CORRESPONDENTE POLÍTICO | Valdemar volta ao comando da campanha de Flávio

Crise na campanha leva Valdemar Costa Neto a reassumir o comando político, reorganizar a comunicação e buscar novas alianças para conter o desgaste de Flávio Bolsonaro.
Última edição em julho 31, 2026, 12:00
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Teve o dedo do próprio presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a decisão de mudar novamente o comando da comunicação da campanha do candidato do seu partido, Flávio Bolsonaro. Como contara por aqui o Correio Político, em junho Valdemar tinha tomado a decisão de se afastar da articulação direta da campanha presidencial, deixando essa tarefa de fato para o coordenador, senador Rogério Marinho. Iria focar somente nas campanhas para deputado federal, que são as fundamentais para definir os recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral. Essa, a praia de Valdemar. Em julho, tinha até resolvido tirar férias. Estava em Miami, pronto para assistir dos estádios a Copa do Mundo. A crise entre Flávio e sua madrasta, Michelle, foi o ponto de inflexão. Valdemar estava no estádio esperando o início do jogo entre o Brasil e a Escócia quando soube do vídeo de Michelle.

Risco de eleger menos deputados

Risco de eleger menos deputados
Tereza Cristina evitaria debandada do agroCrédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

No dia seguinte, abandonou as férias e a Copa e embarcou de volta para o Brasil. Desde então, é ele quem dá as cartas na campanha de Flávio. Até porque a confusão já estava começando a atrapalhar também o trabalho de eleger deputados federais. A briga de Flávio com Michelle somada à história ainda não explicada do financiamento por Daniel Vorcaro, do Banco Master, do filme Dark Horse, vinha derretendo as chances do candidato do PL. E correndo o risco de atrapalhar alianças.

Duda Lima de volta à comunicação

No momento em que Valdemar estava mais afastado do comando da campanha, tinha sido feita a troca que colocou na comunicação o publicitário Eduardo Fischer e o jornalista Alexandre Oltramari. Eles tinham assumido depois da crise do Master. O responsável anterior, Marcello Lopes, saíra no meio da crise. Duda Lima tinha ficado o tempo todo ainda responsável pela comunicação do próprio PL. Retoma ao posto que comandou em 2022. Foi ele o responsável pela campanha de Jair Bolsonaro, que acabou derrotado.

Problemas com Michelle

Em 2024, Duda Lima tinha chegado a anunciar, numa entrevista, que não iria mais assumir campanhas eleitorais. Segundo o que apurou nos bastidores do PL o Correio Político, internamente o publicitário tinha problemas com Michelle Bolsonaro. A saída dela do comando do PL Mulher após uma discussão dura com Valdemar Costa Neto teria facilitado a sua possibilidade retorno à comunicação da campanha.

Teresa Cristina

Na mesma linha do dedo de Valdemar na campanha, está a tentativa de agora fechar com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ser a vice de Flávio Bolsonaro. Poderá ser um pouco tarde, mas foi, enfim, feito um gesto político que demorou. Embora a senadora fosse cogitada, não tinha havido até então uma conversa direta com ela.

Alianças

O problema, a essa altura, é que a possibilidade implica a Federação União Progressista aceitar fechar uma coligação com o PL. E os dois partidos, União Brasil e PP, já tinham resolvido que ficariam neutros com relação às candidaturas presidenciais. E isso se dá por conta da estreiteza do PL em abrir espaço para alianças nos estados.

Santa Catarina

O caso de Santa Catarina é o mais notório. Fechou-se uma chapa que só tem o PL. Até com boas chances de reeleger tanto o governador Jorginho Mello quanto os dois candidatos ao Senado, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. Mas é justamente por isso que se queixam: a força conservadora poderia ajudar a puxar outros aliados.

Senado

Tereza Cristina desejaria mesmo, como já declarou, disputar a presidência do Senado. Mas essa é também uma vaga almejada por Rogério Marinho. E também pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que oscila entre ser aliado de Lula ou embarcar na oposição. Flávio também resistia ao nome de Tereza.

Daniella

Ele preferia a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Até chegou a fazer ensaios de maior exposição dela, quando, por exemplo, apresentou com ela seu plano de governo em torno das questões de gênero. Mas aí a resistência era de Valdemar Costa Neto, para quem ela não tem força política suficiente. Em bom português, não tem voto.

Agro

A tentativa agora de fato com Tereza Cristina visa conter um movimento que comentamos aqui na quinta-feira (30): parte do agro começava a discutir voto útil no candidato do PSD, Ronaldo Caiado, por considerar que ele tem mais possibilidades de vencer Lula no segundo turno. Tereza, como vice, conteria esse ensaio de debandada.


Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: Dedo de Valdemar volta a ser decisivo na campanha | Marcello Casal JrAgência Brasil

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