Por GICELMA FONSECA CHACAROSQUI* e ARQUIMEDES GASPAROTTO JÚNIOR*
O destino da Universidade Federal da Grande Dourados, UFGD, é mudar. Mudar para avançar. Mudar para melhorar. Mudar para cuidar.
Apresentamos esse prognóstico em artigo anterior, gentilmente publicado neste espaço, com o título de “O destino da UFGD”, e qualificamos as nossas razões.
Indicamos que o destino da UFGD é mudar porque ela precisa cuidar de sua comunidade interna que está vastamente desanimada, desmotivada, desintegrada e desamparada.
Acentuamos que o destino da UFGD é mudar porque os seus entornos imediatos no estado, na região e no país evoluíram para níveis inadmissíveis de indiferença vis-à-vis da UFGD.
Defendemos que o destino da UFGD é mudar porque não se pode continuar concebendo que uma universidade de seu porte e potencial continue completamente apática diante dos numerosos desafios do presente século.
Diagnosticamos, contudo, a situação nesses termos porque, em verdade, a UFGD está em queda livre, apoplética e às voltas com uma crise existencial. Em seu interior, os docentes – não raramente extraordinariamente bem formados e com padrão internacional de atuação – não dispõem de nenhuma motivação institucional para manter seus níveis de excelência. Os técnicos administrativos – não raramente exímios cumpridores e hercúleos sustentáculos da instituição – seguem de paralisação em paralisação, de greve em greve, clamando por atenção.
A anomia de seus cotidianos tornou-se inclemente e a ausência de clareza na definição de atribuições e rotinas transformou essa anomia num pesadelo. Uma verdadeira selva selvagem de desmandos, sobressaltos, excessos e altercações. Onde a única saída dos técnicos tem sido paralisações e greves. Paralisações e greves constantes que demandam muito mais que justos e necessários ajustes e reposições salariais. Pois demandam, ao fim das contas, mais respeito, empatia e cuidado.
Adicionado a esse mal-estar interno de docentes e técnicos, ainda existe o mal-estar dos estudantes.
Estudantes de graduação e pós-graduação não têm encontrado acolhimento consequente para a sua permanência na UFGD. Como consequência, eles estão evadindo mais e mais e em massa. Tornando preocupante e crítico o composto de vagas ociosas. Que ultrapassam 40% na maior parte cursos, chegando a mais de 70% em alguns casos.
Se nada disso já não fosse deveras gravíssimo, vale observar a repercussão dessa inequívoca catástrofe além-muros.
Fora dos muros da UFGD, estudantes potenciais e em condições de aceder à UFGD estão mais e mais preferindo instituições privadas locais e regionais devido à decrepitude da UFGD. Conseguintemente, o público em geral alheio à instituição raramente aspira a sair na foto com a UFGD. A UFGD agoniza feito Lázaro. A sua feição enrugou, os seus movimentos ficaram trôpegos e muitos de seus membros já apodreceram. A sua situação é crítica. Quase terminal. Ou a instituição muda – muda rápido e muda para melhor – ou ela tende a desaparecer.
Acreditamos que o núcleo dessa mudança reside no cuidar.
Por isso, propomos CUIDAR A UFGD.
A UFGD – seus docentes, técnicos administrativos e alunos – precisa mais que tudo e mais que nunca de atenção, empatia e cuidado.
Queremos, assim, cuidar a UFGD mediante cinco núcleos de ação integrada no cuidar.
- Cuidar com diálogo – acreditamos que o diálogo franco, a escuta ativa e a ação generosa e consistente constituem imperativos decisivos para a reversão desse quadro de desânimo, anomia e desespero que a UFGD tem nos tocado viver.
- Cuidar com acolhimento e empatia – acreditamos que a UFGD é feita por pessoas. Gente de carne e osso. Com múltiplas competências, emoções, diferenças e talentos que precisam ser empática e respeitosamente entendidos, acolhidos, harmonizados e mobilizados para o bem da coletividade.
- Cuidar com identidade – acreditamos que a UFGD precisa voltar-se para si e reencontrar a sua razão de existir. Desde o seu nascedouro, ela projetou conciliar excelência acadêmica, responsabilidade social e sustentabilidade institucional. Mas, em algum momento, esse propósito se perdeu. Precisamos reabilitá-lo, calibrá-lo e atualizá-lo. Ele é a essência de nosso ethos. O único capaz de nos fazer coletivamente sonhar. Sonhar aquele sonho intenso indicado em nosso Hino Nacional e sonhar aquele sonho imenso que só uma UFGD altaneira pode nos permitir sonhar.
- Cuidar com inovação – acreditamos que a UFGD precisa despertar para a inovação. A Quarta Revolução Industrial é uma realidade. A digitalização da vida, a computação quântica e Inteligência Artificial tornaram-se fatos incontornáveis. Na universidade e fora dela. A UFGD está longe de alcançar protagonismo nessa nova era de revoluções. Ela continua perdida em séculos anteriores, com passos lentos e visão atrofiada. Nossa proposta é trazer a UFGD plenamente para o século XXI.
- Cuidar além-muros – acreditamos que a universidade precisa sair de seus muros e laboratórios e fazer a diferença na vida das pessoas. As populações historicamente vulneráveis – os povos originários, indígenas e quilombolas – precisam de nossa atenção. Os pobres e muito pobres precisam de nosso amparo. Os estudantes estrangeiros advindos do mundo inteiro e notadamente do Cone Sul precisam da nossa empatia. Os comerciários e comerciantes da cidade e da região precisam da nossa cooperação. Os empresários em geral e os agricultores em particular demandam a nossa presença. Os aspirantes a empreendedores precisam de nossa colaboração. Enfim, todas as gentes que nos circundam precisam ser objeto de nossa atenção.
Essas ideias-força encarnam a nossa ideia de mudança e o nosso sentido no mudar. Mudar pelo cuidar.
Cuidar a sociedade e cuidar a UFGD.
*Gicelma Fonseca Chacarosqui é Professora Titular do Departamento de Letras da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e candidata a Reitora da UFGD pela Chapa 2, Gicelma e Arquimedes, Cuidar a UFGD.
*Arquimedes Gasparotto Júnior é Professor Associado da Faculdade de Ciências da Saúde da UFGD e candidato a Vice-Reitor da UFGD pela Chapa 2, Gicelma e Arquimedes, Cuidar a UFGD.
Foto de capa: Divulgação




