Entre a convicção e a responsabilidade: o desafio da unidade progressista no RS

Última edição em abril 10, 2026, 02:10

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Texto do seu parágrafo (18)

Nos momentos decisivos da política, há duas posturas possíveis: a omissão confortável ou o posicionamento responsável, ainda que ele seja incômodo. Ao longo da minha trajetória, optei sempre pela segunda. E é a partir desse compromisso que volto a me manifestar sobre a conjuntura eleitoral no Rio Grande do Sul.

Defendi — e sigo defendendo — que a pré-candidatura de Edegar Pretto representava a melhor tática eleitoral para o campo progressista gaúcho. Não apenas por sua coerência política e capacidade de diálogo com os movimentos sociais, mas também por expressar com clareza um projeto de reconstrução do estado após mais de uma década de governos neoliberais que fragilizaram o patrimônio público e ampliaram desigualdades.

Sigo convencido de que a composição com Edegar governador e Juliana Brizola como vice teria sido a melhor alternativa para unificar o campo progressista e enfrentar com mais força a direita e a extrema direita no estado. As críticas que fiz anteriormente ao papel do PDT e à sua participação no governo Eduardo Leite permanecem as mesmas — e já foram devidamente expostas no momento anterior.

Mas a política exige não apenas convicção, exige também responsabilidade histórica.

Vivemos um momento extremamente grave no cenário internacional, marcado pelo avanço de forças de extrema direita, com forte conteúdo autoritário. Lideranças como Donald Trump expressam um projeto de reorganização da ordem mundial baseado na força, na imposição econômica e na negação de princípios democráticos.

Essa lógica já produziu efeitos concretos no Brasil, durante o governo Bolsonaro, e hoje se expressa em outros países, como a Argentina. Não por acaso, depois de 25 anos da realização do primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre, nossa cidade sediou recentemente a primeira Conferência Internacional Antifascista — sinalizando a centralidade desse enfrentamento no mundo contemporâneo.

Nesse contexto, o papel do Brasil e da liderança do presidente Lula é estratégico. A eleição que se aproxima não é apenas uma disputa interna: ela definirá se o país seguirá um caminho de soberania ou se voltará a se subordinar a um projeto internacional alinhado aos interesses das grandes potências.

É a partir dessa compreensão que devemos olhar para o cenário no Rio Grande do Sul.

A decisão da direção nacional do PT pode — e deve — ser objeto de avaliação no momento adequado. Mas, no presente, ela impõe uma nova realidade política que exige maturidade, responsabilidade e capacidade de reorganização.

O companheiro Edegar Pretto demonstra grandeza política ao compreender esse momento e se colocar como parte da construção de uma alternativa unificada. Sua postura reafirma que, mais do que projetos individuais, está em jogo um projeto coletivo de país.

O desafio agora é transformar essa transição em um processo politicamente consistente, capaz de mobilizar a base social e política do campo progressista.

Isso passa por alguns elementos fundamentais que precisam ser construídos no processo de unidade:

– a saída definitiva e integral do PDT do governo Eduardo Leite; 
– a construção de um programa de governo que dialogue com os acúmulos já construídos; 
– o enfrentamento às privatizações e a defesa do patrimônio público, em especial do Banrisul; 
– a reversão das políticas que fragilizaram o estado, com destaque para as privatizações da água e da energia, que transformaram direitos em mercadoria; 
– o compromisso com um novo modelo de desenvolvimento sustentável, com enfrentamento à crise climática; 
– a garantia e ampliação dos investimentos em saúde e educação.

Ou seja, a construção de um programa que represente uma inflexão clara em relação ao modelo implementado no estado nos últimos anos.

É com base nesses elementos que será possível reconstruir a confiança das bases sociais e políticas e transformar o eventual desânimo em mobilização ativa.

A tarefa que se coloca é nítida: barrar o retorno do bolsonarismo no Brasil, garantir a reeleição do presidente Lula e afirmar um projeto de desenvolvimento com justiça social. No Rio Grande do Sul, isso significa construir uma alternativa capaz de enfrentar tanto o legado neoliberal quanto o avanço da extrema direita.

Isso passa, necessariamente, pela construção de uma ampla unidade política e social: pela reeleição de Lula e Alckmin no plano nacional; pela consolidação de uma chapa forte no estado, com Juliana e Edegar Pretto; e pela eleição de uma representação comprometida no Senado, com Manuela e Pimenta.

Nesse sentido, é fundamental assegurar a presença do PSOL e a manutenção da candidatura de Manuela nessa frente, como expressão da diversidade e da força do campo progressista. Entre a convicção e a responsabilidade, fico com ambas. Porque é justamente na capacidade de combinar firmeza de posição com responsabilidade histórica que se constrói a política à altura dos desafios do nosso tempo.


Foto de capa: Camila Hermes / Agência RBS

Sobre o autor

Everton Gimenis
Everton Gimenis
Vice-presidente da CUT RS, militante do PT e bancário.

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