Por Solon Saldanha *
Veículos aéreos não tripulados de baixo custo e voo em baixa altitude tornaram-se o principal desafio tático e financeiro para sistemas de defesa globais na Ucrânia e no Oriente Médio.
A Lógica da Munição Vagante
Os drones Shahed-136, produzidos pelo Irã, alteraram a dinâmica dos conflitos modernos ao introduzir o conceito de munição vagante. Diferente de drones convencionais que disparam mísseis e retornam à base, o Shahed é projetado para um ataque unidirecional: ele é o próprio projétil que explode ao atingir coordenadas pré-programadas.
Com 3,5 metros de comprimento e ogivas de até 50 kg, esses equipamentos são utilizados em massa para saturar defesas inimigas. A estratégia busca esgotar o arsenal de mísseis interceptadores de alta tecnologia, preservando recursos caros do atacante enquanto destrói infraestruturas críticas.
Especificações e Operação
O sucesso do Shahed reside na simplicidade e no uso de componentes civis, o que reduz seu custo de produção para uma faixa entre US$ 20 mil e US$ 50 mil por unidade.
- Propulsão: Motor a pistão de quatro cilindros (Mado MD-550), similar ao de aeromodelismo, com ruído característico de cortador de grama.
- Desempenho: Velocidade de cruzeiro de 185 km/h e alcance superior a 2.000 quilômetros.
- Lançamento: Realizado a partir de rampas móveis em caminhões, utilizando um foguete propulsor sólido para a decolagem inicial.
- Navegação: Autônoma via GPS ou GLONASS, voando em altitudes mínimas para evitar a detecção por radares.
O Desafio da Interceptação Econômica
A maior ameaça do Shahed-136 (chamado de Geran-2 pela Rússia) é a assimetria financeira. Enquanto um drone custa poucos milhares de dólares, um míssil interceptador de um sistema Patriot pode custar entre US$ 1 milhão e US$ 4 milhões.
Essa disparidade força exércitos a buscarem alternativas de baixo custo, como patrulhas visuais com metralhadoras e refletores, ou o desenvolvimento de armas a laser e interferidores de micro-ondas.
Perguntas Frequentes
Por que radares modernos têm dificuldade em detectá-los?
Radares convencionais são calibrados para alvos rápidos e altos. A baixa velocidade (185 km/h) e o voo rente ao solo do Shahed fazem com que muitos sistemas o identifiquem erroneamente como “ruído de solo” ou veículos civis em rodovias.
O drone pode mudar de alvo durante o voo?
No modelo padrão, não. As coordenadas são inseridas antes do lançamento. Contudo, versões recentes integradas com modems 4G/LTE permitem correções de rota via triangulação de antenas de celular.
Qual a vulnerabilidade desses ataques durante o dia?
Embora eficazes à noite, os drones são alvos fáceis à luz do dia. O ruído alto do motor e a baixa velocidade permitem que sejam identificados visualmente e abatidos por armamento de infantaria leve.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Drone Shahed iraniano. Crédito: reprodução The New York Times




