Da REDAÇÃO
Greve geral contra abusos do ICE paralisa os Estados Unidos
Os Estados Unidos viveram nesta sexta-feira (30) uma das maiores jornadas de protestos dos últimos anos. Uma greve geral, acompanhada de atos de rua em 46 estados, paralisou escolas, universidades, serviços e parte do comércio em protesto contra a atuação violenta do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE. O estopim foram dois homicídios ocorridos em Minneapolis, atribuídos a agentes federais durante operações recentes.
Organizadores estimam cerca de 250 manifestações simultâneas, sob o lema “Sem trabalho. Sem escola. Nada de compras. Parem de financiar o ICE”, com adesão expressiva em cidades como Nova York, Los Angeles, Chicago, Washington e Minneapolis.
Minnesota no centro da crise
Em Minneapolis, epicentro da mobilização, dezenas de milhares de pessoas enfrentaram temperaturas negativas para ocupar as ruas. A revolta aumentou após as mortes de Alex Pretti e Renee Good, ambos cidadãos norte-americanos, baleados em ações do ICE neste mês.
Bairros inteiros da cidade registraram marchas com forte presença de professores, funcionários de escolas e estudantes. “Eu moro aqui e não acho que nosso governo deva nos aterrorizar dessa forma”, afirmou a engenheira Sushma Santhana, de 24 anos, em entrevista à AFP.
Escolas fechadas e universidades mobilizadas
A paralisação teve impacto direto no sistema educacional. Da Califórnia a Nova York, professores e alunos abandonaram salas de aula para aderir aos protestos. Em Aurora, no Colorado, escolas públicas anteciparam o fechamento diante da previsão de ausência em massa. Em Tucson, no Arizona, ao menos 20 escolas cancelaram as aulas.
Em Chicago, estudantes da DePaul University espalharam cartazes com mensagens como “fascistas não são bem-vindos aqui”. No Brooklyn, em Nova York, jovens organizaram marchas específicas contra a política migratória federal.
Repressão federal e retórica de confronto
Diante da dimensão dos atos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou o envio de cerca de 3 mil policiais federais a Minneapolis, equipados com armamento tático. Segundo a agência AFP, o contingente é cinco vezes maior que o efetivo regular do Departamento de Polícia local.
Apesar de sinais recentes de “desescalada”, com declarações do enviado Tom Homan sobre possível redução das batidas, Trump endureceu o discurso. Em declarações públicas, classificou os manifestantes como “insurgentes” e “agitadores financiados”, acusando a presença de “rebeldes profissionais” nos protestos.
Poder ampliado do ICE preocupa juristas
No mesmo dia das manifestações, o New York Times revelou um memorando interno do ICE que ampliou significativamente os poderes da agência. Segundo o jornal, agentes de menor escalão passaram a ter autorização formal para deter imigrantes indocumentados, uma mudança que especialistas em direitos civis consideram um risco adicional de abusos.
Organizações de defesa dos direitos humanos alertam que a combinação de maior poder discricionário, retórica agressiva do governo federal e uso intensivo de forças de segurança cria um ambiente de intimidação, especialmente para comunidades migrantes e negras.
Mobilização deve continuar
Redes de movimentos sociais e sindicatos já articulam novas paralisações e atos para as próximas semanas. A pressão é para que o Congresso revise as atribuições do ICE e investigue os episódios de violência em Minneapolis.
A crise reacende o debate sobre imigração, segurança pública e limites do poder federal, em um país ainda marcado por profundas divisões políticas e sociais.
Ilustração da capa: Abolish ICE – Imagem gerada por IA ChatGPT.




