Crescimento de Cury provoca análises opostas sobre efeito na disputa presidencial

Enquanto uma sustenta que ele pode favorecer Lula no primeiro turno ao retirar votos de Flávio Bolsonaro, outra avalia que a maior fragmentação torna o segundo turno mais provável.
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 17:30
Editado em 31 de agosto de 2026 às 16:40
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Da Redação*

O avanço de Augusto Cury nas pesquisas presidenciais produziu nesta segunda-feira (31) um curioso contraste entre as análises sobre a sucessão presidencial. Diante do mesmo fenômeno — a rápida ascensão do candidato que ocupa a terceira posição — comentaristas chegaram a conclusões opostas: para uns, Cury pode facilitar uma vitória de Lula no primeiro turno; para outros, seu crescimento aumenta justamente a possibilidade que já era a maior, de a eleição ser decidida no segundo.

A divergência surge depois de Cury apresentar crescimento expressivo nas pesquisas mais recentes. No levantamento BTG/Nexus, passou de 2% para 11% em uma semana, enquanto Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%. O movimento alterou uma disputa que até recentemente estava fortemente concentrada nos dois primeiros colocados.

Uma mesma pesquisa, duas conclusões

Na TMC, Daniela Lima chamou atenção para o fato de Cury estar avançando principalmente sobre o eleitorado anteriormente inclinado à direita. A leitura apresentada é que o fenômeno pode acabar favorecendo Lula: quanto mais votos o escritor retirar de Flávio Bolsonaro, maior seria a dificuldade do candidato do PL para impedir uma eventual definição da eleição já no primeiro turno.

A interpretação parte também da movimentação registrada entre as duas últimas pesquisas. Enquanto Cury ganhou nove pontos, Flávio perdeu quatro e Lula recuou dois. A maior transferência, portanto, estaria ocorrendo entre o candidato do Avante e o eleitorado que anteriormente declarava voto no senador. Mas Daniela não explicou como o petista teria mais chance de vencer no primeiro turno perdendo votos, mesmo que em menor número do que o principal adversário.

No UOL, entretanto, o mesmo crescimento de Cury serviu de base para uma conclusão diferente. E mais alinhada com a matemática. A análise apresentada sustenta que a consolidação de um terceiro candidato competitivo aumenta a fragmentação dos votos e, consequentemente, dificulta que Lula alcance a maioria dos votos válidos necessária para vencer no primeiro turno.

Cury ajuda Lula ou provoca segundo turno?

A aparente contradição está justamente aí. Na primeira interpretação, o aspecto decisivo é de onde vêm os votos de Cury: se eles saem principalmente de Flávio, Lula seria o beneficiário indireto. Na segunda, importa onde esses votos permanecem: enquanto estiverem com Cury, continuam sendo votos válidos e dificultam que qualquer dos atuais contendores ultrapasse a barreira necessária para encerrar a eleição na primeira votação.

As duas análises, portanto, partem do mesmo fato e chegam a prognósticos opostos. Uma enxerga o enfraquecimento de Flávio Bolsonaro como elemento capaz de favorecer Lula já no primeiro turno. A outra vê a expansão de Cury como fator de fragmentação que torna o segundo turno mais provável.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração: charge de virtualidades.blog

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