Por SOLON SALDANHA*
Washington critica decisão judicial que limita fiscalização sobre megaprojeto financiado pela China; embaixador classifica cenário como “muito perigoso”.
O governo dos Estados Unidos manifestou preocupação com a crescente influência da China na infraestrutura da América Latina, centrando o foco no Porto de Chancay, no Peru. O alerta surge após uma decisão judicial peruana que restringe o poder de fiscalização do Estado sobre as operações no terminal, financiado por capitais chineses.
Limitação de fiscalização gera alerta
No final de janeiro, um tribunal de Lima determinou que o Ositrán (órgão regulador de investimentos em infraestrutura de transporte do Peru) está impedido de supervisionar, inspecionar ou aplicar sanções às atividades dentro do porto.
Em entrevista à imprensa local, o embaixador dos EUA em Lima, Bernie Navarro, classificou a falta de controle estatal como “muito perigosa”. “Os Estados Unidos jamais permitiriam que um terceiro país administrasse ativos críticos em nosso território”, afirmou o diplomata.
Disputa geopolítica e “Diplomacia Comercial”
O Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA reagiu prontamente, reiterando o receio de que o Peru perca a soberania sobre um de seus principais ativos logísticos. O caso é lido por analistas como mais um episódio da disputa de influência entre Washington e Pequim na região.
Navarro destacou que a estabilidade do Peru é chave para o continente e reforçou as diretrizes da gestão de Donald Trump:
- Prioridade: Ampliação da “diplomacia comercial” com o governo peruano.
- Investimentos: O embaixador ressaltou que empresas americanas buscam ambientes políticos previsíveis para aportar capital no país.
- Segurança Nacional: Washington vê o controle chinês sobre portos de águas profundas como um risco potencial à segurança hemisférica.
Importância Estratégica
O Porto de Chancay é considerado um dos maiores projetos de infraestrutura da América do Sul, desenhado para ser um hub logístico que conectará diretamente o continente ao mercado asiático, reduzindo drasticamente o tempo de transporte marítimo.
*Solon Saldanha é Jornalista e escritor.
Foto de capa: Porto de Chancay |Marcos Vicente SECON.




