Por RUDOLFO LAGO*, do Correio da Manhã
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), desmentiu notícias que foram publicadas de que ele teria desistido de concorrer a uma vaga para o Senado em outubro. De fato, Ibaneis se mantém por ora na disputa. Mas o Correio Político apurou que ele cogitou, sim, a possibilidade de desistir da disputa. A cogitação foi tema de uma reunião recente, na qual participaram Ibaneis, seus advogados e aliados. O martelo não foi batido, e pode até ser que Ibaneis, como declara agora, deixe o governo em abril para disputar o Senado. Mas, diante do agravamento das denúncias sobre o Banco Master, a possibilidade de permanecer no governo foi aventada e, segundo apurado, não está descartada.
Importante é controle da base
No caso, Ibaneis manteria o foro especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas especialmente Ibaneis conseguiria manter controle sobre sua base na Câmara Legislativa do DF. Essa seria a maior preocupação. Foi protocolado um pedido de impeachment do governo, feito pelo PSB e pelo Cidadania. O que se teme é, com Ibaneis fora do governo, a base se esfacele e as coisas avancem, tanto no campo político como jurídico.
Celina, então, teria que sair

Se Ibaneis fica, Celina tem que se desincompatibilizar | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Se Ibaneis não deixar o governo, inverte-se o jogo já há algum tempo imaginado. Por esse jogo, ele sairia para o Senado, e a vice-governadora Celina Leão (PP) assumiria o governo para disputar a reeleição. Não saindo Ibaneis, ela é que terá que se desincompatibilizar para disputar o cargo. A avaliação é que tal hipótese enfraqueceria enormemente sua candidatura. Celina não teria a máquina do GDF. E teme-se que nessa nessa hipótese não tenha nem o apoio de Ibaneis, produzindo um imenso racha no campo conservador do DF.
PL virou também problema
Talvez Celina viesse a formar uma chapa forte, tendo como candidatas ao Senado a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Michelle (PL), e a deputada Bia Kicis. Mas veria crescer ainda mais a sombra de José Roberto Arruda (PSD). Na verdade, antes do estouro do caso Master, o PL já vinha sendo um problema para Ibaneis, com a diposição de Bia Kicis de disputar uma vaga para o Senado.
MDB
Assim, a cogitação de Ibaneis começou a abrir outras possibilidades. O MDB ficaria fora dos cargos importantes nessa chapa de Celina com Michelle e Bia. Por conta disso, pesquisas internas testaram que possibilidades poderia ter na disputa o deputado federal Rafael Prudente (MDB), aliado de Ibaneis.
Racha
A hipótese racharia em três o campo da centro-direita no Distrito Federal. Celina sairia numa chapa com Michelle e Bia. O MDB em outra. E o PSD, finalmente, tendo José Roberto Arruda, ex-governador, que as pesquisas já colocam em segundo lugar na disputa, bem próximo de Celina Leão.
Belmonte
Há ainda uma quarta hipótese no racha conservador: uma candidatura da deputada distrital Paula Belmonte. Ela deixou o Cidadania e filiou-se ao Podemos. Filiou-se também ao mesmo partido o ex-senador José Antonio Reguffe. Em 2022, o União Brasil escanteou sua candidatura ao GDF para apoiar Ibaneis.
Não se entendem
O caso do DF é mais um, como o Correio Político vem destacando, de absoluta falta de entendimento no campo da direita brasileira. Na semana passada, comentamos por aqui o caso de Santa Catarina. E, como prevíamos, lá também ficou bem grande a chance de o campo conservador sair rachado em mais de uma candidatura.
Santa Catarina
No sábado (24), o governador Jorginho Mello (PL) confirmou o que dissera a coluna na sexta: fechou uma chapa com o Novo, para ter Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni como seus candidatos ao Senado. A vice, o prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo. Deixou o senador Esperidião Amin (PP) ferido pelo caminho.
Reações
A chapa, porém, deixou de fora o MDB, com quem Mello havia se comprometido para a vice. O que fez o MDB? Rompeu com Mello. E cogita uma chapa com o PSD, para reforçar o plano de Gilberto Kassab de lançar à Presidência o governador do Paraná, Ratinho Jr, ou o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
*Rudolfo Lago é jornalista do Correio da Manhã / Brasília, foi editor do site Congreso e é diretor da Consultoria Imagem e Credibilidade.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: Ibaneis, de fato, cogitou não disputar o Senado | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil




