Por Solon Saldanha *
Exatamente dentro de seis meses, em 04 de outubro, estaremos na data do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. E o atual cenário já conta com dez pré-candidatos que buscam o comando do país. Se receberem votos suficientes para tanto.
Com a chegada deste sábado, 4 de abril, entramos em um marco decisivo no calendário político: estamos a exatos seis meses do pleito. Este momento não é apenas uma data simbólica, mas o início de uma contagem regressiva frenética, na qual as articulações de bastidores começam a se transformar em palanques reais. A partir de agora, o cenário de pré-candidaturas começa a se consolidar, as alianças partidárias tornam-se mais rígidas e o debate público passa a ser dominado pelas propostas e confrontos que definirão o rumo do país pelos próximos quatro anos.
Para o eleitor, este período representa a janela ideal para começar a filtrar o ruído das redes sociais e focar no que realmente importa. Com o tempo se estreitando, a pressão sobre os candidatos aumenta para que apresentem propostas viáveis visando soluções concretas para o país, em vez de apenas promessas vagas. É o momento em que a cidadania deixa de ser um conceito abstrato e passa a exigir atenção redobrada, pois a escolha feita ao final dos próximos 180 dias ecoarão por muito tempo na nossa realidade social e econômica. A corrida, que antes parecia distante, agora ganha a velocidade e a urgência de uma reta final.
Vale lembrar que, embora os nomes abaixo já estejam em pré-campanha, o martelo só será batido oficialmente nas convenções partidárias, que ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. Além disso, o vencedor enfrentará uma mudança histórica: pela primeira vez, a posse presidencial ocorrerá no dia 5 de janeiro de 2027, e não mais no primeiro dia do ano.
É evidente que o cenário ainda não é definitivo, podendo ocorrer alguma desistência ou novas adesões. Apresentamos a seguir, em ordem alfabética, os dez nomes que deverão ser lançados:
- Aldo Rebelo (DC): Jornalista e político; foi presidente da Câmara e ministro da Defesa. Pela Democracia Cristã, apresenta uma plataforma nacionalista, focada na soberania da Amazônia e na aproximação com setores produtivos e militares.
- Edmilson Costa (PCB): Economista e Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro. Representa a ala da esquerda que defende a ruptura com o sistema financeiro tradicional e a estatização de setores estratégicos da economia.
- Flávio Bolsonaro (PL): Senador pelo Rio de Janeiro e herdeiro político de Jair Bolsonaro. Sua campanha foca na pauta de costumes, na liberdade econômica e no alinhamento com líderes da direita internacional. Sua viabilidade depende da manutenção das atuais condições jurídicas de elegibilidade.
- Hertz Dias (PSTU): Professor e militante do movimento negro e sindical, sua pré-candidatura foca na defesa dos direitos da classe trabalhadora e no combate às desigualdades estruturais sob uma perspectiva socialista.
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Atual Presidente da República, concorre à reeleição para o seu quarto mandato. Sua plataforma baseia-se na manutenção da estabilidade democrática, nos programas sociais e no protagonismo ambiental do Brasil.
- Renan Santos (Missão): Um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre). Lança-se pelo novo partido “Missão”, com uma agenda liberal-conservadora voltada para a renovação política e o combate à polarização.
- Romeu Zema (Novo): Governador de Minas Gerais em segundo mandato. Empresário, é um expoente da direita liberal, defendendo a austeridade fiscal, privatizações e a redução do aparato estatal. É visto por setores do centro como um forte nome para compor chapas de coalizão.
- Ronaldo Caiado (PSD): Governador de Goiás e médico. Recentemente confirmado pelo PSD como pré-candidato oficial, tem como vitrine os índices de segurança pública de seu estado e o apoio massivo do setor agropecuário.
- Rui Costa Pimenta (PCO): Jornalista e presidente do Partido da Causa Operária. É um nome frequente nas eleições, utilizando o espaço para defender os ideais do marxismo e criticar o imperialismo internacional.
- Samara Martins (UP): Coordenadora da Unidade Popular e da Frente Negra Revolucionária. Foi candidata à vice-presidência em 2022. Sua plataforma foca na reforma agrária, nos direitos das populações periféricas e na luta antirracista.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Os dez pré-candidatos. Crédito: reprodução Virtualidades




