano (USD), a ampla maioria dos visitantes são dos EUA (a língua dominante nos roteiros turísticos é o inglês), consumo de muitos produtos norte-americanos, especialmente os enormes carrões. A China também marca presença com carrões da GWM e BYD. Os elétricos chineses também estão chegando aos poucos. Na Ilha de Santa Cruz predominam os carros da Japonesa Toyota.

Flamingo – Crédito: Arquivo pessoal

O país produz roupas de muito boa qualidade com lã de alpacas, animal andino.

Exporta camarões, petróleo, cacau e cafés especiais para os EUA, em primeiro lugar, e para a China em segundo.

O salário-mínimo é de USD 465,50% a mais que o nosso. Segundo taxistas e guias, o desconto social é de 20%, a saúde pública é insuficiente, mas o ensino básico e superior é bom. Os preços de produtos básicos, incluindo frutas e verduras, em supermercados e mercados públicos, são semelhantes aos nossos.

Lição para aperfeiçoar nosso turismo

As cidades visitadas são bem estruturadas. Os locais de comércio estão bem organizados. Os pisos, tanto internos como externos (calçadas) são excelentes. Se lembrar dos passeios públicos de Porto Alegre, chora!

O povo é gentil, atencioso e amável. Poderíamos ser um pouco mais humildes e aperfeiçoar nosso turismo com eles.

Num artigo próximo vamos relatar como Darwin chegou em Galápagos, os ataques e explorações a Galápagos, antes e depois de Darwin, que quase liquidaram a vida animal e vegetal. E agora, como está sendo a recuperação desde 1950, tendo Galápagos conseguido ser o primeiro local natural a ser declarado Patrimônio Mundial da Unesco, em 1978, pela sua biodiversidade e seu papel no desenvolvimento da teoria da evolução. Até lá!


Publicado originalmente em Brasil de Fato.

*Vicente Rauber é engenheiro especialista em Planejamento Energético e Ambiental e ex-diretor do DEP (Departamento de Esgotos Pluviais), DEMHAB (Departamento Municipal de Habitação), CEEE, Petrobras/Refap e Banrisul

Foto de capa :Galápagos: uma extraordinária raridade ambiental do planeta | Arquivo pessoal

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