Da Redação*
A farmacêutica União Química, comandada por Fernando de Castro Marques, um dos maiores financiadores individuais da campanha de reeleição de Tarcísio de Freitas, recebeu R$ 85,5 milhões do governo de São Paulo desde 2023. Os pagamentos constam do sistema oficial de despesas do Estado e abrangem o período entre o início da atual administração e 28 de agosto de 2026.
Marques transferiu R$ 500 mil para a campanha de Tarcísio em 25 de agosto. Com a contribuição, passou a figurar no topo da relação de doadores pessoas físicas do governador, empatado com outro financiador que destinou o mesmo valor. O empresário é apresentado pela própria União Química como presidente da companhia.
Até a última atualização disponível, a candidatura havia declarado receitas de R$ 10,25 milhões. Assim, somente o repasse de Marques corresponde a aproximadamente 4,9% de toda a arrecadação informada pela campanha.
Contratos superam período de Doria e Garcia
Os desembolsos do governo paulista para a União Química chegaram a R$ 24,27 milhões em 2023, R$ 19,73 milhões em 2024 e R$ 22,48 milhões em 2025. Neste ano, até 28 de agosto, outros R$ 19,07 milhões haviam sido pagos, elevando o total da gestão Tarcísio a cerca de R$ 85,54 milhões.
O montante já é superior aos R$ 81,06 milhões destinados à farmacêutica durante o ciclo dos governos João Doria e Rodrigo Garcia. A comparação chama atenção porque aquele período abrangeu os anos mais críticos da pandemia de Covid-19, quando houve forte expansão das despesas públicas com medicamentos e outros produtos de saúde.
Além dos valores efetivamente desembolsados, a União Química consta de atas de registro de preços da Secretaria estadual da Saúde em 2026. Esses documentos não representam necessariamente novas compras ou pagamentos, mas estabelecem preços e condições que permitem futuras aquisições pelo poder público.
Governo nega relação entre pagamentos e doação
Questionado sobre os números, o governo paulista afirmou que as contratações de órgãos e entidades estaduais obedecem às normas constitucionais e sustentou não existir “relação ou interferência” entre os procedimentos administrativos e eventuais doações eleitorais feitas por pessoas físicas.
A administração também ressaltou que a legislação eleitoral permite esse tipo de contribuição.
O levantamento dos pagamentos utilizou os registros associados à raiz do CNPJ 60.665.981, empregada pela União Química em suas diferentes filiais, e considerou variações da denominação da empresa existentes nos cadastros públicos estaduais.
A doação de R$ 500 mil foi registrada por transferência eletrônica apenas três dias antes da data final considerada no levantamento dos pagamentos. Não há, nos dados apresentados, demonstração de que a contribuição eleitoral tenha relação com os contratos, mas os números colocam o presidente de uma importante fornecedora do Estado entre os principais financiadores privados da campanha do governador.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Fernando de Castro Marques. Crédito: reprodução ICL Notícias

