Podemos até desconfiar que o povo que o elegeu merece este megalômano psicopata e merece o que ele está fazendo como Presidente. Mas não merece.
Temos que compreender que este tipo humano sórdido é um fenômeno mundial que assola as democracias liberais ocidentais preenchidas, na sua plenitude, pelos valores da decadência do pior neoliberalismo: aquele turbinado pelo capitalismo financeiro global clandestino, marginal e criminoso.
Esta produção criminosa de capital está articulada com o sistema financeiro global na legalidade do Ocidente — e mais além do Ocidente —, cujos reflexos organizativos, materiais e de natureza moral estão presentes no Sistema Epstein de poder.
Nesse sistema se expõe a radicalização dos antivalores da desumanidade e da perversão, que se alimentam nas novas formas materiais — científico-tecnológicas — e imateriais de produzir bens mercantis e informacionais.
Mas ali se produzem também consciências, cada vez mais uniformes, vendáveis e compráveis, no mundo irreal e real da manipulação das redes.
As colisões de valores e os monstros do nosso tempo
Agnes Heller — discípula de Lukács — já explicitara uma nova possibilidade num livro originariamente publicado em 1970, O cotidiano e a História, no qual ela examina as “esferas heterogêneas”, que podem colidir na produção de valores.
Uma possibilidade — esta não necessariamente colidente — é a que ocorre na esfera material da produção do capitalismo industrial clássico, na qual são produzidos os bens materiais com agregação coletiva do valor nas fábricas modernas.
Nestas, a produção dos valores materiais se reflete na esfera imaterial da consciência social e política, vivida e negociada de maneira pública — nas ruas e nas praças — no capitalismo da democracia liberal “clássica”. Aqui, os valores materiais e morais em processo de produção não colidem de maneira radical, mas relativamente se harmonizam em espaços sociais visíveis.
Na Colômbia, quem está no poder é a marginalidade global do capital pirata, que responde ao grande irmão americano, controlador de ambos os fluxos do capital financeiro globalizado: os fluxos criminosos, “fora” da lei, e os fluxos legais, “dentro” da lei.
Diz Agnes Heller: “a explicitação dos valores produz-se, portanto, em esferas heterogêneas. Como dissemos, essas se desenvolvem de modo desigual” — uma vai para um sentido e a outra vai para outro sentido —, “mas a colisão entre esferas heterogêneas é apenas uma das contínuas colisões de valores que ocorrem na história”.
Nas colisões entre essas esferas — quando o sistema multipolar de poder pode chegar ao delírio da destruição da Humanidade — aparecem os monstros-palhaços e os palhaços-monstros. Abjetos e sinistros.
E já presentes em muitos países daquilo que o Presidente dos Estados Unidos quer declarar como quintal latino dos Estados Unidos da América do Norte.
Vencer com Lula no primeiro turno é reduzir aqui, no nosso país, que não se devota à guerra, mas à paz, este perigo do mal absoluto, já presente em toda a Humanidade.
Foto da capa: Abelardo de la Espriella adquirió su ciudadanía estadounidense en 2023 – Crédito: Instagram de Abelardo de la Espriella


