Por SOLON SALDANHA *
Novo titular da pasta substitui Fernando Haddad nesta sexta-feira (20); prioridades incluem controle de gastos em ano eleitoral e consolidação da reforma tributária.
BRASÍLIA – Dario Durigan assume oficialmente o comando do Ministério da Fazenda nesta sexta-feira (20). Substitui Fernando Haddad, que se afasta para concorrer ao Governo de São Paulo. Atual número dois da pasta, Durigan já era articulador central de temas econômicos estratégicos e agora assume o desafio formal de proteger o caixa da União contra pressões por gastos públicos, visando pavimentar o terreno econômico para um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Transição e Desafios Imediatos
A ascensão de Durigan é vista como uma formalização de seu papel como “ministro de fato”, após meses liderando negociações cruciais no Congresso e no Executivo. Entre suas missões urgentes estão:
- Contenção do Diesel: Gerenciar o impacto da crise internacional nos preços dos combustíveis e viabilizar a compensação da desoneração de PIS/COFINS via imposto de exportação sobre petróleo.
- Equilíbrio Fiscal: Atuar como “goleiro” contra propostas de gastos populistas típicas de anos eleitorais, visando manter a confiança do mercado.
- Controle da Inflação e Juros: Evitar a deterioração fiscal que possa impedir o Banco Central de reduzir a taxa Selic.
Agenda Estratégica para o Futuro
Com pouco mais de nove meses para consolidar sua gestão, o novo ministro pretende focar em pilares que sirvam de alicerce para a próxima etapa do governo. As prioridades incluem:
- Reforma Tributária: Finalizar a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e regulamentar o “imposto do pecado” (seletivo).
- Crédito e Endividamento: Ajustar o crédito consignado privado e fortalecer o programa Acredita para pequenos negócios.
- Justiça Fiscal: Intensificar a revisão de benefícios tributários indevidos e implementar a lista de devedores contumazes.
Nova Equipe Econômica
Para auxiliá-lo na gestão, Durigan deve promover mudanças na estrutura interna. Rogério Ceron, atual secretário do Tesouro Nacional, assume como secretário-executivo. Para o comando do Tesouro, o nome indicado é o de Daniel Leal, atual subsecretário da Dívida Pública.
A estratégia traçada pelo novo ministro é clara: resolver temas sensíveis, como a revisão de gastos e renúncias fiscais, logo após o período eleitoral, buscando um ajuste equivalente a 2% do PIB para garantir o crescimento sustentável a longo prazo.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto de capa: Dario Durigan – Agência Brasil




