EUA atacam a Venezuela, prendem Maduro e abrem crise internacional

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Invasão da Venezuela e prisão de Nicolás Maduro e sua esposa - Imagem gerada por IA ChatGPT

Da REDAÇÃO

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos realizaram uma operação militar de grande escala contra a Venezuela, bombardeando pontos estratégicos na capital Caracas e em outras regiões do país. O presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças norte-americanas e levados para fora do território venezuelano. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, ambos estão sob custódia e deverão responder na Justiça norte-americana por crimes ligados ao narcotráfico e ao terrorismo.

A operação representa a ação militar mais intensa dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989. A ofensiva causou cortes de energia em diversas áreas de Caracas e levou o governo interino venezuelano a decretar estado de emergência e exigir provas de vida do casal presidencial.

Justificativas e interesses dos EUA

A captura de Maduro não foi um evento isolado. Desde 2020, os Estados Unidos acusam o presidente venezuelano de liderar o chamado “Cartel de los Soles”, organização envolvida no tráfico internacional de drogas. Em 2025, o Departamento de Estado norte-americano classificou o governo de Maduro como organização terrorista. A operação militar foi justificada como uma resposta à suposta ameaça direta à segurança dos EUA.

Mas os interesses norte-americanos vão além do combate ao narcotráfico. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Em meio à crescente disputa global por fontes de energia, especialmente frente à influência da China e da Rússia na América Latina, os EUA demonstram interesse em garantir acesso privilegiado aos recursos venezuelanos. Além disso, Washington busca frear o avanço de alianças políticas antiocidentais na região e reafirmar sua hegemonia hemisférica.

A ação remete aos procedimentos adotados pelos Estados Unidos durante a invasão do Iraque em 2003. À época, o governo norte-americano justificou a ofensiva com base em uma falsa alegação de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. A ocupação resultou na prisão e posterior execução de Hussein, também acusado de liderar um regime ditatorial. Naquele momento, o Iraque havia recém-descoberto um dos maiores campos de petróleo do mundo e havia estatizado suas reservas, contrariando diretamente os interesses estratégicos e energéticos dos EUA. Embora Maduro, assim como Hussein, seja amplamente criticado por práticas autoritárias, a condução unilateral dessas intervenções por parte dos EUA extrapola os limites das ações admissíveis no direito internacional e representa uma ameaça direta à soberania das nações.

O uso de uma operação militar direta — sem o aval prévio de organismos multilaterais como a ONU ou a OEA — levanta críticas quanto à legalidade e à motivação real da ação. Especialistas apontam que a retórica de combate ao narcotráfico serve como justificativa estratégica para reposicionar a presença norte-americana na América do Sul.

Reação internacional

A resposta da comunidade internacional foi imediata. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os ataques como “uma afronta à soberania da Venezuela” e alertou para o risco de instabilidade na região. Ele afirmou que a ONU precisa se posicionar com firmeza diante da escalada e colocou o Brasil como potencial mediador para uma solução pacífica.

Colômbia, México e Chile também criticaram a ação, exigindo respeito ao direito internacional. O presidente colombiano Gustavo Petro mobilizou tropas para a fronteira diante da possibilidade de fluxo migratório em massa. Já o presidente argentino Javier Milei foi um dos poucos na região a apoiar abertamente a intervenção, classificando-a como um passo necessário para restaurar a democracia na Venezuela.

Organismos multilaterais como a ONU e a OEA expressaram preocupação com a legalidade da operação. A ONU pediu garantias sobre a integridade física de Maduro e Cilia Flores e convocou sessões de emergência no Conselho de Segurança. A União Europeia adotou uma postura cautelosa, pedindo mais informações sobre a operação antes de emitir um posicionamento definitivo.

Rússia e China foram mais enfáticas: denunciaram a ação como uma violação da soberania venezuelana e acusaram os EUA de impor uma política de força para moldar governos estrangeiros a seus interesses geopolíticos. Ambos os países têm interesses estratégicos e econômicos na Venezuela, incluindo investimentos em infraestrutura e fornecimento de energia.

Impactos para o Brasil e a América do Sul

A investida norte-americana altera o tabuleiro político da América do Sul. O Brasil, que tem eleições programadas para outubro de 2026, pode ser pressionado a se posicionar com mais firmeza em um cenário de polarização crescente. O tema da soberania regional, das alianças internacionais e do papel do país em crises diplomáticas deve ganhar centralidade no debate eleitoral.

A presença militar dos EUA em território sul-americano é vista com preocupação por setores diplomáticos brasileiros, que temem a abertura de precedentes para novas intervenções em outros países. Essa ofensiva escancara a vulnerabilidade das democracias latino-americanas frente ao poderio militar de potências externas e desafia diretamente os princípios de autodeterminação dos povos consagrados no direito internacional.

Além disso, há risco real de aumento dos fluxos migratórios vindos da Venezuela, o que pode afetar estados fronteiriços como Roraima, já historicamente sobrecarregados. Internamente, o Brasil pode enfrentar pressões para rever sua política externa, fortalecer sua defesa nacional e repensar seus acordos de segurança regional.

A tensão internacional ocorre num momento de enfraquecimento de organismos multilaterais, como a CELAC e a UNASUL, o que dificulta uma articulação regional coesa diante de crises como essa. O Brasil, pelo seu peso político e diplomático, é um dos poucos países com capacidade de liderar uma resposta regional efetiva.

Rearranjo geopolítico

O ataque marca um novo capítulo da disputa por influência nas Américas. Com a prisão de Maduro, os EUA reforçam sua posição como ator dominante no hemisfério ocidental. Em contrapartida, países do sul global começam a articular uma reação para conter a escalada militar e defender o multilateralismo.

Há, ainda, o risco de que a ação crie um precedente para o uso unilateral da força em outras regiões em crise. A captura de um chefe de Estado em exercício, sem autorização internacional, desafia normas diplomáticas consolidadas desde a Segunda Guerra Mundial. Isso pode enfraquecer ainda mais o papel da ONU e incentivar ações similares por outras potências em seus respectivos “espaços de influência”.

O Brasil, pela sua dimensão territorial, econômica e posição geopolítica estratégica, pode e deve desempenhar papel relevante como mediador regional e defensor da legalidade internacional. Para isso, precisará manter autonomia diplomática, resistir à pressão de alinhamentos automáticos e fortalecer sua articulação com outros países latino-americanos. Ao mesmo tempo, será necessário investir em mecanismos de defesa da soberania regional para evitar que novas intervenções se tornem uma prática aceita ou recorrente no continente.


Ilustração da capa: Invasão da Venezuela e prisão de Nicolás Maduro e sua esposa – Imagem gerada por IA ChatGPT

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Respostas de 4

  1. O que mancha qualquer ação dos EUA é o interesse econômico envolvendo a maior riqueza da Venezuela, o petróleo. Sabemos que o ônus da intervenção ficará com o povo da Venezuela e o bônus, na forma de capital financeiro, com os EUA, além de uma ínfima parcela de poucos privilegiados da classe rica venezuelana.

  2. Que a extrema direita brasileira deixe de ser “ingênua” e subserviente ao imperialismo norteamericano. Temos que defender veementemente a soberania não só do Brasil como de qualquer país do mundo, principalmente da América latina!

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