A economia é apontada como a questão nacional mais importante para a cidadania de 71 dos 107 países analisado em pesquisa realizada pelo Instituto Gallup. Padrão de vida, preços, salários são mencionados por 23% das pessoas. As três preocupações seguintes mais comuns são trabalho e emprego (10%), política e governo (8%), e segurança (7%), apontadas principalmente por ucranianos, russos, israelenses e palestinos. Em conjunto, os quatro temas representam quase a metade de todas as respostas.
A pesquisa levanta uma questão interessante para o Brasil neste ano eleitoral: a percepção subjetiva das pessoas sobre finanças domésticas influencia suas prioridades nacionais. Ou seja, as pessoas avaliam o progresso econômico nacional com base na sensação de segurança e capacidade de viver bem com a renda familiar. Essa percepção já fora apontada pelos Prêmio Nobel da Paz Daniel Kahneman e Angus Deaton, indicando que o bem-estar subjetivo aumenta com a renda pessoal e nacional até certo ponto! Ou seja, a capacidade de consumo fala mais alto que números do PIB.
Na pesquisa, o mundo está representado em sete sub-regiões: Ásia – Pacífico, América Latina e Caribe, África Sub Saara, Norte da África e Oriente Médio, Antigos Estados Soviéticos, Europa e América do Norte. Os quatro temas aparecem, na ordem arrolada, como os principais em seis das sete sub-regiões, com exceção da América do Norte, onde o principal problema apontado é a governança. Latino-americanos e caribenhos apontam em primeiro lugar como preocupação nacional a economia, seguida da segurança e da governança.
Também há diferenças marcantes nos percentuais dos temas entre países de baixa, média e alta rendas: 81% dos adultos em países de baixa renda citam a economia, o trabalho, a política, a segurança e a alimentação como principais problemas, em comparação aos 65% apontados em países de alta renda. Nos países de baixa renda, 14% apontam as necessidades básicas de alimentação e moradia como o principal problema nacional. O Gallup estima que, se o ambiente de trabalho fosse totalmente estimulante, a economia global ganharia 9,6 trilhões de dólares, o equivalente a 9% do PIB mundial.
No tema trabalho como problema nacional as pessoas entrevistadas, informa o Gallup, “não estão se referindo simplesmente ao desemprego, mas a preocupações mais profundas”, como qualidade do emprego, subemprego, estagnação salarial, viabilidade geral dos mercados de trabalho. A pesquisa também indica que a ansiedade econômica é mais acentuada entre jovens e que mulheres são mais propensas do que os homens a relatar problemas econômicos (35% contra 31%).
Temas como discriminação, racismo e pobreza não figuram entre os principais problemas em nível global. Mas eles foram lembrados na Nova Zelândia (20%), Finlândia (18%), Coréia do Sul (15%), Alemanha (12%), Singapura, Noruega e Estados Unidos (11%). Outros temas entram na margem dos problemas nacionais segundo a percepção dos terráqueos, como meio ambiente e mudanças climáticas (3%), saúde (3%), educação (2%), imigração (1%) e até a mídia aparece nesta lista, com menos de 1% identificando-a como o principal problema do seu país.
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