Com comícios flopados; Faria Lima cética; pesquisas estagnadas; deserção do Centrão; apoio acanhado de lideranças do porte de Silas Malafaia e Nikolas Ferreira; criticado pelos concorrentes da direita; apoiado por líderes internacionais com baixíssima aprovação interna e elevada rejeição externa, como Trump e Milei; resta a Flavio Bolsonaro apenas o apoio expresso da mídia venal e do fanatismo delirante dos saudosistas do regime militar.
Com limitado apoio político-partidário e com os fantasmas do seu passado parlamentar assombrando a candidatura, a tendência é de que Flávio Bolsonaro faça uma campanha baseada na exasperação. Um vale-tudo ilimitado, aético, com foco no populismo e na proliferação de factoides.
Dada a sua comprovada limitação intelectual e a afamada suspeição moral, resta saber se será derrotado por Lula no primeiro ou no segundo turno. Ou alguém tem dúvida de que se o pleito correr dentro da legalidade o petista, por tudo que representa e realizou em prol do país, terá a predileção da maioria dos eleitores?
Mas não nos iludamos, nessa caminhada rumo às urnas não serão poucos os danos praticados pelos representantes do autoritarismo. Proliferação de fake news, influenciadores comprados a rodo, apelos patéticos por intervenção dos EUA, dramatização da saúde de Jair Bolsonaro, pregação política descarada nas igrejas pentecostais, ataques à confiabilidade das urnas eletrônicas, compra de pesquisas fraudulentas, atos e ameaças terroristas e muito mais.
Não é exagero admitir que estamos diante de uma eleição decisiva para a democracia e para a soberania do país. De um lado os representantes da extrema-direita, fascistas por natureza e convicção, os entreguistas por interesse e os negacionistas. Do outro lado as forças progressistas, que defendem a igualdade social, os direitos humanos e o avanço científico.
Basta ver o critério adotado para a escolha dos representantes do atraso – ser filho de Jair Bolsonaro – para entender o que realmente importa para a famíglia: poder político ilimitado. Objetivamente, as intenções de Flávio Bolsonaro são muito claras: indulto do pai e dos golpistas do oito de janeiro; composição de uma maioria no Senado; domínio do STF mediante impeachment de Alexandre de Moraes e nomeação de quatro novos ministros, formando maioria bolsonarista na Suprema Corte; acabar com os programas sociais e os direitos trabalhistas, entregar as riquezas minerais para o capital estrangeiro e outros disparates.
Resta confiar no poder de fiscalização da justiça eleitoral, apesar das suspeitas que recaem sobre a atuação do presidente e do vice-presidente do TSE, ambos indicados por Jair Bolsonaro; na eficácia da Polícia Federal e, principalmente, na atuação ativa, célere e combativa da militância de esquerda.
Foto de capa: Vittor Sales


